Carlos Lordelo, do Estadão.edu, e
Paulo Saldaña, de O Estado de S. Paulo - O Estado de São
Paulo - 18/02/2013 - São Paulo, SP
As universidades
estaduais de São Paulo - USP, Unicamp e Unesp - já
encaminharam às unidades de ensino o projeto de cotas desenhado
pelos reitores e o governo estadual. Mesmo sem um calendário claro
de participação, a ideia é abrir o debate com os
professores antes de o projeto chegar aos Conselhos Universitários,
que baterão o martelo sobre a aceitação ou não
do plano.
Batizado de
Programa de Inclusão com Mérito no Ensino Público
Paulista (Pimesp), o projeto propõe alcançar, em três
anos, 50% das matrículas em cada curso e em cada turno de estudantes
de escolas públicas, sendo 35% pretos, pardos e indígenas.
Parte das vagas seria preenchida por alunos que passariam por um college,
curso semipresencial de dois anos.
A proposta que
começa a ser debatida nas unidades estipula metas graduais já
a partir do próximo vestibular. E, para começar a valer em
2014, os Conselhos Universitários, instâncias máximas
das instituições, precisam deliberar ainda no primeiro
semestre.
A reitoria da USP
encaminhou um material para fundamentar o debate nas unidades em 28 de
janeiro. Os professores têm até 28 de março para
entregar uma resposta.
Sem citar a
palavra cota, o documento apresenta dados sobre acesso de alunos de escolas
públicas ao ensino superior, mostrando como os mais pobres
são minoria nas universidades. Mas não traz nada sobre a
realidade na própria universidade, como a presença desses
alunos em cursos como Medicina.
Em um dos
tópicos, indica que `a renda familiar é fator mais
determinante do que a cor para o acesso ao ensino superior`. Apesar disso,
o critério de renda não é contemplado no projeto -
como ocorre na lei federal.
Caminho. Na Escola
Politécnica da USP, o material será analisado pelos 15
departamentos antes da discussão na Congregação,
marcada para março.
`Não
é todo mundo que se engaja. Só quem está antenado com
o impacto político da escola (na USP)`, diz o diretor da Poli,
José Roberto Cardoso.
Havia a
preocupação em algumas unidades de que o projeto seria
imposto. No Instituto de Química, por exemplo, os professores
chegaram a encaminhar moção pedindo ao reitor que enviasse o
projeto para análise ainda em dezembro.
Na Faculdade de
Medicina, o assunto só era conhecido pelo que saiu na imprensa.
`Protocolei requisição para que o projeto seja debatido na
próxima Congregação, em março`, diz o professor
Paulo Saldiva.
No câmpus de
Ribeirão Preto, haverá debate entre alunos e o tema entra na
pauta da Congregação da Faculdade de Economia e
Administração já no dia 27. `Toda a comunidade
acadêmica deve se envolver`, afirma o diretor da unidade, Sigismundo
Bialoskorski Neto.
O debate nas
unidades ocorrerá na Unicamp até abril. Em seguida segue para
o Conselho Universitário. Na Unesp, o projeto já está
nas faculdades e deve ser analisado na primeira reunião do conselho,
no dia 28.

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