PESQUISA

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

"Pressionado, Haddad recua de mudança na previdência de servidores"

Fonte: Estadão Política
25 de agosto de 2016


Segundo o prefeito, que tenta a reeleição, o recuo em relação à Sampaprev foi motivado pela ameaça do Sindicato dos Profissionais em Edicação do Ensino Municipal (Sinopeen) de deflagrar uma paralisação a partir de amanhã.

Ricardo Galhardo,
O Estado de S. Paulo

Pressionado pela possibilidade de greves de servidores às vésperas da eleição municipal, o prefeito de São Paulo, Fernando Hadad (PT), candidato à reeleição fez acenos ao funcionalismo. 
Na manhã desta quinta-feira, 25, em debate promovido pelo Sindicato dos Especialistas em Educação do Ensino Municipal, o prefeito anunciou a retirada do projeto de lei que prevê a criação da Sampaprev, o regime de previdência privada do funcionalismo, e a criação de 96 cargos efetivos de supervisão em escolas municipais.
Segundo Haddad, o recuo em relação à Sampaprev foi motivado pela ameaça do Sindicato dos Profissionais em Edicação do Ensino Municipal (Sinopeen) de deflagrar uma paralisação a partir de amanhã.
A criação da Sampaprev é rejeitada por grande parte dos 155 mil servidores municipais que temem perder direitos com o novo regime previdenciário.
Na semana passada Haddad acusou o presidente do Sinpeen, Claudio Fonseca, de fazer uso político da paralisação. Fonseca é filiado ao PPS, que apoia o candidato tucano à Prefeitura, João Doria. Segundo o prefeito, o projeto de lei foi apresentado para cumprir uma exigência do Ministério da Previdência.
Neste quinta-feira Haddad mudou o discurso, disse ter conversado com o presidente do sindicato e combinado fazer um “gesto” para impedir a paralisação marcada para sexta-feira e deixar o debate para depois das eleição. De acordo com o prefeito, o foco tanto do sindicato quanto da prefeitura é barrar a PEC 241, apresentada pelo presidente em exercício Michel Temer, que cria um teto de despesas para o governo federal e deve reduzir as verbas para educação. 
“Continua sendo uma exigência do Ministério da Previdência mas durante o período eleitoral nós não queremos confundir com o que nos interessa que é barrar a PEC 241. Não vamos nos dividir em um momento tão delicado da vida nacional”, explicou Haddad. “Ele (Fonseca) falou que se (a prefeitura) fizer o gesto de adiar essa discussão para um momento mais oportuno (o sindicato) vai considerar”, completou Haddad. 
Além disso o prefeito prometeu criar 96 cargos de supervisão na rede pública de ensino. Segundo ele o projeto de lei já está pronto e deve ser apresentado logo depois da eleição. Hadad negou que a criação dos cargos seja uso eleitoral da máquina pública. 
“Como a rede expandiu muito, na semana que vem vamos celebrar mais de 400 creches abertas, precisa de um trabalho de supervisão. Havia dúvida se eu podia encaminhar em ano eleitoral e chamar os diretores concursados. O Jurídico entendeu que eu posso. Não há impacto orçamentário porque vamos substituir temporário por concursado”, justificou o prefeito.

"Projeto estabelece políticas para inclusão de alunos com distúrbios, transtornos e dificuldades"

Fonte: Agência Câmara
25 de agosto de 2016

A Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 5289/16, do deputado João Derly (Rede-RS), que estabelece políticas educacionais com vistas à permanência na escola e ao sucesso escolar dos alunos com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem.
De acordo com o texto, o Poder Público, para aperfeiçoar a política educacional brasileira dos sistemas públicos de ensino, conferirá a necessária atenção aos seguintes aspectos, entre outros:
  • Alex Ferreira / Câmara dos Deputados
    Subcomissão Especial do Plano Nacional do Desporto. Mesa Redonda: A proposta do Plano Nacional do Desporto, no âmbito da Subcomissão. Dep. João Derly (REDE-RS)
    Derly: "Objetiva-se que educação regular não olvide e deixe na indefinição e/ou exclusão da atuação pedagógica alunos que, por falta de diagnóstico, não consigam transpor as barreiras no processo de ensino e aprendizagem"
    planejamento para o favorecimento do desenvolvimento e aprendizagem do aluno, levando-se em conta as necessidades educacionais especiais de cada um, voltadas para a permanência e o sucesso escolar de alunos com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem;
  • formação continuada de professores para identificação precoce e desenvolvimento de abordagem pedagógica especializada para crianças e adolescentes com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem;
  • difusão entre todos os demais profissionais e áreas da educação do conhecimento sobre os distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem, sua detecção e encaminhamento para tratamentos especializados;
  • conscientização da necessidade de combate contínuo à exclusão ou estigmatização dos alunos com distúrbios, transtornos e/ou dificuldades de aprendizagem;
  • envolvimento dos familiares no processo de atendimento das necessidades específicas para o desenvolvimento das habilidades escolares e os desafios do ato de aprender.
Conforme o projeto, as despesas com a execução das medidas correrão por conta das dotações orçamentárias próprias, suplementadas se necessário.
Educação inclusiva
O autor do projeto destaca que a ideia é “propiciar que o papel dos agentes educacionais seja o de possibilitar intervenções na questão dos problemas de aprendizado escolar”.
“Ao ato de educar, caberia o olhar sobre o processo educativo global em oposição à rotulação do aluno, indicando possíveis intervenções e acompanhamentos; assim como aos familiares caberia a credibilidade do saber e do conhecimento que a escola desenvolve com seus filhos, co-participando dos desafios do ato de aprender”, disse. “Assim, a educação inclusiva corresponderá efetivamente ao seu papel”, complementou o parlamentar.
Tramitação
De caráter conclusivo, a proposta será analisada pelas comissões de Seguridade Social e Família; de Educação; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

