No Caminho, com
Maiakóvski
(Fragmento)
Tu sabes,
Conheces melhor do
que eu
a velha
história.
Na primeira noite
eles se aproximam
e roubam uma
flor
do nosso
jardim.
E não
dizemos nada.
Na segunda noite,
já não se escondem:
pisam nas
flores,
matam nosso
cão,
e não
dizemos nada.
Até que um
dia,
o mais
frágil deles
entra sozinho em
nossa casa,
rouba-nos a luz,
e,
conhecendo nosso
medo,
arranca-nos a voz
da garganta.
E já
não podemos dizer nada.
Esse texto, sobre
o ponto de vista de sua construção, não pretende ser
científico, aliás, o que seria um texto
científico?
Seria um texto
embasado na verdade? Na mentira? E o que é a Verdade? O que é
a Mentira? Na ABNT? Ou nos critérios textuais previamente
estabelecidos pela Linguística Textual: com princípio, meio,
fim, coesão, coerência, informatividade, progressão,
não-contradição, linguagem objetiva, verbos na
terceira pessoa do singular ou do plural ou ainda com uma proposta de
intervenção social inserida ao final do texto?
Inclusive essa tal
proposta de intervenção que antes não existia numa
estrutura de um texto dissertativo, hoje é cobrada e tornou-se moda
pelo “famoso” ENEM – Exame Nacional do Ensino
Médio sobre o qual tratarei a posteriori, mas, voltando à
proposta desse texto, esse texto não pretende ser científico,
pois, não me julgo um cientista, sou apenas mais um professor
querendo desabafar, aliás, antes mesmo de eu escolher o
título desse texto, me lembrei de Clarice Lispector, A Hora da
Estrela, em que essa autora propõe para o título dessa obra
mais de uma dezena de títulos possíveis, incluindo A Hora da
Estrela, que, talvez, por se tornar mais popular e por que não dizer
até mais poético, ficou assim popular e oficialmente
conhecido.
Talvez o leitor
esteja imaginando, por que esses devaneios, caro professor Marinho? O
motivo é simples: às vezes, ou muitas vezes, ou ainda na
maioria das vezes, ou sempre, ou quase sempre é difícil
escolher um título para um texto, se a Imortal Clarice Lispector
teve suas dúvidas, quanto mais nós pobres mortais.
Voltando à
construção desse texto, como eu disse antes, ele não
tem a pretensão de ser cientifico consiste em um desabafo,
não, perdão amigo leitor, consiste na verdade em
vários desabafos, de quem está na Educação,
leciona há mais de vinte anos.
Assim, vamos agora
aos desabafos:
Desabafo 1
Nesses vinte anos
de Educação, leciono a mesma disciplina Língua
Portuguesa, por isso, acredito que fui muito bem preparado para isso,
porque, cursei quatro anos e meio de Letras: Licenciatura –
Língua Portuguesa e suas respectivas Literaturas: fiz um ano de
pós-graduação latu sensu com
especialização em Língua Portuguesa, três anos
de pós-graduação strictu sensu, ou seja, Mestrado em
Linguística com ênfase em Língua Portuguesa,
além disso, muito antes de cursar Letras, eu já lecionava
há mais de quatro anos Língua Portuguesa nas Escolas do
Município e do Estado. Fora o fato de que a primeira vez que o meu
nome foi negativado, foi, porque, eu não consegui pagar a terceira
parcela de uma compra de livros que havia feito na data
pré-estabelecida e isso não me deixa nada constrangido, pois,
prezado leitor, eu estava investindo e continuo na minha profissão,
mas, por que, amigo leitor, todas essas explicações antes do
primeiro desabafo de fato? Porque muitos, ou a maioria dos colegas,
principalmente, de outras áreas me criticam: “como, algumas
vezes, não há nenhum aluno para recuperação,
exame”?
Isso infelizmente
não acontece só com a disciplina de Língua Portuguesa,
acontece também com Matemática. Assim, eu pergunto o que os
meus colegas de outra área entendem de Língua Portuguesa? Ou
ainda, o que sabem sobre Línguística? Praticamente nada!
Porque segundo o senso comum, ou melhor, segundo a maioria das pessoas, dos
professores de outra área e inclusive da maior parte dos sujeitos
que compõem a sociedade brasileira e que não têm uma
bagagem ainda que seja superficial em Línguística, esses
sujeitos afirmam categoricamente que a Língua Portuguesa é a
mais difícil de ensinar desse planeta. Coitados! Desconhecem o
funcionamento de sua própria língua e alicerçados em
um mito o qual é divulgado pela mídia e a
tradição gramatical, acreditam piamente nisto, além
desse mito, acabam internalizando ainda outro: o mito do Preconceito
Linguístico.
