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sábado, 18 de maio de 2013

Solução parcial para o Magistério




Estado pretende aprovar mais de 10 mil professores, substituir metade dos contratos de emergência e criar cadastro reserva Fonte: Zero Hora (RS)
18 de maio de 2013




A prova para o concurso do magistério que ocorre amanhã em todo o Rio Grande do Sul não deve se traduzir em mais Professores para as Escolas públicas. Na prática, servirá para substituir metade dos contratos emergenciais temporários existentes na rede estadual.
Segundo a Secretaria Estadual de Educação (SEC), são quase 20 mil profissionais com o vínculo de urgência. O edital do concurso prevê 10 mil contratações permanentes. A diretora do Departamento de Recursos Humanos da SEC, Virgínia Maria da Silva Nascimento, explica que é interessante manter um grupo de Professores temporários na ativa.
– Não temos interesse em acabar com todos os contratos emergenciais. Queremos ter um grupo de Professores para quando tivermos demanda, como a saída de colegas por motivo de saúde ou aposentadoria – completa Virgínia.
O teste de amanhã será aplicado para 69 mil inscritos. Como a validade da seleção é de dois anos, renováveis por mais dois, a intenção da SEC é ter uma espécie de reserva, e nomear, além dos 10 mil, outros profissionais no ano seguinte. Rejane Oliveira, presidente do CPERS/Sindicato, afirma que a necessidade era de contemplar 33 mil trabalhadores. Segundo ela, um mapeamento realizado pela entidade revelou que são 26 mil contratos emergenciais e não 20 mil como afirmou a Seduc, e que também haveria outras 7 mil vagas em déficit no Estado, fato também negado pelo governo.
– Somos contrários aos contratos emergenciais, pois é uma forma de flexibilização das relações de trabalho. O contratado trabalha tanto quanto os nomeados, mas não tem os mesmos direitos – afirma Rejane.
Para especialista, crise influencia decisão do governo
O último concurso, de 2012, reprovou 92% dos candidatos. Ao todo, 5 mil assumiram. De acordo com a Seduc, as novas vagas devem ser ocupadas a partir de agosto deste ano.
No comando das coordenadorias das Licenciaturas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Umbelina Barreto diz que o contrato emergencial é não dar valor à Educação:
– O contrato emergencial não valoriza o profissional. Porém, mais grave ainda é não ter Professor.
Luis Alberto Guadagnin, Professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), pondera que a grave crise financeira do Estado e a folha do setor têm participação significativa nas despesas estaduais:
– A crise talvez influencie na decisão do governo de promover a troca parcial dos contratos emergenciais.

Professora sete em um
Além de dirigir uma Escola de 280 Alunos, Sandra Helena Couto ainda dá aulas de Geografia, Artes, seminário integrado e Ensino Religioso. No tempo que sobra, desempenha as funções de pedagoga, merendeira e vice-diretora.
A situação que ocorre na Escola Estadual de Ensino médio de Araricá, no Vale do Sinos é um retrato da falta de Professores na rede pública estadual. Segundo estudo do Cpers, o problema atinge 40,9% das instituições.
Diretora há oito anos, Sandra supre desde fevereiro a falta de quatro Professores, que migraram para Escolas municipais ou particulares, em busca de melhores salários. Para que os Alunos não ficassem sem aula, ela montou a força-tarefa particular. O salário de Sandra é de R$ 1,8 mil para 40 horas semanais. Para dar conta de tudo, ela faz 15 horas adicionais.
Neste mês, foram repostos Professores de matemática e Educação física. Os demais ainda não. A única funcionária responsável pela limpeza também auxilia na cozinha. Os estudantes, que acompanham a situação, organizam semanalmente um mutirão de limpeza para suprir a falta de profissionais.
Para alertar a 2ª Coordenadoria Regional de Educação sobre a urgência de novos Professores, o Conselho de Pais e Mestres e os Alunos farão manifestação às 9h de hoje em frente à instituição.
Conforme a coordenadoria, há um processo de contratação de Professores. O órgão não soube informar quais as disciplinas locadas na Escola, mas afirma que não há interessados em lecionar Artes, Espanhol e História. Para merendeira, a admissão foi encaminhada.

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