ÍNTEGRA DA PROPOSTA:

Reportagem - Lara Haje
Edição - Marcia Becker

"Em Alagoas, educadores entram com ação no STF contra lei que pune professor"

Fonte: Uol Educação
25 de agosto de 2016

A Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) protocolou no Supremo Tribunal Federal (STF) uma ação contra a Lei 7.800/2016, de Alagoas. Conhecida como "lei da Escola Livre", ela impede que os professores da educação estadual manifestem opiniões dentro da sala de aula, prevendo a "neutralidade política, ideológica e religiosa" do espaço.
Para a CNTE, a lei apresenta problemas desde a proposta de seu projeto: como a norma afeta o regime jurídico de servidor público e as atribuições da Secretaria de Educação, ela deveria ter sido proposta pelo governador, e não por um deputado estadual, como foi o ocorrido.
Além disso, a confederação alega que a lei restringe a liberdade de docência, "exigindo uma neutralidade política de impossível realização", colocando os professores "em posições delicadas antes as diversas interpretações e falhas humanas de terceiros, que terão direito de abrir processos e exigir punições em caso de ausência dessa 'neutralidade', da suposta 'prática de doutrinação' e do 'induzimento'".
No início do ano, a lei chegou a ser rejeitada pelo governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), mas seu veto foi derrubado pela Assembleia Legislativa. Outra ação, que contesta a inconstitucionalidade da norma, aguarda julgamento no Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL).

Entenda a polêmica

De autoria do deputado Ricardo Nezinho (PMDB), o projeto Escola Livre defende a "neutralidade do ensino", vedando uma suposta "prática de doutrinação política e ideológica em sala de aula" e a veiculação de conteúdos "que possam induzir os alunos a um único pensamento religioso, político ou ideológico." 
Em novembro do ano passado, a lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa de Alagoas por unanimidade. Em janeiro, o governador a vetou integralmente, alegando inconstitucionalidade. Os deputados, no entanto, decidiram em votação pela derrubada do veto e promulgaram a lei.
O Ministério da Educação (MEC) encaminhou em maio à Advocacia-Geral da União (AGU) uma série de argumentos justificando a inconstitucionalidade da lei. Em resposta, a AGU recomendou a suspensão da norma, afirmando haver uma "invasão da competência legislativa da União para dispor sobre normas gerais de educação".

"Alunos protestam contra 'Escola sem Partido' na Alesp"

Fonte: Estadão Educação 
25 de agosto de 2016 

Estudantes da rede estadual de São Paulo fizeram uma encenação de como seria uma aula se o projeto for aprovado no Estado

SÃO PAULO - Estudantes realizaram na tarde desta quinta-feira, 25, um protesto na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) contra o programa do grupo Escola sem Partido, que restringe a liberdade de cátedra e prevê a criação de canais de denúncia e a instalação de cartazes nas escolas para impedir que professores expressem opiniões políticas e religiosas em sala de aula. 
No Estado, foram apresentados dois projetos de lei pelos deputados Luiz Fernando Machado (PSDB) e José Bittencourt (PSD) - em projetos diferentes, mas com textos iguais - para a introdução do programa. No último dia 16, os dois projetos foram rejeitados pela Comissão de Educação da Alesp, mas ainda podem seguir para votação em plenário. 
Um grupo de oito estudantes da rede estadual de São Paulo, que participam do grupo teatral Satyros Teens, fizeram uma encenação em frente à assembleia sobre como seria uma aula se o projeto for aprovado no Estado. Os jovens chamaram o projeto de "lei da mordaça".
00:00
02:52
Estudantes protestam contra o projeto 'Escola sem Partido'
"É um projeto que vai censurar a escola, não vai permitir a formação de cidadãos. A boa escola é aquela que dá espaço para o aluno debater, que incentiva o aluno a pensar", disse o ator e estudante André Luís dos Santos, de 17 anos. 
A atriz e estudante Maria Sol, de 15 anos, disse estar muito preocupada com a possibilidade de aprovação do projeto que institui a Escola Sem Partido no Estado. "Eu só me tornei o que sou hoje, porque dentro de sala de aula sempre fui estimulada a debater, discutir e conhecer novas ideias. Sem isso, saem perdendo os estudantes e professores."