Ora bolas, a
Linguística já comprovou que não existe esse
negócio de falar certo ou errado, existe a questão do
diferente, por isso, que Evanildo Bechara na sua excelentíssima
obra: Ensino da Gramática: Opressão? Liberdade? Postula a
tese de que devemos ser poliglotas na nossa própria língua. E
o que isso significa, amigo leitor? Significa que devemos saber nos
comunicar com eficiência em todas as circunstâncias sociais por
que passamos, por exemplo: numa palestra para acadêmicos, devemos
utilizar uma linguagem técnica, científica, entretanto, num
sítio, num mercado, na hora do lazer não devemos nos policiar
tanto. Afora o linguista e a obra citada anteriormente, citarei outras
obras e outros autores que o ajudarão, caro leitor, a compreender
melhor a nossa própria língua, então, vamos a
eles:
a) Mário
Alberto Perini: Para uma nova gramática do português, Sofrendo
a gramática, Gramática Descritiva do Português e A
Língua do Brasil amanhã e outros mistérios;
b) Celso
Ferrarezi Junior: Discutindo Linguagem com professores de português,
Gramática do Brasileiro e Ensinar o Brasileiro: respostas a 50
perguntas de professores de língua materna, dentre outras;
c) Rodolfo
Ilari: A linguística e o ensino de língua portuguesa, dentre
outras;
d) Marcos
Bagno: Preconceito Linguístico: o que é, como se faz. E A
Língua de Eulália: novela sociolinguística, dentre
outras;
e) Luiz Carlos
Cagliari: Alfabetização e Linguagem, dentre outras;
f) E por fim:
Luiz Carlos Travaglia: Gramática e Interação: uma
proposta para o ensino de gramática no 1º e 2º graus.
É claro, considerado leitor, que eu poderia citar ainda muito mais
autores e obras que tratam da Linguística e, principalmente da
Língua Portuguesa, entretanto, se o amigo leitor escolher apenas uma
das obras citadas acima (poderia ser, por exemplo: Sofrendo a
gramática de Perini) e lê-la, meditá-la, poderá
chegar a seguinte constatação: de que todos sabem e, muito
bem a língua que falam e ainda falam-na com propriedade, com regras
específicas, intrínsecas, naturais e inerentes a essa
língua.
Desabafo 2
Toda culpa do
fracasso dos alunos nas outras disciplinas recai sobre os ombros dos
Professores de Língua Materna, “0s colegas” simplesmente
dizem: - Olha aqui, esse menino ou essa menina não sabe escrever,
trocou o x pelo ch, o g pelo j, ou s pelo z etc. Assim, eu pergunto o que
esses colegas conhecem da Fonética e da Fonologia da Língua
Portuguesa para fazerem tais afirmações? Eles desconhecem
alguns fatos simples, tais como: que o mesmo fonema pode assumir
vários grafemas ao mesmo tempo, exemplo, o fonema /z/, pode,
às vezes, ser representado pelas letras S, Z e até pelo
grafema X, para confirmar essa afirmativa, observemos: caSa, Zangado e
eXame, trocando em miúdos; a relação som/letra
não é biunívoca, por isso, muitos alunos e,
até, por que não dizer professores “erram” na
grafia. Outros fatos fonéticos e fonológicos também
importantes devem ser considerados: a mesma letra pode representar mais de
um fonema: eXame, Xale, próXimo, seXo. E ainda um único
fonema pode ser reprensentado por um grupo de duas letras
(dígrafos): maCHado, muLHer, miSSa, caRRo. Além disso, a
letra ou grafema X pode representar dois fonemas ao mesmo tempo, ou seja,
um fonema dúplice /ks/, /cs/. Exemplos: táXi, fiXo,
tóraX, heXacampeão. Mas também, sabemos que tanto o H
inicial quanto o M e o N, quando não seguidos de vogal, não
representam fonema algum, no caso específico dos fonemas M e do N,
eles apenas representam marca de nasalização da vogal
anterior, por isso, em canta, temos quatro letras ou grafemas e apenas
quatro fonemas /c-ã-t-a/. Logo como se vê, amigo leitor, as
coisas não assim tão fáceis como muitos sujeitos
imaginam, portanto; no que tange à leitura e a escrita, só
lendo, escrevendo, relendo, reescrevendo e pesquisando bastante para
escrever bem, pois, a leitura e a escrita constituem-se em um processo: com
início, meio, mas nunca fim, aliás, sabe-se que todo processo
tem princípio, meio, contudo, nunca apresenta fim, isso ocorre com a
escrita, com a leitura. Acredito ainda embasado em alguns autores: Eni
Pulcinelli, Ângela Kleiman, Magda Soares, Paulo Freire, entre outros;
que a leitura não está ligada diretamente proporcional
à escrita, ou seja, tem gente que não lê praticamente
nada, mas escreve muito e, tem gente que lê tanto, mas não
escreve nada.
