| 05/05/2013 | |
Os pequenos alunos e seus grandes desafios
Até 2016, toda criança com 4 anos deve estar matriculada, obrigatoriamente, na escola. A mudança da legislação trouxe à tona um problema crônico enfrentado pela maioria das cidades pernambucanas e do Brasil: a falta de vagas. O JC percorreu quatro dos 14 municípios do Grande Recife onde é maior a urgência por pré-escolas. De hoje até terça, a repórter Marcela Balbino mostra a situação de crianças que têm o direito ao estudo negado. Confira hoje a realidade de Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes. Amanhã leia sobre o índice de Ipojuca, superior ao brasileiro.
Camilly dos
Santos, 4 anos, Daniel Muniz, 5, e Larissa Pereira, 5, são o retrato do
desafio que Recife, Jaboatão dos Guararapes e Olinda terão que enfrentar
até 2016 para universalizar a educação infantil e garantir a pré-escola
a partir dos 4 anos. Hoje, o trio figura na indesejável lista dos
sem-escola. Alguns, por descuido dos pais, outros, por deficiência do
município. Os caminhos não importam. A preocupação é buscar alternativas
para inseri-los na rede de ensino. Camilly é uma das 3.624 crianças do
Recife, entre 4 e 5 anos, que já passaram da idade para ser aceita nas
creches. Não encontra escola. Daniel simboliza outros 2.379 fora do
colégio, em Jaboatão. Já Larissa é uma das 1.123 crianças invisíveis de
Olinda. A prefeitura tem o desafio de encontrar e acolher.No Brasil,
quase 20% das crianças nessa faixa etária estão fora da escola, segundo o
Movimento Todos pela Educação. Pelos cálculos do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) há carência de 1.050.560 vagas. No
Grande Recife precisam ser criadas, em média, 11 mil vagas. Uma em cada
cinco crianças brasileiras entre 4 e 5 anos de idade não encontra lugar
na pré-escola.
No Recife, a garçonete Camila Pereira, 21, mãe de Camilly, busca há cinco meses um colégio para a pequena. "Já visitei seis unidades e não consegui nada." Na Escola do Dom, na Várzea, um dos lugares procurados por Camila, há lista de espera com mais de 30 nomes, afirma a vice-diretora, Quelcilene de Souza. "Não tenho como matricular tantas crianças. Seria irresponsabilidade, pois as salas são pequenas e se estiverem cheias o ensino fica comprometido."
Além da falta de vagas, os gestores terão de travar outras batalhas nos próximos quatro anos. O mandato acaba no mesmo período em que a lei começa a vigorar. O que se encontra hoje são pré-escolas em lugares precários ou improvisados, onde as diretrizes definidas pelo MEC são ignoradas. São salas lotadas, sem espaço para recreação e mobiliário desgastado. Os profissionais precisam fazer malabarismos para garantir educação com os recursos escassos.
A decisão para adiantar a matrícula - antes da mudança, os pais eram obrigados a matricular os filhos aos 6 anos - é resultado de pesquisas apontando que nessa etapa da vida deve ser priorizada a socialização. "A criança vai para a escola e começa a partilhar espaços e a ter disciplina. Ela reconhece o professor como alguém a quem deve obedecer", afirma Andrea Bergamaschi, gerente de Projetos do Movimento Todos Pela Educação. Acredita-se também que o ensino a partir dessa idade traz benefícios para toda vida escolar. Com a mudança, o aluno chegará ao 1º ano, período da alfabetização, mais familiarizado com o colégio e com a rotina consolidada.
A situação de Jaboatão não é muito diferente da capital. Em média 12% das crianças entre 4 e 5 anos nunca frequentaram a escola. No habitacional Olho d? Água, em Cajueiro Seco, a preocupação do pequeno Daniel é não perder a partida de bolinha de gude, que disputa com os vizinhos, alheio aos livros de história, lápis de cor ou à massa de modelar. De família humilde, é o único dos sete filhos da doméstica Edjane Maria da Silva, 38, fora da escola. "Consegui matricular todos, mas para o menor disseram que as turmas estavam cheias. A previsão é que apareça algum lugar no segundo semestre."
