Professores
interrompem as aulas de 1,3 milhão de alunos da rede estadual. Governo promete
dar resposta às reivindicações até o dia 27
Fonte: Gazeta do Povo (PR)
Os professores do Paraná se
uniram ontem ao movimento nacional em defesa do piso salarial do magistério
fixado em R$ 1.451 pelo Ministério da Educação (MEC) para profissionais com
ensino médio e jornada de 40 horas. Segundo a Confederação Nacional dos
Trabalhadores em Educação (CNTE), as paralisações iniciadas na quarta-feira
e previstas para terminar hoje ocorreram em 25 estados. Aproximadamente 1,3
milhão de alunos da rede estadual de ensino no Paraná ficaram sem
aulas por causa da greve. Hoje, as Escolas do estado voltam a funcionar
normalmente.
Em Curitiba, apesar da chuva, uma
passeata reuniu 6 milpessoas. Os manifestantes caminharam até o Palácio Iguaçu,
onde foram recebidos pelo secretário de Educação do Paraná e vice-governador
Flávio Arns. Ele recebeu as reivindicações do Sindicato dos Trabalhadores em
Educação Pública do Paraná (APP-Sindicato) e se comprometeu a apresentar
respostas aos pedidos até o próximo dia 27. Acordo
DOCENTES DE CURITIBA SUSPENDEM
PARALISAÇÃO
Os professores de Escolas
municipais de Curitiba suspenderam a greve iniciada na quarta-feira. Em
assembleia realizada no Sindicato do Magistério Municipal de Curitiba
(Sismmac), os manifestantes decidiram esperar o resultado de outras duas mesas
de negociação com a prefeitura que serão realizadas amanhã e na próxima
quarta-feira.
“No dia 21, faremos uma última
reunião com a prefeitura sobre o reajuste salarial. Até lá estamos em ‘estado
de greve’. Depois desse encontro, levaremos as propostas apresentadas a uma
assembleia para chegar a uma decisão final”, explicou Gabriel Conte, um dos
diretores do Sismmac.
No segundo dia de protestos, 36%
dos 9,6 mil docentes de Escolas de ensino fundamental não foram trabalhar. Já
nas instituições de Educação infantil, apenas 35 professores aderiram à greve e
quatro das 183 Centros Municipais de Educação Infantil fecharam, segundo a
prefeitura.
Os professores querem que o piso
salarial de R$ 1.199,64 pago pela prefeitura a docentes com curso superior em
uma jornada de 20 horas seja aumentado para R$ 1.800. A prefeitura anunciou em
29 de fevereiro que vai aumentar esse valor para R$ 1.319,90, mas os
sindicalistas consideram o reajuste insuficiente. (DD)
No Paraná, professores com curso
superior recebem R$ 1.748,06 para uma jornada de 40 horas. O piso oficial para
quem tem apenas ensino médio é de R$ 1.233,62, mas, como não há concurso no
Estado para esse plano de carreira há mais de 20 anos, nenhum professor recebe
mais esse salário, segundo a Secretaria de Educação. Mesmo assim, a APP quer
que o governo adote o reajuste de 22,22% aplicado ao piso nacional a todos os
docentes.
Os professores no Paraná também
pedem que um terço do tempo de trabalho possa ser utilizado na preparação e
pesquisa para a elaboração das aulas, como está previsto na Lei do Magistério –
hoje o porcentual do estado é de apenas 20%. Os manifestantes exigem ainda
melhorias no atendimento do Serviço de Assistência à Saúde (SAS), mudanças no
plano de cargos e salários e que 10% do Produto Interno Bruto (PIB) sejam
investidos em Educação.
MANIFESTANTES
Acampada em frente ao Palácio
Iguaçu desde ontem, a professora de Geografia Irene Grockotzki, 50 anos,
disse que um dia de greve é pouco. “A gente tinha de continuar com essa
mobilização. O governo já sabe o que a gente quer e esperar mais ainda é perda
de tempo”, reclamou, ao lado dos sete cartazes que produziu para a
manifestação. Um deles criticava o ensino integral, dizendo que o turno
integral desafia a lei da Física. “Temos alunos de dois turnos ocupando o mesmo
espaço, tem gente tendo aula em cantina, em corredor, sem falar que nem cancha
coberta nós temos no Jardim Karla, em Pinhais”, acrescentou.
Já a professora aposentada e
integrante da APP-Sindicato, Maria Adelaide Mazza Correia, pensa que o momento
é de paciência. “Nossas questões estão sendo trabalhadas e temos de ter jogo de
cintura, pois assim estamos avançando”, disse.
"MEC PRECISA SER MAIS
ATIVO", DIZ SECRETÁRIO
Diante do levantamento da Associação
dos Municípios do Paraná (AMP), divulgado na quarta-feira, que mostrou que 65%
das prefeituras do estado não conseguem pagar o piso nacional do magistério,
o secretário de Educação e vice-governador Flávio Arns afirmou que falta ao
Ministério da Educação (MEC) maior comprometimento com a questão.
“O MEC está muito alheio e omisso
e tem de ser mais ativo nesse processo, porque é um debate nacional com
estados e municípios”, afirmou. Arns disse ter discutido o assunto com o
ministro da Educação, Aloizio Mercadante, com quem se encontrou durante uma
reunião do Conselho Nacional dos Secretários de Educação em Natal (RN), na
semana passada.
O vice-governador disse que foram
apresentadas ao ministro ideias de como mais recursos da União podem ser
destinados à Educação. “O Brasil arrecada impostos e contribuições, mas só se
dividem os impostos com estados e municípios e as contribuições ficam com o
governo federal. Pedimos 10% dessa arrecadação para a Educação para o Brasil
inteiro e a melhora do Fundeb”, disse.
Sobre a paralisação dos
professores no Paraná, Arns afirmou que o governo precisa estudar a melhor
forma de atender as reivindicações dos professores, não só em relação ao
reajuste salarial, mas também sobre outras questões, como o plano de saúde dos
professores e a hora-atividade.
“Entendemos que o atendimento à
saúde do professor tem de ser de qualidade. Alcançar o previsto em lei para a
hora-atividade também é importante. O professor deve ter horário livre para
corrigir provas, fazer cursos, conversar com alunos e pais. No Paraná já temos
no mínimo 20% de horas para os professores fora de sala, a lei diz que tem de
ser um terço, 33%, então estamos discutindo como aplicar”, disse.
Arns também acredita que a
convocação de 2.047 professores, além dos 9,5 mil que foram chamados há um mês,
irá ajudar a resolver esse problema.
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