Desabafo 3
Só é
bom professor aquele que aplica prova. Ora bolas! Caríssimos
leitores, a Didática e a Pedagogia Moderna também já
provaram que a prova é só mais um dos instrumentos que visam
à geração da aprendizagem, veja bem, caro leitor,
repito, a prova visa à geração da aprendizagem, e
não, como muitos colegas, muitas vezes, a veem: instrumento de
tortura, de acerto de contas, único instrumento utilizado para
auferir notas. Para confirmar essa afirmativa, basta ler alguns autores,
tais como: Libâneo, Demo, Saviani, Perrenoud, Luckesi, Manacorda,
Freire, Anísio Teixeira, Hoffmann, dentre outros.
Desabafo 4
Professor tem que
ter domínio de sala. Antes de tudo, ou antes de alguma coisa ou
antes de qualquer coisa: o que quer dizer exatamente domínio de
sala? Para tentar responder a essa pergunta, antes, consultarei o Houaiss,
um dos dicionários mais utilizados hoje nos meios acadêmicos,
para saber o significado da palavra domínio. Vamos nessa viagem
comigo, caro leitor, de acordo com o Houaiss, são vários os
significados da palavra domínio, dentre eles, os mais relevantes
para a construção desse texto são: [...] Supremacia em
dirigir em e governar ações de outrem pela
imposição da obediência, dominação,
império (). 2. Direito geralmente reconhecido de propriedade e
supremacia de um indivíduo ou indivíduos sobre outro (s).
[...]
Desses conceitos,
prezado leitor, o que devemos deduzir? Sei que você, amigo leitor,
não é besta, nem muito menos idiota para não perceber
que dominar seria o mesmo que escravizar, ter posse sobre alguém e,
isto a Constituição Federal proíbe, é um crime
qualificado pela legislação vigente. Então como um
professor dominaria um aluno? Uma sala? Talvez, “engravatando”
um por um, até que eles pedissem arrego e deixassem a toalha cair
sobre o chão. Aí o professor não precisaria ser
licenciado, bastaria praticar algum tipo de arte marcial. Outra
consequência que advém dessa palavra domínio,
voltaríamos no mínimo a sermos seres primitivos, levando
radicalmente a sério a teoria de Charles Darwin,
seleção natural, onde os mais fortes sobrepujariam, ou
melhor, dominariam, teriam a posse dos mais fracos, utilizando-os ao seu
bel prazer. Será que com essa atitude de dominação e
dominadora não estaríamos reinventando um novo tipo de
Nazismo? Aliás, nesse momento, cabe aqui uma pergunta: qual é
a diferença da sala de aula por uma prisão?
Alguns anos
atrás, ouvi de alguns alunos [quando, naquela época eu tinha
numa turma de oitava série (atualmente, nono ano, ficou bonitinho,
né? Prezados leitores, mas continua a mesma coisa ou até pior
do que naquela época) três aulas de Língua Portuguesa
seguidas] o seguinte comentário: “a nossa escola não
tem nenhuma diferença de uma cadeia”, eu perguntei: “Por
quê”? Eles responderam é óbvio professor:
lá tem o horário de tomar sol, ou seja, só se sai das
celas depois de um sinal ou uma ordem para tomar sol, aqui, na nossa
escola, não é diferente, a gente sai na hora do recreio para
tomar sol, lá eles fazem também refeições,
inclusive há quem diga melhores do que a nossa tão famigerada
merenda, eles têm horários fixos para saírem e para
entrarem e, na escola, a gente também, lá eles não
podem ficar fora da cela, salvo para tomar sol, nós também,
só podemos sair na hora do recreio, a gente não pode ficar um
pouco que seja fora da sala, lá têm grades para impedir que
eles fujam, professor, aqui, a gente tem muros, também para impedir
a nossa “fuga”. Fiquei muito triste com essa
comparação, mas, fazer o quê, né?
Desabafo 5
Professor que sai
de sala é um péssimo professor. Em face disso, surge uma
pergunta que não quer calar: se o diretor, ou o encarregado de uma
obra, ou gerente não estiverem presentes a obra não termina?
A empresa não segue em frente? Ora bolas! Quando falamos em formar
cidadãos, isso implica em formarmos sujeitos criativos,
autônomos que podem e devem tomar decisões sozinhos, que podem
e devem errar, porque, filosoficamente falando não existe o
“erro”, o que seria o “erro”? Uma ou várias
tentativas de acerto, portanto, se o professor já orientou o aluno,
por que não deixá-lo aprender com os seus próprios
“erros”? A vida funciona assim, aliás, a escola pensa em
preto e branco e o mundo, a vida, lá fora, pensam em cores, ou seja,
já vi muitos colegas sofrerem perseguição, porque,
às vezes passaram um filme ou até mesmo um
documentário que em seu bojo continha uma cena sensual, ainda que
bastante superficial, a escola chamou atenção dos colegas que
haviam exibido esse filme ou esse documentário. Fica outra pergunta:
na casa desses alunos, nenhum deles assiste à novela global das
oito, ou até mesmo ao programa Malhação que é
impregnado de sensualidade? A televisão talvez ainda vá,
pois, os pais, algumas vezes, estão presentes também
assistindo e quanto à Internet? Muitos conteúdos são
extremamente sensuais e, os pais não têm controle, é
balela afirmar que a maioria dos pais tem controle sobre todo o
conteúdo acessado na internet pelos seus filhos, até porque,
hoje; as crianças estão entendendo muito mais de
informática do que os próprios pais, aliás, muitos
pais, mães, dentre outros indivíduos, são chamados de
“analfabetos digitais”, pois, na maioria das vezes, nunca
tiveram contato com um computador. Para dizer bem a verdade; muitos
sujeitos ainda nunca ligaram e nem sabem ligar um computador.