Além da responsabilidade municipal de garantir a vaga, a Lei 12.796 prevê a penalização dos pais que não matricularem os filhos. Em uma área rural de Olinda, no bairro de Ouro Preto, Heide Pereira cria oito filhos. Quatro deles estudam, mas duas meninas, Larissa, 4, e Thainá, 7, estão fora da escola. Segundo a mãe, elas não vão à escola porque faltam vagas.
O argumento é rebatido pela cunhada, a professora Eunice Lopes, 36. Ela também tem dois filhos, Cauã, 8, e Cauê, 4, e os dois estudam. Segundo Eunice, o que falta, às vezes, é interesse. "Muita gente alega falta de escola, mas não se deve cobrar apenas do prefeito, porque, antes de tudo, educação começa em casa." Questionada se havia recorrido ao Conselho Tutelar, Heide disse que sabia da possibilidade de acioná-lo, mas não teve tempo.
No Recife, a garçonete Camila Pereira, 21, mãe de Camilly, busca há cinco meses um colégio para a pequena. "Já visitei seis unidades e não consegui nada." Na Escola do Dom, na Várzea, um dos lugares procurados por Camila, há lista de espera com mais de 30 nomes, afirma a vice-diretora, Quelcilene de Souza. "Não tenho como matricular tantas crianças. Seria irresponsabilidade, pois as salas são pequenas e se estiverem cheias o ensino fica comprometido."
Além da falta de vagas, os gestores terão de travar outras batalhas nos próximos quatro anos. O mandato acaba no mesmo período em que a lei começa a vigorar. O que se encontra hoje são pré-escolas em lugares precários ou improvisados, onde as diretrizes definidas pelo MEC são ignoradas. São salas lotadas, sem espaço para recreação e mobiliário desgastado. Os profissionais precisam fazer malabarismos para garantir educação com os recursos escassos.
A decisão para adiantar a matrícula - antes da mudança, os pais eram obrigados a matricular os filhos aos 6 anos - é resultado de pesquisas apontando que nessa etapa da vida deve ser priorizada a socialização. "A criança vai para a escola e começa a partilhar espaços e a ter disciplina. Ela reconhece o professor como alguém a quem deve obedecer", afirma Andrea Bergamaschi, gerente de Projetos do Movimento Todos Pela Educação. Acredita-se também que o ensino a partir dessa idade traz benefícios para toda vida escolar. Com a mudança, o aluno chegará ao 1º ano, período da alfabetização, mais familiarizado com o colégio e com a rotina consolidada.
A situação de Jaboatão não é muito diferente da capital. Em média 12% das crianças entre 4 e 5 anos nunca frequentaram a escola. No habitacional Olho d? Água, em Cajueiro Seco, a preocupação do pequeno Daniel é não perder a partida de bolinha de gude, que disputa com os vizinhos, alheio aos livros de história, lápis de cor ou à massa de modelar. De família humilde, é o único dos sete filhos da doméstica Edjane Maria da Silva, 38, fora da escola. "Consegui matricular todos, mas para o menor disseram que as turmas estavam cheias. A previsão é que apareça algum lugar no segundo semestre."
Além da responsabilidade municipal de garantir a vaga, a Lei 12.796 prevê a penalização dos pais que não matricularem os filhos. Em uma área rural de Olinda, no bairro de Ouro Preto, Heide Pereira cria oito filhos. Quatro deles estudam, mas duas meninas, Larissa, 4, e Thainá, 7, estão fora da escola. Segundo a mãe, elas não vão à escola porque faltam vagas.
O argumento é rebatido pela cunhada, a professora Eunice Lopes, 36. Ela também tem dois filhos, Cauã, 8, e Cauê, 4, e os dois estudam. Segundo Eunice, o que falta, às vezes, é interesse. "Muita gente alega falta de escola, mas não se deve cobrar apenas do prefeito, porque, antes de tudo, educação começa em casa." Questionada se havia recorrido ao Conselho Tutelar, Heide disse que sabia da possibilidade de acioná-lo, mas não teve tempo.
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