Kívia Soares - Do NE10/
Rio Grande do Norte - Jornal do Commercio - 23/05/2013 - Recife, PE
Quando uma
criança é acometida por alguma enfermidade e precisa ser
internada ela acaba sendo prejudicada pelo afastamento da escola. Mas no
Hospital Walfredo Gurgel , em Natal, essa realidade é bem diferente.
Em uma das alas da unidade, mais precisamente no setor de pediatria, o
programa Classe Hospitalar beneficia os pacientes com atividades que
auxiliam no aprendizado e dão continuidade ao trabalho que estava
sendo desenvolvido em sala de aula.
O programa
já atua há um ano e três meses e atende pacientes
infanto-juvenis com faixa etária dos dois aos 14 anos, tanto do
setor de pediatria quanto do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ).
Atualmente duas professoras se revezam no atendimento, cada uma sendo
responsável por um desses setores. As aulas ocorrem numa sala onde
também funciona a brinquedoteca do hospital, ou ainda, no leito para
aqueles internos que não podem se deslocar até o local.
O conteúdo
lecionado pelas professoras no hospital varia de acordo com a dificuldade
de cada criança, nível de aprendizagem e atende também
o que é visto em sala de aula na escola. “Esses alunos acabam
tendo uma espécie de professora particular e uma
atenção maior, as vezes aprendem sem perceber que se trata de
uma aula”, diz a educadora Fátima Galvão,
responsável pela ala da pediatria, que atende crianças com
casos desde politraumas a infecções.
Desta forma, o
programa auxilia na aprendizagem e melhora a reinserção do
aluno na escola, pois muitos alunos que chegam ao hospital apresentam
dificuldade a serem trabalhadas. As aulas não tem um tempo
pré-definido e o planejamento vai ser de acordo com a análise
feita da criança. E também se adequam ao dia-a-dia do
hospital com a medicação, banho e refeições,
por exemplo.
O principal
objetivo da Classe Escolar é evitar a evasão e a
repetência por causa da estada no hospital. A Classe começa a
partir do momento que a criança ou adolescente é internado,
com o prontuário deles em mãos uma das pedagogas faz o
acolhimento, que consiste na apresentação do programa e
visita aos leitos para conversa com pais e crianças. Logo em seguida
é feita a matrícula, e assim iniciadas as atividades. Ao
final, quando o paciente recebe alta, um relatório é gerado e
enviado para a escola de origem com todas as informações
sobre o estudante.
“Nada
é feito como forma de obrigação, nós
incentivamos e falamos da importância do trabalho. As crianças
se sentem bem quando participam das aulas e tem um momento para esquecer um
pouco que estão num hospital. Existem casos que muitos chegam aqui
sem saber ler ou fazer as quatro operações e saem com um
grande crescimento educativo. E o mais importante eles não perdem o
ano letivo”, acrescenta Fátima Galvão.
Já a
educadora, Luciana Nogueira, que atua no CTQ do hospital conta que o
trabalho feito com as crianças vítimas de queimaduras
é um pouco mais delicado, até pelo estado de saúde bem
frágil e tratamentos dolorosos. Geralmente esses são os casos
com maior tempo de internação, onde existem pacientes que
já chegaram até um ano internados.
“Antes de
iniciar a atividade educacional em si sempre temos a
preocupação de como as crianças estão se
sentindo e partir dessa sondagem e diagnóstico realizamos o
trabalho. Nós interagimos com jogos e dinâmicas que
também ajudam”, revela. Luciana ressalta também outro
ponto importante nesse que é a humanização e
até mesmo o serviço social prestado aos pacientes e aos
familiares.
“É
praticamente impossível não haver o envolvimento afetivo com
as crianças, principalmente no estado de adoecimento. E isso nos faz
crescer como humanos, pois conseguimos entender como é a dor do
outro e também nos envolvemos com as famílias que ficam muito
fragilizadas e por isso atuamos no encaminhamento deles para outros
atendimentos, desde o serviço psicológico, nutricional e
social”, destaca.
Emerson
Nascimento, de nove anos, é natural de Canguaretama e está
há 15 dias internado no HWG devido a uma infecção, ele
é um dos alunos atendidos pelo programa Classe Escolar. Segundo a
professora Fátima, já apresentou melhoras na leitura.
“Ele está num nível que identifica as letras, mas tem
um pouco de dificuldade nas sílabas. Mas nesse tempo já vimos
um crescimento”, afirma.
Outro interno
é Michael Costa, de 11 anos, da cidade de Georgino Avelino. Ele
chegou nessa quarta-feira (22) ao hospital devido a uma fratura no
braço após cair de sua bicicleta. Curioso após ver a
sala de aula e o trabalho que estava sendo com Emerson ele logo se inseriu
na atividade. `Podemos avaliar que ele é desinibido, o que vai
ajudar muito no seu aprendizado`, pontua Fátima Galvão.
O programa
educacional é feito por meio de um convênio com a rede
municipal de ensino, que disponibiliza as professoras e alguns materiais
didáticos como livros, revistas e também de uso pessoal como
caderno, lápis, borracha entre outros. Mas a estrutura e material
didático ainda precisam ser ampliados. Quem desejar fazer
doações de livros de literatura infantil, das disciplinas
regulares do ensino fundamental I e II ou ainda de materiais escolares pode
entrar em contato com as educadoras do programa pelo telefone (84)
3232-7475.
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