Desabafo 6
O professor
é obrigado a repor aulas. O único profissional que é
obrigado a repor aula é o professor. Tem que cumprir os duzentos
dias letivos; é lei, tá na LDB. Olha a LDB trouxe
inegavelmente algumas contribuições para a melhoria da
Educação, porém, ela também trouxe
inegavelmente prejuízos, por exemplo: carga horária, grade
curricular. No caso de carga horária, quem garante que aumentando os
dias letivos de 180 para 200 dias, principalmente nas escolas
públicas, a aprendizagem melhorou? Olha, amigo leitor, eu tive a
oportunidade de estudar sempre em escolas públicas, principalmente,
antes de ser sancionada a LDB, na década de 1980, e, a escola
pública naquela época tinha bastante qualidade, inclusive em
algumas, havia até processo de seleção, muitos pais
tinham que dormir nas filas para consegui uma vaga. Naquela época,
tínhamos 180 dias letivos e, éramos muito mais felizes,
vivíamos muito menos estressados tanto professores quanto alunos. E
a Educação indubitavelmente tinha mais qualidade, mas ainda
os professores eram também mais respeitados. Hoje vejo com um grande
pesar, aliás, isso só acontece nas escolas, alunos e alunas
chamarem professores de tios e tias. Prezado leitor, você já
percebeu que isso não ocorre em hospitais, fóruns, delegacia,
comércios e empresas, qual é o motivo de esse fato apenas
ocorrer nas escolas? A resposta é óbvia; falta bastante
respeito com o professor. Voltando à questão dos 200 dias
letivos, por que não se aumentam “os dias letivos” dos
deputados, senadores e vereadores? Será que eles
“produziriam” mais? E ainda por que só essa classe pode
aumentar os seus salários conforme os seus próprios desejos?
Por que não utilizar as redes sociais para realizar um
abaixo-assinado, passeatas, protestos em todo país no intuito de
diminuir as regalias que essa classe possui desde quando existe? Ora
bolas!!! As redes sociais já comprovaram o seu valor, então,
por que não utilizá-las novamente para o bem de todos?
Na
Educação, por meio das redes sociais, poder-se-iam realizar
abaixo-assinados, passeatas pacíficas, debates, encontros para
diminuir a carga horária, incluir novamente na grade curricular o
Ensino de Literatura, que pelo menos em Rondônia, não precisa
mais ser ofertada, capacitar melhor os professores, diminuir a hegemonia do
MEC sobre a Educação, principalmente, já que a moda
é inclusão, porque não incluir, facilitar o acesso dos
professores aos cursos de Mestrado e Doutorado, que, infelizmente, na
maioria desses cursos, por causa dos Critérios de
Seleção adotados pela Capes, só passam poucos
“seres iluminados”. Por fim, por que não utilizar as
redes sociais para ter um país melhor?
Desabafo 7
Para ser um bom
professor, o professor tem que participar do conselho de classe. A maioria
dos gestores que conheço, só considera o professor um bom
profissional, se ele participar dos famigerados conselhos de classe. Como
disse anteriormente, estou a cerca de vinte anos na Educação
e, o modus operandis dos famigerados conselhos de classe é o mesmo:
pegam-se todas as turmas, das primeiras até as últimas
séries, veem-se a nota atribuída em cada disciplina, se o
aluno ficou em uma ou até duas disciplinas, apesar de ele ter
passado por um processo de exame e “recuperação”.
E a recuperação realmente recupera? O que seria recuperar?
