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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Festival pendura livros em árvore para "colher" leitura na zona leste de SP

06 de Novembro de 2015

Evento é resultado de projetos em parceria entre escolas de São Miguel Paulista e artistas. Ideia é dar visibilidade às produções dos alunos

Fonte: UOL Educação
Nesta quinta-feira (5), as árvores do bairro de São Miguel Paulista, em São Paulo, vão amanhecer de um jeito diferente. Mais de 3 mil livros serão pendurados nos galhos, como frutos, para que qualquer um possa pegar.
A colheita marca o início do Festival do Livro e da Literatura de São Miguel Paulista, que acontece entre quinta e sábado (7), das 9h às 21h, e oferece atividades gratuitas em mais de 40 pontos do bairro.
Inácio Pereira Neto, organizador do festival, afirma que o evento é uma oportunidade de mostrar a produção da periferia.
"Nossas escolas, coletivos e grupos de teatro também produzem. Nós só não temos espaço para lançar luz a essa produção local. O festival é uma oportunidade", explica.
Ao longo do ano, são desenvolvidos vários projetos em parceria com as escolas e eles culminam no evento: "É uma oportunidade que os alunos encontram para publicar. Publicar não no sentido de tornar impresso, e sim no sentido de tornar público. Se o aluno escreveu um poema e o leu para o público do festival, ele está publicando o poema, está socializando essas ideias", afirma Inácio.
As escolas não só usam o evento para celebrar seus trabalhos como também interferem na sua programação. Inácio conta que, em uma das escolas do bairro, 150 alunos leram a obra "Os Miseráveis", do escritor francês Victor Hugo. A partir disso, o festival foi pautado.
"Nós criamos uma programação que usa alguns dos temas levantados pelo livro e os aplica em discussões contemporâneas, como a questão carcerária e a redução da maioridade penal".
Neste ano, o tema do evento é "Diferentes vozes para construir histórias". Segundo Inácio, é um convite ao diálogo a partir da capacidade humanizadora da literatura. Entre as atividades, estão intervenções artísticas, contação de histórias, peças de teatro, conversas com autores, venda e troca de livros.
Entre os temas debatidos, está o aniversário de 30 anos da democracia brasileira. "A literatura é um mote para que a gente possa ocupar as praças e refletir sobre a atualidade", conclui Inácio.

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