"Escola investe em integração de alunos, pais e funcionários"

Fonte: Ministério da Educação
25 de agosto de 2016

O empenho de pais, familiares, cuidadores, professores, gestores e demais responsáveis pelo desenvolvimento das crianças é sempre lembrado no Dia Nacional da Educação Infantil, celebrado em 25 de agosto. Para Michelle Mendes, diretora do Espaço de Desenvolvimento Infantil (EDI) Professora Norma Andrade Nogueira, do Rio de Janeiro, a escola também tem a missão de integrar pais e funcionários, para que todos participem de forma ativa do processo educativo.
“Buscamos adequar os horários para que os pais possam comparecer pessoalmente, o que fortalece o vínculo da escola com os familiares, além de promover o diálogo e ajudar a preparar os conteúdos das aulas”, afirma. “Essa interação é saudável para o desenvolvimento infantil. Precisamos do respaldo e da confiança dos pais para que o trabalho tenha bons resultados.”
A diretora avalia que educar é um processo contínuo e requer dedicação, carinho e criatividade. “Criamos eventos com datas comemorativas e brincadeiras, o que tem melhorado o desenvolvimento dos alunos. Recebemos as cartilhas do governo e adequamos o material à realidade da comunidade. Aqui, as crianças têm contato com países e culturas diferentes por meio de concertos musicais e encontros com profissionais de diversas áreas, o que desperta a curiosidade dos alunos”, explica.
O espaço atende a cerca de 300 bebês e crianças, abrangendo desde creche à alfabetização. Maria Lúcia Gonçalves Teixeira é mãe de João Calixto, de seis anos, matriculado no EDI. Ela diz sentir-se privilegiada por poder acompanhar de perto o processo de aprendizado.
“Antes, meu filho tinha medo de brincar na área externa com os coleguinhas”, conta. “Agora, participa de todas as atividades, e percebi também que desenvolveu as habilidades de escrita, tornando-se mais ativo. João adora criar personagens nos desenhos”. Para ela, o ambiente escolar é mais que um trabalho. “Fiz bons amigos aqui, passamos a ajudar uns aos outros e marcamos encontros fora da escola. Nos fins de semana marcamos passeios e encontros com as crianças.”
Interatividade – Para facilitar o atendimento aos pais, funcionários da EDI fluminense incluíram nas atividades cotidianas o uso de ferramentas interativas, como whatsapp e redes sociais. “Os recursos auxiliam na hora de tirar dúvidas dos pais, principalmente aqueles que não têm condições de comparecer diariamente à escola, mas querem permanecer informados sobre as atividades”, avalia a diretora. “Estamos agora com um projeto do blog. Nele, vamos oferecer dicas e informações úteis aos pais e familiares.”
Assessoria de Comunicação Social

"Aulas da rede pública estadual podem se estender até fevereiro"