Por isso, agora, veremos antes o significado de recuperar e depois
voltaremos aos conselhos de classe. Consoante o Houaiss, recuperar seria,
dentre outras coisas: [...] reentrar na posse, no gozo de, reaver. (r. a
fortuna) 2. [...] recobrar (saúde, ânimo etc.), ganhar novas
forças. [...] Parece que nenhum dos significados dados pelo Houaiss
se encaixa no contexto educacional, apesar de eu ter mostrado só
dois, pois, na Educação o aluno não vem para
“reentrar na posse, no gozo de, reaver a fortuna” e, muito
menos recobrar a saúde, o ânimo, ganhar forças, muito
pelo contrário, o aluno que vem para recuperação vem
fraco, sem forças, sem ânimo, se sentindo desolado,
fracassado. Assim, o que esse aluno recupera, sejamos sinceros, a
recuperação infelizmente não recupera, isso é
fato, porém desprezado pela sociedade, pelas autoridades. Nesse
sentido, hoje a Educação passa por duas linhas que eu vou
chamar, se ninguém ainda chamou ou batizou, talvez seja algo
inédito: Pedagogia do Fingimento e do Adestramento. A égide
da Pedagogia do Fingimento se alicerça justamente sobre a estrutura
do fingir: o governo finge que paga, o professor finge que recebe, porque o
salário do professor, amigo leitor, dispensa comentários,
alguns professores fingem que ensinam, muitos alunos fingem que aprendem,
alguns pais fingem que acompanham os filhos nas escolas, alguns filhos
fingem que são acompanhados por seus pais, muitos governadores,
políticos, gestores fingem que se importam com a
Educação que é dada na escola pública,
entretanto, muitos deles não colocam seus filhos para estudarem
nessa mesma escola. A Pedagogia do Fingimento não para por aí
não, está arraigada em toda a sociedade, praticamente em
todos os lugares e setores, muitos pais fingem que se preocupam com seus
filhos, mas, poucos são capazes de lhes dirigirem uma palavra amiga,
perguntar como foi o dia na escola, na casa, na rua ou até mesmo no
trabalho de seus filhos, por isso, muitos pais e muitas mães, muitas
vezes, tentam suprir essa necessidade de carinho, dando-lhes presentes
caríssimos: tabletes, net, notebooks, celulares etc, de
última geração, achando que assim vão suprir
as suas necessidades mais especiais, carinho, amor,
dedicação, respeito, consideração, nenhuma
tecnologia por mais avançada, moderna que seja, pode suprir essas
necessidades. Voltando à Pedagogia do Fingimento, muitos chefes,
gestores, gerentes, administradores, patrões, empregadores,
empresários fingem gostar de seus empregados, colaboradores ou
funcionários, seja como os chamam, pois, dessa forma, o
funcionário produz mais e melhor. Por outro lado, muitos empregados
fingem gostar de seus chefes, diretores, patrões, porque, assim
mantêm os seus próprios empregos.
Infelizmente, a
constatação é óbvia somos uma
geração de hipócritas e fingidos.
Já quanto
à Pedagogia do adestramento, ela se constitui em adestrar os alunos
para tirarem as melhores notas nos Exames propostos pelo MEC, tais como:
ENEM, ENADE, PROVINHA BRASIL etc.
O que essa
Pedagogia faz com o aluno? Tira a sua alma, a sua essência, torna
esse aluno, muitas vezes, um verdadeiro idiota, imbecil, porque impede-lhe
de criar, tira a sua liberdade, o aluno é adestrado, treinado para
tirar a melhor e a maior nota nesses tipos de exame, sem contar que esses
exames são desumanos, vejamos, especialmente, amigo leitor, o caso
do ENEM. Sabemos, prezado leitor, que esse exame se divide em dois dias
assim distribuídos, conforme as instruções
extraídas das provas disponibilizadas pelo próprio MEC:
•Primeiro
dia: [...] Este CADERNO DE QUESTÕES contém 90 questões
numeradas de 1 a 90, dispostas da seguinte maneira:
•a. as
questões de número 1 a 45 são relativas à
área de Ciências Humanas e suas Tecnologias;
•b. as
questões de número 46 a 90 são relativas à
área de Ciências da Natureza e suas Tecnologias. [...]
•O tempo
disponível para estas provas é de quatro horas e trinta
minutos.
Brincadeira, amigo
leitor, veja bem 90 questões, cada uma com cinco
proposições diferentes, o que equivaleria a um total de 450
proposições, dessas somente uma estaria correta, como se
não bastasse isso, um tempo de 4 horas e trinta minutos para
fazê-la, o que equivaleria a 270 minutos, ou seja, o candidato tem 3
minutos para realizar cada questão, além disso, ele ainda tem
que transcrever todas as respostas que julga corretas para o
cartão-resposta e escrever uma frase besta, idiota, ridícula
colocada na prova no cartão de inscrição, conforme
orientação contida na própria prova e que a maioria
dos candidatos não leem, a desse ano, do segundo dia, no caderno
azul foi a seguinte frase: “A leitura é uma arma para
cidadania”. O que o MEC PRETENDE COM A APLICAÇÃO DESSE
EXAME? Formar idiotas, máquinas, autômatos, androides ou numa
nomenclatura mais moderna: cyborgs. Olha, se o aluno mal tem tempo para
ler, analisar, interpretar e transcrever as questões no
cartão-resposta, que dizer de ele conseguir enxergar uma frase
ridícula dessa para transcrever em tão referido
cartão? Por que não aplicar esse teste nos autores dele?
Vamos ver como eles se saem, amados leitores. Acha pouco, prezado leitor?
