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terça-feira, 23 de abril de 2013

Fusão cria maior empresa de ensino do país

 
23/04/2013
Kroton e Anhanguera somam 1 milhão de alunos e R$ 13 bi em valor de mercado; operação será submetida ao CadeJoão Sorima Neto
Marcelle Ribeiro
Atuação conjunta. Campus da Unopar, da Kroton: as duas empresas de educação estão atentas a oportunidades na região Nordeste
SÃO PAULO A Kroton e a Anhanguera anunciaram ontem um acordo de fusão que cria a maior companhia de ensino privado do país e uma das maiores do mundo. Juntas, faturaram R$ 4,3 bilhões no ano passado. Com mais de 1 milhão de alunos em 835 cidades de todo o país, as duas empresas somam 123 campi de ensino superior presencial, 647 polos de ensino a distância e 810 escolas associadas em atividades relacionadas à educação básica. O valor de mercado das companhias é próximo de R$ 13 bilhões.
Entre as instituições que integram a rede mineira Kroton, que tem entre seus fundadores o ex-ministro do governo Lula Walfrido dos Mares Guia, estão a Universidade Norte do Paraná (Unopar), Faculdades Pitágoras, Unic (Universidade de Cuiabá), Unime (Universidade Metropolitana de Educação e Cultura). A rede Anhanguera - que tem origem no interior de São Paulo, onde possui várias unidades - comprou em 2011 por R$ 510 milhões a Universidade Bandeirante de São Paulo (Uniban).
A companhia que surgirá com a fusão terá 73% de sua receita líquida oriundos de cursos de ensino superior presenciais, 23% de cursos universitários na modalidade de ensino a distância e 4% de atividades relacionadas à educação básica.
Na prática, a Kroton vai incorporar a Anhanguera. Para essa incorporação, serão emitidas 198,8 milhões de novas ações da Kroton, observando a relação de troca para os acionistas da Anhanguera. Como a ação da Kroton encerrou a R$ 25,14 na sexta-feira passada, data de referência para o contrato, a transação terá um valor de R$ 4,99 bilhões.
Após a operação, o controle das empresas será mantido separado, e as ações da companhia resultante da associação pertencerão aos acionistas da Anhanguera (42,52%) e da Kroton (57,48%). Os papéis continuarão sendo negociados no Novo Mercado da BM&FBovespa.
O mercado reagiu de forma positiva à operação, que ainda depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Os papéis ON da Anhanguera subiram 7,75%, a R$ 36,80, enquanto as ações ON da Kroton tiveram alta de 8,39%, a R$ 27,25.
- O DNA das duas empresas é similar e isso é muito importante para uma fusão dar certo. Temos culturas parecidas, são duas empresas crescendo, que já tinham feito suas aquisições - disse Rodrigo Galindo, CEO da Kroton, que será o diretor-presidente da nova empresa.
Ricardo Scavazza, atual presidente-executivo da Anhanguera, que se tornará integrante do conselho de administração da nova empresa, também destacou os aspectos favoráveis da operação:
- Há uma complementaridade geográfica entre as duas companhias. A Anhanguera é líder nos estados de São Paulo, Mato Grosso do Sul, Goiás, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. A Kroton está presente no Mato Grosso, Minas Gerais, Bahia, Santa Catarina e Paraná.
Segundo os executivos das empresas, as duas companhias possuem pouca sobreposição nas cidades em que atuam, o que pode influenciar favoravelmente na decisão do Cade.
- Das 80 cidades onde atuamos no ensino presencial, só em quatro cidades existem operações da Anhanguera e também da Kroton. Isso é muito pouco. Nos polos de ensino a distância, só em 10% existe sobreposição. Essas informações nos dão segurança e conforto para acreditar na aprovação - afirmou Galindo.
MERCADO AQUECIDO
O anúncio do negócio ocorre num momento aquecido para fusões e aquisições no setor de educação no país, diante da ascensão social de milhões de brasileiros e aumento da renda. Recentemente, a Abril Educação anunciou a compra das escolas de línguas estrangeiras Wise Up. Segundo Galindo, ainda há muito espaço para expansão no mercado educacional no país.
- Existem menos pessoas escolarizadas com nível superior na região Nordeste, o que indica que o potencial de mercado é maior nessa região. Estamos atentos a esse tipo de informação
- Para a Kroton, a vantagem do negócio é que ela ficará exposta ao mercado de São Paulo, um dos mais importantes e cobiçados - diz a analista Beatriz Nantes, da Empiricus Research/Investmania.
No ano passado, o lucro líquido da Kroton foi de R$ 278 milhões, enquanto a Anhanguera teve um lucro líquido de R$ 152 milhões.

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