Fonte: Jornal do Comério (RS)
25 de agosto de 2016

Isabella Sander
A determinação do limite de uso de cinco sábados para a reposição dos dias perdidos durante a greve dos professores estaduais tem gerado incertezas sobre quando, de fato, será o fim do ano letivo. O Cpers/Sindicato denuncia que, se a norma for mantida, as aulas terminarão somente em fevereiro, e não em 23 de dezembro, como anteriormente estabelecido.
A regra obrigaria, ainda, a modificar o calendário escolar do ano que vem, pois os docentes têm direito previsto em lei a férias de 45 dias, o que adiaria o início do ano letivo de 2017 de março para abril.
A paralisação dos educadores durou 54 dias e foi encerrada no início de julho. "Nunca nos negamos a recuperar o tempo parado. As escolas fizeram um calendário de reposição, mas têm enfrentado dificuldades, porque o governo não reconhece a autonomia das instituições de ensino", critica a presidente do Cpers, Helenir Aguiar Schürer. A autonomia dos estabelecimentos de ensino está prevista na Lei da Gestão Democrática (10.576/1995), que prevê que as escolas gerenciem suas próprias administrações, finanças e pedagogia.
Segundo o Cpers, essa diretriz é contradita pela ordem de serviço publicada pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc) em julho deste ano, após o fim da greve, que reorganiza o calendário escolar. É nesse documento que está determinado o limite de utilização de cinco sábados. O sindicato quer 21 para repor os dias perdidos, ou seja, todos os sábados até o final do ano letivo. "Uma ordem de serviço não pode se sobrepor a uma lei", pontua a presidente do Cpers.
O sindicato denuncia uma discrepância de orientações por parte da Seduc, tanto entre o secretário, Luís Antônio Alcoba de Freitas, e a secretária adjunta, Iara Wortmann, quanto entre as Coordenadorias Regionais de Educação (CREs), que gerenciam as instituições de ensino em cada região. Há quem autorize o uso de mais sábados e quem siga o que diz a ordem de serviço. "A 1ª CRE, de Porto Alegre, por exemplo, está de acordo com o emprego de mais sábados", relata a sindicalista.
Mesmo sem definição, desde o fim da paralisação, os professores têm dado aulas aos fins de semana. Caso fique determinado que esses dias não poderão ser utilizados para reposição, pode ser que os docentes cancelem aulas durante a semana. Se os 21 sábados forem autorizados, as atividades escolares terminarão na semana entre 9 e 13 de janeiro.
Conforme Helenir, a restrição soa como uma penalização pela greve. "Se o governo do Estado não quer aulas aos sábados, trabalharemos até fevereiro, não nos importamos. Porém isso também penaliza os alunos, que, com o calor que temos no verão e com as escolas sem ar-condicionado, ficarão com sua aprendizagem prejudicada", ressalta.
Depois de uma reunião entre o Cpers e o governo, a Seduc emitiu uma nota reforçando que, em relação às aulas nos sábados, a ordem de serviço publicada determinou a utilização de cinco sábados letivos, além dos dez sábados já autorizados no calendário homologado em março de 2016. "As CREs foram orientadas a zelar pelo cumprimento integral da carga horária e o número de dias letivos previstos na legislação, o que está sendo feito", diz a nota. Além disso, a maior parte dos calendários de recuperação já foi homologada, restando apenas casos pontuais que estão sob análise, de acordo com a pasta. 

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

"‘Esporte ainda é separado da educação’, diz ex-atleta Magic Paula em entrevista a agência da ONU"

Fonte: Agência ONU
24 de agosto de 2016

Em entrevista exclusiva ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a ex-jogadora de basquete e medalhista olímpica Magic Paula alerta que o Brasil ainda não descobriu o esporte como ferramenta de inclusão social. Segundo a campeã, mesmo que não queiram ser atletas, jovens podem aproveitar valores transmitidos pela prática de atividades esportivas para a vida.