Ainda tem mais, o segundo dia, vejamos como funciona o teste no segundo
dia:
•[...] Este
CADERNO DE QUESTÕES contém a Proposta de
Redação e 90 questões numeradas de 91 a 180, dispostas
da seguinte maneira:
•a. as
questões de número 91 a 135 são relativas à
área de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias;
•b. as
questões de número 136 a 180 são relativas à
área de Matemática e suas Tecnologias.
•ATENÇÃO: as questões de 91 a 95
são relativas à língua estrangeira. Você
deverá responder apenas às questões relativas à
língua estrangeira (inglês ou espanhol) escolhida no ato de
sua inscrição.
•Confira se o
seu CADERNO DE QUESTÕES contém a quantidade de
questões e se essas questões estão na ordem mencionada
na instrução anterior. Caso o caderno esteja incompleto,
tenha qualquer defeito ou apresente divergência, comunique ao
aplicador da sala para que ele tome as providências
cabíveis.
•Verifique,
no CARTÃO-RESPOSTA e na FOLHA DE REDAÇÃO, que se
encontra no verso do CARTÃO-RESPOSTA, se os seus dados estão
registrados corretamente. Caso haja alguma divergência, comunique-a
imediatamente ao aplicador da sala.
•[...] O
tempo disponível para estas provas é de cinco horas e trinta
minutos. [...]
•ATENÇÃO: após a
conferência, escreva e assine seu nome nos espaços
próprios do CARTÃO-RESPOSTA e da FOLHA DE
REDAÇÃO com caneta esferográfica de tinta preta.
•[...] Marque
no CARTÃO-RESPOSTA, no espaço apropriado, a
opção correspondente à cor desta capa.
ATENÇÃO: se você assinalar mais de uma
opção de cor ou deixar todos os campos em branco, sua prova
não será corrigida.
•Não
dobre, não amasse nem rasure o CARTÃO-RESPOSTA, pois ele
não poderá ser substituído.
•Para cada
uma das questões objetivas, são apresentadas 5
opções identificadas com as letras A, B, C, D e E. Apenas
uma responde corretamente à questão.
•[...]
Você poderá deixar o local de prova somente após
decorridas duas horas do início da aplicação e
poderá levar seu CADERNO DE QUESTÕES ao deixar em definitivo
a sala de provas nos últimos 30 minutos que antecedem o
término da prova.[...]
Como se vê,
caro leitor, no segundo dia, as coisas pioram, pioram e muito. Mas para
quem as coisas pioram? Para o pobre estudante que dessa vez tem menos
tempo, pois, ele tem de pensar mais, raciocinar mais, vejamos o
porquê disso: além das 90 questões, ele tem de escrever
uma redação cujo tempo não pode ultrapassar o limite
do tempo disponível: dessa vez, 5 horas e trinta minutos, o que
equivale em minutos: 330 minutos que divididos pelas 90 questões,
sem contar o tempo gasto na redação, o tempo gasto para
transcrever aquela frase idiota para o cartão-resposta, o tempo
gasto para conferir o cartão-resposta, o discente teria
aproximadamente 3 minutos, 6 segundos e 44 centésimos para resolver
cada questão objetiva da prova que contém 5
opções e só uma correta. Cá entre nós,
amigos leitores, isso é humanamente impossível. Por que os
autores desse teste juntamente com o Ministro da Educação
não fazem essa prova para ver em qual colocação
ficariam ou quantos pontos tirariam?
Como se não
bastasse às colocações feitas anteriormente, no Manual
de Redação do Enem constam ainda as seguintes
informações:
•[...] Com
base na leitura dos textos motivadores seguintes e nos conhecimentos
construídos ao longo de sua formação, redija texto
dissertativo-argumentativo em norma padrão da língua; [...],
apresentando proposta de intervenção que respeite os direitos
humanos. Selecione, organize e relacione, de forma coerente e coesa,
argumentos e fatos para defesa de seu ponto de vista.
Sejamos sinceros e
coerentes, como um candidato que tem em média 4 minutos para
resolver uma questão fará uma dissertação, ou
melhor, um texto argumentativo com coesão, coerência,
obedecendo não só às normas padrões da
Língua Portuguesa como também apresentando UMA PROPOSTA DE
INTERVENÇÃO EM TRINTA LINHAS QUE RESPEITE OS DIREITOS
HUMANOS. Ora MEC, autores do ENEM, VÊ SE VOCÊS SE ENXERGAM,
venham fazer essa “maravilhosa” prova. Além desse
absurdo, a redação ainda exige uma proposta de
intervenção social que não fira os direitos humanos,
aí sim, é o cúmulo da idiotice desse tipo de exame,
porque, de acordo com que sabemos nem os trabalhos de
pós-graduação em nível strictu sensu, tais
como; Dissertações de Mestrado e Teses de Doutorado têm
uma PROPOSTA DE INTERVENÇÃO SOCIAL QUE RESPEITE OS DIREITOS
HUMANOS, porque, muitas vezes, se estuda um problema não para propor
uma proposta de intervenção, aliás, a maioria dos
pesquisadores depois de concluírem os seus trabalhos, muitas vezes
não podem retornar ao local ou à comunidade que pesquisaram
por fatores diversos: de ordem econômica, social, política,
laboral etc. Outro detalhe; muitas pesquisas não são feitas
para resolver os problemas de imediato, aliás, sabemos que existem
muitos problemas sem soluções. Então, como o ENEM tem
a ousadia de exigir de um candidato de ensino médio numa
redação cujo limite máximo não pode ultrapassar
trinta linhas com uma proposta de intervenção social que
não desvirtue os direitos humanos? Isso não seria uma
tremenda idiotice contida nessa prova?
