Segundo a
APLB Sindicato, o governador Jaques Wagner acordou com o grupo um aumento para
todos os níveis, e que este deveria ser da mesma porcentagem. Entretanto, teria
ordenado o aumento unicamente aos professores que ganhavam menos
Fonte: Terra
Nesta sexta-feira, a greve dos
professores da Rede Estadual de Ensino da Bahia completa um mês. Apesar da
longa duração do movimento, trabalhadores e Governo do Estado parecem estar bem
longe de um acordo que devolva as aulas a um contingente de 1,1 milhão de
alunos, distribuídos em 1.141 escolas.
No dia 13 de abril, os docentes
invadiram a Assembleia Legislativa e estão acampados no local até hoje. Eles
tentavam impedir a aprovação do projeto de lei que concedia aumento de 22,22%
para adequar ao piso nacional apenas o salário dos professores de nível médio.
O objetivo foi frustrado com a aclamação da proposta pelos deputados estaduais
e, depois disto, não houve mais diálogo entre as duas partes.
Todo o impasse reside no fato de
que, segundo a APLB Sindicato, que representa a categoria, o governador Jaques
Wagner acordou com o grupo um aumento para todos os níveis, e que este deveria
ser da mesma porcentagem. Entretanto, teria ordenado o aumento unicamente aos
professores que ganhavam menos. O governo sustenta que os professores baianos
ganham acima do piso nacional já há tempos e não têm do que reclamar quanto a
reajustes, uma vez que os salários receberam reforços de 29% nos anos em que os
petistas estão no poder.
O líder do governo na Assembleia,
Zé Neto (PT), explica que o acordo que o governo fez com a APLB é tão somente
um reajuste com base no Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) e que
este está sendo cumprido. Com a ordem federal de aumento de 22,22% no piso este
ano, ele alega que apenas os professores médios tinham a necessidade de ajuste.
Hoje, um professor na Bahia ganha o salário mínimo de R$ 1.659, superior ao de
R$ 1.441 proposto pelo Governo Federal. Não haveria, porém, verbas para arcar
com os 22,22% para todos os níveis.
A Justiça decretou a greve ilegal
logo após seu início, e o governo cortou o ponto dos grevistas por orientação
da Procuradoria Geral do Estado. A maioria dos professores teve o salário
zerado, além também perderem o direito ao Plano de Saúde dos Servidores
Estaduais (Planserv) e a possibilidade de contrair empréstimos. Diante destas
ações, a diretora da APLB Marilene Betros diz que o balanço que a categoria faz
da greve até o momento é de tristeza e decepção.
"Nós lamentamos que a greve
demore tanto sem que o Governo do Estado abra o diálogo e negocie com a
categoria. Nós temos um acordo de 2011 com o governador que não foi cumprido e,
em vez disso, somos recebidos com um corte de salários de uma categoria que é
essencialmente feminina exatamente no mês do Dia das Mães. Muitas destas
mulheres são arrimos de família e, com este corte, os sustentos de muitas delas
foram ceifados", lamenta a professora.
Marilene alega que a categoria só
poderá pensar em flexibilizar as reivindicações caso conheça a situação
financeira do Estado em relação à educação. "Não podemos negociar sem que
o governo nos exponha a sua situação, que seja transparente. O que é feito do
dinheiro do Fundeb? Vinte e cinco por cento da verba do Estado tem que ser
usada na Educação. Onde está este dinheiro?", questiona.
Diante da falta de contato com a
administração pública, a diretora sindical diz que não pode prever por quanto
tempo a greve pode durar. Ela pediu à sociedade civil que ajude e pressione o
governo petista para que abra negociações em busca de não penalizar os
estudantes. "Não dá para manter esse clima de queda de braço, de birra.
Entendo que a educação é política por definição, mas que não seja esta política
de que o governo acha que tem que derrotar o sindicato. Vamos encontrar um
denominador comum."
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