Quando tinha apenas dez anos de idade, Maria Paula Gonçalves da Silva começou a jogar basquete no interior de São Paulo. Sob o apelido Magic Paula, a atleta conquistou a medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de Havana em 1991 e a prata nos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996.
Vinte anos depois, Paula, já fora das quadras, é comentarista dos canais ESPN e idealizadora do Instituto Passe de Mágica, criado em 2004 com o objetivo de desenvolver atividades de esporte educacional e oferecer a prática lúdica do basquete para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.
A organização é uma das 81 instituições que formam a Rede Esporte pela Mudança Social (REMS), fundada com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), e que fomenta o esporte como fator de desenvolvimento humano.
Em entrevista exclusiva à agência da ONU, logo depois da maratona que foi a cobertura dos Jogos Olímpicos pela ESPN, Paula contou como surgiu o Instituto e explicou qual é a importância do esporte e das atividades físicas para a inclusão social.
Você acredita que o esporte pode ser um fator de inclusão social?
Ah, eu não tenho dúvidas! Acho que a gente ainda não descobriu isso no Brasil. O Brasil ainda está muito longe de se atentar a esse detalhe. A gente vê que o esporte é desgarrado da educação ainda. Porque o esporte acabou ficando marginalizado em relação à educação.
Hoje, um atleta de talento acaba optando por deixar os estudos. Acho que a gente perde muito com isso. Então, eu vejo o esporte como uma ferramenta sensacional para mudança de comportamento, até porque o esporte faz a gente sonhar muito. Faz com que a gente busque ideias que, às vezes, a gente desconhece.
E vocês passam essa mensagem no Instituto?
A gente trabalha muito a questão da autonomia, do empoderamento dessa molecada. Então acho que tem que ensinar para eles, e eles devem, cada um, seguir seu caminho. A gente trabalha muito com essa questão do que o esporte, do que a atividade em si, pode fazer na vida de cada um, e ir buscando refletir dentro dele essa questão de dar essa autonomia e falar: “Agora, vocês vão daqui para frente, vocês vão atrás do que vocês querem”.
Como você levou o esporte para esse viés de inclusão?
Quando eu ainda era jogadora, eu ficava pensando o que eu poderia devolver para a sociedade de tudo o que o esporte me agregou. Eu queria fazer alguma coisa, confesso que (era) muito empírico, era mesmo um sonho de fazer alguma coisa para as crianças. E eu não sabia como. Comecei a me fazer algumas perguntas, como “o que o esporte foi na minha vida, além de jogar para o Brasil, viver profissionalmente dele, conquistar uma Olimpíada, ganhar títulos…?”.
Ele foi muito importante para meu crescimento como pessoa. O foco que a gente acaba usando aqui no Instituto foi porque, nessa trajetória, eu convivi com muitas meninas e poucas tiveram a chance de ser campeãs do mundo, ganhar medalha olímpica, e eu tenho certeza de que o esporte agregou valores para o futuro, (para) a escolha que elas viessem a fazer.
Acho que o que eu carrego até hoje são esses valores que eu aprendi desde pequena: conviver em grupo, respeitar regras de hierarquia, viver com a chance de ganhar e perder. Eu acho que o esporte agregou muita coisa para minha vida como pessoa. Então, a gente acabou, como instituto, trabalhando o basquete para todos, de forma lúdica, tentando de uma maneira natural mesmo colocar os valores na vida da molecada.
Hoje em dia, qual você acredita ser o maior desafio para a percepção do esporte como instrumento de inclusão social no Brasil?
É muito difícil porque, pelo menos no Instituto, a gente trabalha praticamente 100% com Lei de Incentivo. Há 12 anos, estamos nessa estrada e a gente está agora focando na questão da captação de recursos, porque precisamos também ter autonomia para trabalhar.
Você acredita que, no esporte, a questão de igualdade de gênero ainda é uma batalha muito grande?
Acho que as coisas vão evoluindo e elas evoluem de uma forma, às vezes, que não é do jeito que a gente gostaria. Acho que a questão do esporte é muito exacerbada. Quantas mulheres também não estão no mercado de trabalho, fazendo outras coisas, em outras funções, buscando um lugar ao sol e não têm essa visibilidade às vezes que as mulheres têm, fazendo esporte? Então, eu acredito que essa geração possa ser uma geração que fortaleça a questão do apoio ao esporte feminino, de quebrar certos tabus.
Eu comecei no esporte há 40 anos, é claro que existia um preconceito, mas o mercado sempre foi de muito apoio para fazer esporte. Acho que é uma questão cultural, e a gente tem que conviver com essa evolução, talvez não no ritmo que a gente quer, mas no ritmo em que as mulheres sintam seu espaço como mulheres e que estão sendo empoderadas e dizendo que elas podem, sim, fazer as coisas que os homens fazem.

"Como funciona a sala de aula invertida?"

Fonte: Carta Educação
24 de agosto de 2016

Metodologia de ensino propõe aulas menos expositivas e melhor utilização do tempo e conhecimento do professor

THAIS PAIVA

Imagine um sistema educacional no qual os alunos estudam os conteúdos curriculares em suas casas só para depois irem à escola encontrar professores e colegas, tirar suas dúvidas e fazer exercícios. Em outras palavras, onde a lição de casa é feita em sala e a aula é dada em casa.
Eis o princípio por trás da metodologia da “sala de aula invertida” (Flipped Classroom, em inglês), que propõe a inversão completa do modelo de ensino. Sua proposta é prover aulas menos expositivas, mais produtivas e participativas, capazes de engajar os alunos no conteúdo e melhor utilizar o tempo e conhecimento do professor.
“A metodologia tradicional deixa o aluno num papel passivo, simplesmente ouvindo as explicações do professor. Ao inverter esse modelo e fazer com que o aluno assista às aulas fora do ambiente da escola ou universidade, há um aumento na presença e participação em sala de aula”, explica a educadora Andrea Ramal, diretora do GEN | Educação.
Quando um conteúdo totalmente inédito é apresentado ao aluno, a introdução se dá, em geral, por meio de textos e videoaulas que apresentam os conceitos básicos e exercícios resolvidos como exemplos. “A leitura antecipada incita o raciocínio prévio e eleva o papel do professor. Esse passa de expositor para tutor, auxiliando e incentivando o aprendizado mais profundo do aluno quando ele traz dúvidas, raciocínios e discussões prévias”.
Segundo Andrea, é possível aplicar essa metodologia a todas as disciplinas escolares obtendo o mesmo efeito. “Pelos estudos obtidos em diversas instituições em todo o mundo, há sempre um ganho em relação à metodologia tradicional, independente da disciplina”.
Segundo um levantamento feito na Universidade de British Columbia, nos Estados Unidos, com professores de Física que aplicaram a metodologia, dentre os quais Carl Wieman, prêmio Nobel de Física em 2001, houve um aumento de 20% na presença e 40% na participação dos alunos com o modelo. Além disso, as notas dos alunos participantes foram duas vezes maiores que as das classes que utilizaram a metodologia tradicional.
Na Universidade de Harvard, por sua vez, professores de Matemática conduziram um estudo de 10 anos em suas classes de Cálculo e Álgebra e descobriram que alunos inscritos em aulas invertidas obtiveram ganhos de 49 a 74% na aprendizagem em relação aos alunos inscritos em aulas tradicionais.
Nesse contexto, onde praticamente toda a dinâmica da aula se altera, é essencial capacitar o professor para aplicar o modelo com sucesso. Isso começa, diz Andrea, em uma mudança de paradigma ou forma de pensar. “O professor necessita ser convencido que o método irá facilitar sua vida e a dos alunos. Se não houver isso, não adianta capacitar, pois o professor estará reticente em usar a metodologia, o que irá atrapalhar seu desempenho”.
Para o estudo em casa, os alunos contam com recursos como vídeos, textos, áudio, games, entre outros. No entanto, a metodologia não implica necessariamente em repensar todo o material didático hoje disponível. “Por exemplo, a utilização de uma leitura prévia antes da aula e de deveres de casa já são exemplos de uma sala de aula invertida”, aponta a educadora.