Por ora, as
reflexões sobre o ENEM feitas anteriormente já bastam, por
isso, agora, voltaremos a falar do conselho de classe.
Assim, para que
servem os tão famigerados conselhos de Classe? Servem para aprovar
os alunos que não conseguiram notas suficientes na
recuperação ou no exame? Caro leitor, talvez o conselho de
classe também sirva para isso, ou seja, para gerar
estatísticas de aprovação que agradam muito os
governantes. Entretanto, por ora, caro leitor, voltemos ao modus operandis
dos conselhos de classe, então, como eu explicava antes, geralmente,
iniciam-se os conselhos em ordem crescente, da série menor para a
maior e aí iniciam-se os trabalhos. Aliás, esses trabalhos na
maioria das vezes não tem objetividade alguma, pois, começam
assim: o supervisor geralmente pergunta: fulano de tal, ou número
no diário de classe tal, ficou em qual disciplina? Aí os
professores reunidos junto com a equipe pedagógica ou até com
a equipe gestora, falam sobre cada aluno e de suas dificuldades, como
disse, prezado leitor sem objetividade, porque, nesses vinte anos de
trabalho, já ouvi cada coisa absurda, inclusive até como a
mãe, o pai de um de nossos alunos fazem amor, como a professora
morava em casas diferentes, porém, com uma só parede que as
dividia, a tal professora afirmou que o aluno X, tinha problemas, porque,
sua mãe gritava muito durante a relação sexual. Fala
sério, amigo leitor, isso é ou não é o
cúmulo do absurdo, já ouvi coisas piores sobre alunos, pais
de alunos em conselhos, porém, pouparei o ouvido de vocês,
caros leitores. Por essa e outras que não cabe dizer nesse texto
é que eu penso que o conselho de classe realizado do modo como
é e era há dez, vinte anos ou até muito tempo
atrás não funciona, pois, há um mundo de
questões, de problemas para serem debatidos, solucionados em
tão pouco tempo. Sem deixar de mencionar o estresse que tal conselho
causa, às vezes, a escola tem vinte, trinta turmas, o conselho
começa às sete da manhã e muitas vezes termina no
outro dia, à meia noite, ou seja, no início de um novo dia.
Que ser humano teria um rendimento profícuo num conselho desses?
Além disso, muitas vezes se discutem no conselho problemas que
não têm nada a ver com os alunos ou com a escola. Isto
é, perde-se muito tempo nos conselhos de classe da forma como
são realizados. Outro detalhe: na maioria das vezes, o conselho
não começa no horário certo. E sejamos sinceros, a
finalidade realmente do conselho é aprovar os alunos que ficaram em
até 3 disciplinas e, que não conseguiram notas na
recuperação e nem no exame. Aliás, para o governo
interessam números, estatísticas.
Assim, vamos ao
oitavo desabafo.
Desabafo 8
Os projetos
pedagógicos, grande parte deles é gestado por pessoas que
nunca deram aula. Olha, amigo leitor, como se sabe, na maioria das vezes,
os projetos pedagógicos são feitos em gabinetes, as pessoas
que os construíram, muitas vezes, nunca entraram em uma sala de
aula. Aliás, muitos desses técnicos pedagógicos nem
sabem para que serve a sala de aula. Como falar daquilo que você
não experimentou, não conhece? Você tem que concordar
comigo, caro leitor, é praticamente impossível falar,
planejar sobre aquilo que não se conhece, que não se vive.
Por isso, a gente vê tanta coisa estranha proposta pelo MEC,
especialmente uma cartilha que “ensinava” aos alunos a
modalidade dita não-culta da língua que felizmente não
chegou à escola, devido a sérias críticas que essa
cartilha sofreu. Fala sério, considerado leitor, o aluno vem
à escola em busca de aprender a forma dita padrão, culta da
língua, porque a dita popular ele domina com muita propriedade no
seu cotidiano, é a língua falada por ele aproximadamente 20
horas por dia, seja com o seu coleguinha, seja com sua mãe, ou o seu
pai, seja no mercado, seja durante as brincadeiras. Assim, uma proposta
dessas feita pelo MEC às escolas brasileiras, vocês hão
de convir comigo, caros leitores, que é uma proposta deverasmente
indecente. Pois, como afirma Marcos Bagno em várias de suas obras:
Dramática da Língua Portuguesa: tradição
gramatical, mídia e exclusão social, Novela
Sociolinguística: a língua de Eulália, Pesquisa na
escola: o que é, como se faz, dentre outras; deixar de ensinar ao
aluno a forma dita padrão é uma questão de
aviltação dos direitos humanos desse cidadão. Por
isso, vamos agora ao último desabafo.
