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domingo, 21 de abril de 2013

O fim do vestibular da UFMG

 
21/04/2013
  :: Eldo Pena
Diretor do Colégio Magnum
O Conselho Universitário da UFMG, reunido no dia 19 de março, pôs fim ao vestibular mais concorrido e de maior prestígio em Minas Gerais. A universidade decidiu aderir ao Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e, de agora em diante, os alunos que quiserem estudar na instituição serão selecionados por meio das notas obtidas no Enem. Evidentemente, considerando as dezenas de milhares de estudantes (no último vestibular o número de inscritos foi de 62.264), famílias e colégios atingidos, as reações não poderiam deixar de ser emotivas e díspares.

O reitor da UFMG, Clélio Campolina Diniz, declarou que já era hora de a universidade alinhar-se ao modelo adotado em nações mais desenvolvidas, como os Estados Unidos, praticamente todos os países da Europa e vários da Ásia, que há muito adotam o vestibular único. Segundo ele, o conselho universitário vinha estudando a questão há três anos e decidiu que, considerando a qualidade das questões do Enem, não havia mais razão para submeter os candidatos às tradicionais provas abertas da segunda etapa.

Na verdade, a instituição do Sisu e a adesão a ele da UFMG constituem apenas uma mudança a mais entre as várias pelas quais o vestibular vem passando desde que se tornou obrigatório por lei em 1911. Durante décadas, as próprias faculdades elaboravam seus exames e os candidatos se submetiam a provas orais e escritas. Com o crescimento da demanda, o sistema teve que ser aperfeiçoado, tornando-se cada vez mais difícil e concorrido. Assim, a decisão da UFMG se enquadra nesse processo de evolução, que não precisa gerar polêmicas tão acirradas.

Para os alunos realmente estudiosos, a mudança não implica aumento significativo da concorrência e, por outro lado, traz inegáveis benefícios. Em primeiro lugar, acabou-se o tempo da decoreba. Como as provas do Enem se centram em competências e habilidades que exigem do estudante capacidade de análise e interpretação para resolver situações problema, o simples conhecimento não é mais suficiente para obter sucesso nos exames. Com isso, as escolas dispõem de mais tempo para trabalhar os núcleos mais importantes dos conteúdos estudados e não precisam gastar horas e horas com detalhes que não podiam ser desprezados, pois eram cobrados no vestibular. Desse modo, podem dedicar-se ao desenvolvimento do raciocínio dos alunos, em vez de exigir o domínio de conhecimentos voláteis e, portanto, dispensáveis.

Em segundo lugar, de agora em diante, os alunos passam a contar com mais tempo para estudar para o Enem, pois, nos anos anteriores, eram obrigados a dedicar um grande número de horas preparando-se para a segunda etapa da UFMG. Assim, o nível de ansiedade dos candidatos deve diminuir e até os professores poderão trabalhar com menos estresse, já que os conteúdos ministrados podem deixar de lado detalhes sem importância. Além disso, todos poderão passar as festas de fim de ano sem a preocupação de enfrentar as desgastantes provas da segunda etapa, que, segundo os estudos da Copeve, pouco representavam, já que as melhores notas eram dos alunos que se destacavam no Enem.

Evidentemente, o MEC pode aprimorar ainda mais o Enem. Problemas existem, como os que ocorreram na correção das redações. Contudo, espera-se que sejam minimizados e resolvidos rapidamente. Um vestibular único, em um país das dimensões do Brasil, que conta com um ensino sofrível na maioria das escolas, é um grande desafio. Por isso, as instituições de ensino devem colaborar com o aperfeiçoamento do Enem, discutindo o processo e propondo solução para os problemas. A formação dos alunos é que ganhará com isso, e, portanto, o país.

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