"Pivô da máfia da merenda fica calado em CPI na Alesp e ouve vaias"

Fonte: Estadão Educação
24 de agosto de 2016

Silêncio do ex-presidente da Coaf Cassio Chebabi revoltou deputados de oposição e da base de Alckmin e foi justificado por causa de acordo de delação premiada

Fabio Leite,
O Estado de S.Paulo

SÃO PAULO - Pivô da máfia da merenda em São Paulo, o ex-presidente da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf) Cassio Chebabi ficou calado em depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) que investiga desvio de dinheiro em contratos de merenda escolar com o governo Geraldo Alckmin (PSDB) e prefeituras paulistas. Chebabi foi vaiado por estudantes que acompanham a comissão nesta quarta-feira, 24.  
Foto: Divulgação
Alesp deve transformar espaço interno em galeria de arte
Fachada da Assembleia Legislativa de São Paulo 
O advogado de Chebabi, Rafph Tortima Stettinger Filho, justificou o silêncio dizendo que seu cliente não poderia falar sobre o caso na CPI porque tem um acordo de delação premiada (colaboração em troca de redução de pena) com o Ministério Público Estadual (MPE) homologado pela Justiça.
"A decisão com relação ao silêncio foi uma orientação profissional para não colocar em risco o acordo de delação", disse o defensor.
O silêncio de Chebabi, considerado peça-chave no esquema de corrupção da Coaf, revoltou deputados de oposição e da base de Alckmin. "Ele está aqui como testemunha e tem obrigação de falar nesta CPI. Vir aqui e não falar é uma falta de respeito ao Parlamento", criticou o deputado Alencar Santana (PT). "Se esse entendimento prevalecer, acabou a CPI, porque outras peças-chave na investigação também fizeram delação." 
"O advogado não fala em nome do cliente, ele orienta o cliente. O que estamos assistindo aqui é simplesmente ao fim do mundo. Delação premiada virou sinônimo de impunidade", disse Barros Munhoz (PSDB). 
Segundo os parlamentares, Chebabi apresentou versões contraditórias ao depor à Polícia Civil de Bebedouro, na região de Ribeirão Preto, em janeiro, e depois à Corregedoria Geral da Administração (CGA).
"Se comparar os depoimentos à polícia e à Corregedoria, parecem duas pessoas diferentes. Seria importante que ele falasse aqui para saber qual Chebabi é o verdadeiro", completou Alencar.
A deputado Beth Sahão (PT) propôs que o pivô do escândalo da merenda falasse em depoimento secreto, sem transcrição e apenas com a presença dos membros da CPI, mas o ex-chefe da cooperativa recusou.  
O advogado Rafph Tortima Stettinger Filho disse que Chebabi poderá voltar a CPI e falar sobre o caso com autorização da Justiça Federal de Ribeirão Preto, onde tramita o processo atualmente.
"Havendo anuência do juízo, com compartilhamento de informação, o senhor Cassio virá prestar todos os esclarecimentos. Enquanto não existir essa autorização o senhor Cassio permanecerá em silêncio", disse o advogado.
Depoimentos. A fala de Chebabi era muito esperada pelos parlamentares da oposição. Após ser preso pela Operação Alba Branca em janeiro deste ano, apontou, em depoimento ao MPE e à Polícia Civil de Bebedouro, o presidente da Alesp, Fernando Capez (PSDB), e o deputado federal e ex-secretário estadual de Transportes Duarte Nogueira (PSDB) como beneficiários da propina paga pela Coaf. Ambos negam.
Em acordo de delação premiada com o MPE, Chebabi admitiu as fraudes em licitações para fornecimento de suco de laranja. Executivos e vendedores da cooperativa afirmaram que ele foi o grande operador do esquema criminoso. 
O executivo disse que Capez e Nogueira receberam uma propina de 10% sobre contratos da Coaf com a Secretaria de Estado da Educação no governo Alckmin, que assinou três negócios com a cooperativa no valor de R$ 13,5 milhões para fornecimento de suco de laranja. 