Último
desabafo
Qualquer pessoa
pode ser professor. Um médico, porque teve aulas de anatomia, a
escola, o governo, os políticos e até mesmo a própria
sociedade brasileira acham que ele pode ministrar aulas de Ciências e
Biologia. Isso se aplica ainda a um advogado, só porque teve aulas
de Língua Portuguesa na faculdade, produz memorandos,
petições, requerimentos etc, acha que pode ministrar aulas de
Língua Portuguesa nos Ensino Fundamental e Médio. Não
é diferente o caso de um engenheiro, só porque viu muita
Matemática na faculdade, acha que pode ministrar essa disciplina
não só no Ensino Fundamental e Médio como
também no Superior, principalmente para os calouros do Curso de
Licenciatura de Matemática. Todo mundo acha isso normal, perfeito.
Porém, de acordo com Mary Kato na obra intitulada: No mundo da
escrita: uma perspectiva psicolinguística. Esses fatos descritos
acima são falsos, porque, segundo essa autora não basta saber
certo conteúdo para ensiná-lo, há de se ter uma
preparação adequada para ensinar e onde essa
preparação deve ocorrer, caro leitor? Consoante essa mesma
autora, essa preparação só ocorre nos cursos de
Licenciatura, pois, o acadêmico aprende não só
Matemática, Língua Portuguesa, Biologia etc. Mas
também aprende como essas disciplinas funcionam, ou seja, se ele faz
Matemática, tem Didática da Matemática, se faz Letras
tem Didática da Língua Portuguesa. Talvez o leitor esteja se
perguntando e para que serve essa tal Didática. Segundo José
Carlos Libâneo em sua obra intitulada Didática, essa
disciplina versa sobre a arte de ensinar e de aprender.
Portanto, os
profissionais acima citados não estão preparados
adequadamente para ensinar qualquer disciplina. Essa função
deve ser atribuída somente aos professores formados nas respectivas
disciplinas que vão ministrar, porque, eles sim, passaram por uma
licenciatura e aprenderem como funciona a Metodologia e a Didática
de suas respectivas disciplinas.
Do exposto,
infelizmente, somos “forçados” a concordar com o
Pós Doutor Professor Celso Ferrarezi Junior que, atualmente, ocupa a
cadeira de Língua Portuguesa da Universidade Federal de Alfenas-MG (
artigo intitulado: Educação sob Controle publicado no site
Artefato Cultural e ainda na revista Práxis: Linguagem e
Educação Ano VIII, Nº 11, outubro de 2011, produzida em
Cacoal em Rondônia) que afirma o seguinte:
•[...] A
mania de controle parte de duas matrizes principais. Uma é
histórica e passa por termos uma educação silenciadora
que teve os seus primórdios em uma igreja catequizadora e
inquisidora. Em uma igreja dessa, portadora de uma pretensa autoridade
divina não há espaço para questionamentos. Afinal,
“a Deus não se questiona”, embora a Bíblia diga
diferente (cf. Isaías 1:18). Essa educação
inquestionável seguiu por um Brasil colônia humilhado e
espezinhado, em que “nossos donos” não tinham qualquer
interesse em permitir questionamentos e o silêncio continua sendo
regra. Então, ela acaba chegando a uma ditadura militar igualmente
silenciadora, período final este no qual se educou grande parte dos
atuais “medalhões” da educação brasileira.
É compreensível que tenham aprendido no silêncio e
desejem manter o silêncio como única regra que conhecem.
Compreensível, mas não desculpável. Finalmente, hoje
temos uma democracia de fachada, e não sabemos bem como lidar com
ela. Assim, os conceitos de base da nossa histórica
educação silenciadora continuam tão vivos hoje quando
na primeira missa de Henrique de Coimbra em terras brasileiras. A segunda
fonte, por assim dizer, de nossa atual incapacidade educacional é a
pressuposição mais do que disseminada e popularmente aceita
da incompetência de nossos docentes. Junte isso com aquilo em uma
só panela, em um caldo grosso, e a mania de controle está
muito bem alicerçada. Falemos sobre cada uma separadamente em mais
detalhes.
•A
historicidade do silêncio em nossas escolas é mais do que
estudada e reconhecida. Aluno bom é aluno calado e professor bom
é aquele que não dá trabalho nem pro supervisor, nem
pro diretor: ele não questiona, não pergunta[...]
*Mestre em
Linguística e professor da Cadeira de Língua Portuguesa no
IFRO – Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de Rondônia – Campus Ariquemes. E-mail:
celestino_2023@hotmail.com
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