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06/04/2013 |
Falta creche para família sem empregada
DÉFICIT O Brasil precisa de mais 12 mil unidades para atender demanda. Em Pernambuco, são necessárias pelo menos 5.300 vagasAs novas regras para o serviço doméstico colocam em xeque a oferta de creches no País. As famílias sem condições de contratar uma empregada encontram um Estado desaparelhado para atender a demanda de educação infantil. A estimativa é que o déficit brasileiro seja de 12 mil creches. A presidente Dilma Rousseff prometeu a construção de 6 mil unidades até o final de seu mandato, mas os projetos são desengavetados lentamente. No Recife, o déficit é de 5.300 matrículas só na faixa etária entre 4 e 5 anos.A situação brasileira é diferente dos países desenvolvidos, que aboliram o trabalho doméstico mas disponibilizaram uma infraestrutura de instituições integrais de educação infantil e creches. O diplomata pernambucano Alberto da Costa Lima conta sua experiência na França. Em 2007, ele assumiu o cargo de administração da Embaixada Brasileira em Paris. Saiu do Brasil levando os gêmeos Pedro e João, que na época estavam com quatro meses de vida.
"Não conseguimos vaga nas creches porque minha esposa não tinha um trabalho fixo e ficou configurado que ela poderia ficar em casa cuidando dos nossos filhos. Mas quando eles completaram 3 anos puderam ingressar numa escola pública de tempo integral", conta. Lima lembra que durante os 5 anos que viveu no país, nenhum de seus amigos ou vizinhos teve empregada doméstica. Ele diz que só os muito ricos gozavam desse luxo. "As empregadas recebiam o salário mínimo padrão em Paris que era de 1.300, além dos pesados encargos sociais", observa.
O custo proibitivo do trabalho doméstico fez com que o país se aparelhasse para acolher os filhos das famílias economicamente ativas. A França tem o maior índice de natalidade entre os países da Europa Central e as mulheres se inscrevem para conseguir uma vaga nas creches ainda enquanto estão grávidas. As creches particulares custam entre 1 mil e 1,5 mil por mês para um curto período das 8h às 15h. O serviço de diarista também não é barato. O trabalho é calculado por hora e cada preciosos 60 minutos podem custar de 20 a 30. A França também desenvolveu o modelo de cuidadoras profissionais. São pessoas que cadastram suas casas para atender a um número pequeno de cinco a dez crianças.
O secretário Executivo de Infraestrutura da Prefeitura do Recife, Antônio Vasconcelos, diz que a gestão consegue atender 80% da demanda municipal. São 53 creches e 16 Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis), que este ano matricularam 16.129 alunos de 0 a 5 anos. "Até o final da gestão, em 2016, nossa meta é construir 42 Cmeis, com investimento de R$ 78 milhões. Isso resolveria o déficit de 5.300 matrículas que temos hoje", destaca. O Cmeis é uma creche mais moderna, com uma infraestrutura melhor. As unidades funcionam das 7h às 17h e oferecem berçário, lactário, restaurantes e estrutura de lazer e saúde. Os equipamentos demoram até dois anos para serem construídos. "Seguindo uma determinação do governo Federal vamos adotar um novo modelo construtivo, com o uso de pré-moldados, que vai reduzir o tempo para sete meses", diz.

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