Ele citou ainda que o lobista Marcel Ferreira Júlio, filho do ex-deputado Leonel Júnior, e o vendedor da Coaf César Augusto Lopes Bertholino como operadores da máfia responsáveis pelos pagamentos de propina. Marcel Júlio também fez acordo para colaborar com as investigações. 

"Documentário leva história do Brasil para a sala de aula Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/sociedade/educacao/educacao-360/documentario-leva-historia-do-brasil-para-sala-de-aula-19982091#ixzz4IfaHmGHQ © 1996 - 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. "

Fonte: O Globo
24 de agosto de 2016

Encontro discutirá uso de recursos audiovisuais na escola a partir do filme 'Menino 23'

POR 
RIO — Cinquenta crianças negras escravizadas não chocavam a pequena Campina de Monte Alegre, interior de São Paulo, na década de 1930. Levadas de um orfanato do Rio por uma família rica, elas foram submetidas a trabalho forçado. É este o triste passado do Brasil descrito no documentário “Menino 23”, que será o ponto de partida para um debate sobre novas formas de utilização de recursos audiovisuais em sala de aula durante o encontro Educação 360. Realizado pelos jornais O GLOBO e “Extra”, em parceria com o Sesc e a Prefeitura do Rio e com apoio da TV Globo e do Canal Futura, o evento acontecerá nos dias 23 e 24 de setembro, na Escola Sesc de Ensino Médio, em Jacarepaguá.
Além de “Menino 23”, a iniciativa Criativos da Escola e o projeto social da Escola Sesc serão apresentados no mesmo módulo do encontro. O debate terá a presença do sociólogo Cesar Callegari, diretor da Faculdade Sesi-SP de Educação e membro do Conselho Nacional de Educação (CNE), e da professora Jaqueline Moll, da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRS), com mediação do jornalista Antônio Gois, colunista do GLOBO.
— Vamos falar sobre a expansão do processo de educação para além da sala de aula. Serão dois focos: um nas plataformas multimídias, como cinema e redes sociais, e outro na valorização da memória — adianta o historiador Sidney Aguilar Filho, autor da tese de doutorado em História da Educação que serviu de base para a o filme de Belisário Franca, em cartaz nos cinemas.
Aguilar defende que a memória histórica é fundamental para se pensar, através dos recursos audiovisuais e mídias sociais, a atual educação brasileira. O processo deve levar em consideração o que deu certo e o que deu errado.
— O filme trata justamente de um projeto educacional da década de 1930 que produziu resultados vitoriosos para uma determinada parcela da sociedade, que não foram as crianças ou os que defendem a democracia — afirma Aguilar: — Há uma interseção entre as plataformas multimídias e a produção educacional básica, principalmente do 5º ao 9º ano do ensino fundamental e no ensino médio.
O pesquisador dava uma aula em 1998 sobre a Segunda Guerra Mundial quando uma aluna disse que conhecia uma fazenda feita de tijolos com o símbolo do nazismo. A investigação do professor levou à história dos 50 meninos que foram escravizados pela família Rocha Miranda, influente na região e no Rio, então a capital do Brasil. O historiador conseguiu encontrar duas vítimas ainda vivas: Aloísio Silva e Argemino Santos.
— Esse trabalho teve o poder de me transformar. Passei a ser mais cuidadoso na relação com meus alunos. O que encontrei nessa pesquisa foi uma sociedade que julgava aquilo aceitável e até desejável. Isso me traz uma preocupação em sempre ter cuidado e refletir sobre nosso comportamento — afirma.
Os garotos viveram quase dez anos na fazenda. Lá, eram tratados apenas como números. Aloísio Silva foi o menino 23, que dá nome ao documentário. O cárcere terminou quando o presidente Getúlio Vargas se aliou aos Estados Unidos, na Segunda Guerra, e passou a ser crime fazer menção ao nazismo. “Eles (os fazendeiros) abriram a porteira e mandaram a gente embora. Simplesmente, que nem gado”, lembra, na obra, Aloísio Silva, que morreu em 2015.
— Quando seu Aloísio contou sua história, a narrativa que ele apresentava coincidia com os documentos que eu tinha encontrado. Ele falava, por exemplo, que tinha saído de uma tal Casa da Roda no Rio de Janeiro, e eu já tinha encontrado a Casa da Roda, que era o orfanato Romão de Mattos Duarte. Tinha também encontrado os livros de entrada e saída dos órfãos, conhecia o nome da maioria dos meninos, inclusive de Seu Aloísio. Então, tinha tudo nas mãos, e conforme ele ia contando, aquilo ia se encaixando — diz o pesquisador.

