Yara Aquino - Agência Brasil -
16/02/2013 - Brasília, DF
Os prefeitos que
assumiram o cargo no início deste ano terão um desafio a
cumprir até o fim do mandato, em 2016: universalizar a
pré-escola. A matrícula de todas as crianças na faixa
etária de 4 a 5 anos tornou-se obrigatória em 2009. O prazo
final foi fixado para 2016 e a responsabilidade recai sobre os
municípios aos quais cabe a educação infantil.
O desafio dos
prefeitos será garantir vagas para as crianças na rede
pública. Alguns municípios, entretanto, não têm
unidades suficientes e precisarão construir novos prédios.
Além disso, virão mais gastos com os profissionais
contratados e a manutenção das novas
instalações.
Os dados mais
recentes do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE)
indicam que, em 2010, havia 1.154.572 crianças na faixa de 4 a 5
anos fora da escola. A matrícula na pré-escola, no entanto,
avançou na última década. Em 2000, 51,4% das
crianças nessa faixa etária tinham acesso à
educação, patamar que saltou para 80,1% em 2010.
Há pouco
mais de um mês exercendo o mandato de prefeito de Araguapaz,
município goiano com 8,5 mil habitantes, Fausto Luciano antecipa que
será difícil cumprir a meta sem mais recursos do governo
federal. “Hoje é quase impossível. Os recursos do
Fundeb [Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da
Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação] são escassos. Com os
recursos de que dispomos hoje, será preciso existir algo mais
até 2016 para que isso seja implementado. É um desafio para
os gestores que estão entrando agora”, disse Luciano.
As prefeituras
recebem apoio federal por meio do Programa Nacional de
Reestruturação e Aquisição de Equipamentos para
a Rede Escolar Pública de Educação Infantil
(ProInfância). O objetivo é financiar a
construção de unidades de educação infantil
para atender a crianças de até 5 anos, faixa etária da
creche à pré-escola.
Pelo programa, a
prefeitura providencia o terreno e o Ministério da
Educação (MEC) financia a construção, os
equipamentos e o mobiliário. A meta do atual governo é
construir 6 mil novas creches e pré-escolas até 2016. Dados
do MEC indicam que 742 unidades de educação infantil foram
entregues nos dois primeiros anos de gestão da presidenta Dilma
Rousseff e cerca de 5,6 mil estão em construção.
Mesmo assim,
alguns gestores se preocupam com o custo da manutenção.
É o caso do prefeito de Cachoeira Grande, no Maranhão,
Francivaldo Souza. “Estamos construindo uma creche, mas, para fazer
funcionar, temos que ter a ajuda do governo federal. Não falo
só nos equipamentos, mas também da
manutenção”, disse ele.
A
secretária municipal de Educação de Colinas, no
Tocantins, Odaléa Sarmento, considera a meta ambiciosa e acredita
que uma alternativa seria apoiar a ampliação dos
prédios municipais. “Os municípios têm
prédios com infraestrutura de escola de ensino fundamental. Temos
que adaptar esses ambientes para a educação infantil, para
essa faixa etária”. Ela também defende que o governo do
estado assuma a responsabilidade pela etapa final do ensino fundamental,
para que os municípios concentrem esforços na
educação infantil.
Embora a
questão financeira seja a mais citada entre as dificuldades a serem
superadas, a diretora executiva do movimento Todos pela
Educação, Priscila Cruz, aponta que a gestão nos
municípios terá importância fundamental para viabilizar
a infraestrutura e contratação de profissionais para a
universalização da pré-escola até 2016.
“Se a gestão e a implementação não forem
muito rigorosas e competentes, no espaço de quatro anos, não
se dá conta de colocar em pé toda a estrutura
necessária para garantir vagas para essas crianças
todas.”
A inclusão
do pré-escolar ocorreu por emenda à
Constituição. Antes da mudança, o ensino fundamental
era a única fase escolar obrigatória no Brasil. Desde
então, o ensino passou a ser obrigatório dos 4 aos 17 anos,
abrangendo a pré-escola, o ensino fundamental e o médio.
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