OUTRA DIMENSÃO DE ESTUDO


Toda uma campanha de impacto foi montada para transformar “Menino 23” num dispositivo pedagógico para instituições de ensino e ONGs voltadas aos mais variados públicos.
— Devido às temáticas espinhosas dentro de um contexto histórico, estruturamos a campanha em torno de “Menino 23” para promover a reflexão sobre temas como racismo, exploração do trabalho infantil negro, trabalho escravo e direitos humanos. Organizamos o debate de acordo com o público, e cada aluno responde de acordo com o contexto cultural em que vive — conta Rossana Giesteira, responsável por levar o filme para as escolas e promover os valiosos debates.
Participaram do projeto 34 instituições educacionais, impactando 3200 pessoas.
— Assuntos difíceis dentro do audiovisual podem e devem ser explorados de forma mais profunda e estruturada para impactar as pessoas de forma que elas reflitam mais sobre o tema — acredita Rossana.
* Do Extra.


"Professor de artes cria redação de jornal na sala de aula"

Fonte: Portal Porvir
24 de agosto de 2016 

Diego Cuesta usou horário na grade para desenvolver projeto que transforma alunos do fundamental 2 em repórteres e incentiva trabalho colaborativo

por Diego Cuesta da Silva

A inovação começa quando temos coragem para sair de nossas zonas de conforto e decidimos encarar as dificuldades que uma situação inusitada pode trazer. Como sou professor de artes, queria trabalhar com uma linguagem diferente da plástica.  A escola em que eu trabalho oferece aos professores um “canto”, um horário de aula, que nós chamamos de aula-projeto, que sai um pouquinho do currículo.
Por isso, decidi que iria trabalhar jornalismo com os alunos, transformando a sala de aula em uma verdadeira redação de jornal. O “Viva Jornal” é um projeto integrado, que une alunos do sexto e sétimo ano do ensino fundamental.
Em um primeiro momento, percebi que os alunos conheciam bem pouco o funcionamento de um jornal. Eu apresentei a Folha de S. Paulo e expliquei que esse tipo de publicação tem divisões, que são os cadernos de política, cultura, esportes, entre outros.
Alunos durante atividade Viva Jornal. Reprodução Colégio Viva
Depois disso, eles se agruparam de acordo com o interesse pelas editorias e formaram diversas “redações” pela sala. A diferença é que as reportagens a serem produzidas falariam do universo da escola. Em economia, por exemplo, eles falaram sobre o preço dos alimentos na cantina.
Os alunos decidiam o assunto, montavam uma pequena pauta com o que iam perguntar aos entrevistados pela escola e saíam com o celular para gravar o áudio da entrevista. O celular foi uma ferramenta de trabalho muito importante, porque serviu como um gravador.
Depois, eles voltavam pra sala e tinham três aulas para produzir a reportagem. No final dessas quatro semanas, cada editoria tinha uma reportagem pronta para ser apresentada. O ciclo se repetia mais uma vez e os alunos tinham a chance de criar uma segunda notícia. Ao final de oito semanas, os grupos eram trocados e começava tudo de novo. Inicialmente, a ideia era que essas matérias fossem veiculadas de forma impressa. Mas, por uma questão de custo, nós acabamos publicando no blog da escola.
Sala de aula é transformada em redação no projeto Viva Jornal. Reprodução Colégio Viva
As produções dos textos aconteceram na sala de aula, nos laptops da escola. A instituição trabalha com um laboratório móvel de informática. Ou seja, quando um professor precisa usar os equipamentos, ele faz um pedido e as máquinas são levadas até a classe. Nesse contexto, o posicionamento dos alunos na sala muda completamente. Já não é mais aquela coisa enfileirada.
O ponto que mais chamou a minha atenção no trabalho foi o envolvimento dos alunos. Na sala de aula, jovens de 11, 12 ou 13 anos tendem a ser um pouco agitados. Mas eu percebi que, como não era um conteúdo que eles tinham que absorver – muito pelo contrário, eles tinham que produzir um conhecimento –, eles se organizaram superbem. Quando o problema foi passado para que eles resolvessem, todos foram ótimos. Além disso, questões como indisciplina, dispersão ou até sono não aconteceram. Eles ficaram extremamente interessados no que estavam fazendo. A possibilidade do aluno escolher o que ele vai fazer muda tudo.
Foi inspirador?
Diego Cuesta da Silva
Mestre em Estética e História da Arte pela Universidade de São Paulo. Licenciado em História pela mesma universidade e licenciado em Artes Visuais pela Universidade Metropolitana de Santos-SP. Arte-educador há 12 anos, com atuação em museus e instituições culturais. Atualmente ministra aulas de Artes Visuais e História no ensino fundamental 2 da rede particular.