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terça-feira, 28 de junho de 2016

"Educação de qualidade pra todos ?"

Fonte: Estadão Opinião
28 de Junho de 2016

Claudia Costin*

Num livro publicado há poucos meses, Helping Children Succeed, Paul Tough observa, com tristeza, que o déficit de aprendizagem entre alunos de 8.º ano, provenientes de diferentes estratos de renda, vem crescendo nos Estados Unidos, ao invés de diminuir, a despeito dos esforços para mudar a situação. O país tem apresentado não apenas desempenho incompatível com seu grau de desenvolvimento, como tampouco conseguiu evitar que os mais pobres tenham um ensino ainda mais precário.
O mesmo pode ser dito em relação ao Brasil. Celebramos importantes avanços no Pisa de 2012, mas ainda estamos em posição inaceitável entre as 65 economias que participam desse teste internacional de qualidade da educação. Mais ainda, a despeito de sermos o país que mais avançou em Matemática, de 2003 para 2012, ainda temos 67,1% dos alunos com baixo desempenho na área. O tema de maior dificuldade para os alunos brasileiros, em que tivemos o menor desempenho, foi o de “formular situações matematicamente”, competência relevante para diversas profissões e áreas de pesquisa. Só 1,1% dos alunos apresentam desempenho elevado. Mas o que se mostra particularmente cruel para os que acreditam que educação é o caminho para gerar oportunidades para todos é a profunda desigualdade educacional do nosso país, tanto no acesso e na conclusão de cada etapa de escolaridade quanto no desempenho escolar ou na aprendizagem.
Estive recentemente em Xangai, cidade chinesa, com mais de 23 milhões de habitantes, que obteve o primeiro lugar entre as economias que participaram do Pisa. Fui lançar um estudo do Banco Mundial sobre as razões do excepcional desempenho da cidade. Em solução de problemas, por exemplo, Xangai ficou em 6.º lugar no Pisa 2012 entre 44 países ou sistemas regionais – o Brasil ficou na 38.ª posição. Embora conte com número importante de alunos em situação de pobreza, estudantes que se encontram entre os 10% mais pobres de Xangai são tão bons em Matemática quanto os 20% de adolescentes mais ricos do Reino Unido e dos Estados Unidos. Ou seja: Xangai não tem apenas o melhor desempenho em Matemática e um dos melhores em leitura e Ciências; é também um dos mais igualitários, apesar de contar com uma proporção elevada de migrantes internos.
O que fazem de excepcional para chegar lá? Os professores são preparados para uma profissão e o currículo na universidade enfatiza o conhecimento do conteúdo a ser ensinado e a prática em sala de aula, incluindo a didática específica daquela área. Além disso, a universidade reúne-se com os professores da escola para analisar, com eles, problemas de aprendizagem que lá tenham emergido e, juntos, constroem soluções possíveis com os recursos disponíveis. Outro ponto importante é que os professores têm seu tempo de atividades extraclasse dentro da escola (e não fora dela, como em muitas escolas brasileiras), corrigindo tarefas escolares e preparando planos de aula minuciosos, com base no currículo e em colaboração com os colegas. Observam, também, as aulas dos colegas e juntos discutem o que pode ser aperfeiçoado.
Não escrevo isso para que pensemos em copiar o modelo dessa megacidade chinesa, mas para que possamos perceber que é possível ter qualidade para todos. A escolaridade dos pais e a situação socioeconômica da família têm forte papel no desempenho escolar dos alunos. Afinal, interpretação de textos, por exemplo, depende muito do repertório cultural adquirido pelo aluno, e é sabido que importante parte dele vem da família. Mas a escola pode, deve e tem conseguido, em muitos casos, garantir o direito de aprender de crianças mesmo vindas de famílias de reduzida escolaridade ou situação socioeconômica adversa. Xangai ilustra isso, várias escolas no Brasil também o fazem, como mostra o interessante estudo da Fundação Lemann Excelência com Equidade – 250 escolas públicas com alunos de nível socioeconômico situado entre os 25% mais baixos da região onde estavam localizadas, e com pelo menos 70% dos alunos com nível adequado em Matemática e Língua Portuguesa na Prova Brasil e, no máximo, 5% de alunos no nível insuficiente, evidenciaram que é possível aliar qualidade e equidade. Duas delas estão localizadas no Rio de Janeiro, e tive a oportunidade de visitá-las. O que têm em comum? Metas claras e uma equipe de professores comprometidos com um ensino que assegure que todos aprendam.
Mas como garantir que o exemplo dessas escolas seja estendido às demais no Brasil que concentram crianças em situação de pobreza? As condições de sucesso escolar para alunos em situação de vulnerabilidade podem ser melhoradas, e muito, se houver uma política pública que assegure a atração e retenção de bons professores e lhes dê material de apoio adequado, conte com uma educação de qualidade e cuidados na primeira infância. Se investirmos mais em remunerar melhor o professor, alocá-los numa única escola, com tempo para ali, colaborativamente, preparar suas aulas e aprender com os colegas, ajudaria. Se tornarmos a formação inicial do professor mais adequada aos desafios da sala de aula, e não enfatizarmos apenas os fundamentos da educação, também ajudaria. Mas se pudermos, além disso, reduzir o impacto das condicionantes socioeconômicas no desempenho escolar do aluno, por meio de um investimento forte e focado em educação infantil de qualidade e cuidados na primeira infância, poderemos, aí, sim, combinar qualidade com equidade, como preconiza o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável, recém-aprovado pela ONU, para a educação (ODS-4), a ser atingido até 2030: “Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos”.
Não é muito difícil garantir educação de qualidade para poucos, mas o princípio da equidade demanda que isso seja estendido a todos – daí o nosso grande desafio!
*Claudia Costin é diretora global de educação do Banco Mundial

"Preconceito na escola"

Fonte: Folha de São Paulo Colunistas
28 de Junho de 2016

Não há um único dia em que vários preconceitos, dos mais diversos tipos, não se expressem em ambiente escolar. Aliás, é no mínimo estranho que tenhamos tantas preocupações e campanhas contra o chamado bullying na escola, e pouco ou quase nada contra o preconceito. Afinal, a maior parte dos comportamentos de assédio moral nascem de preconceitos!
Nesta semana tivemos notícia de dois episódios de preconceito na escola: o da mãe que recebeu um bilhete da professora pedindo para aparar ou prender o cabelos dos filhos –fato ocorrido em nosso país–, e o da garota negra lanchando sozinha ao lado de uma mesa com vários colegas brancos juntos –este, ocorrido na África do Sul.
Muita gente se indignou, mas muita gente também não viu nada de mais em ambos os casos. Choveram justificativas e até acusações para explicar as situações, o que sinaliza como é difícil reconhecer nossos preconceitos e, acima de tudo, conter suas manifestações e colaborar para que a convivência social seja mais digna.
Por que enviamos nossos filhos para a escola? Hoje, não dá mais para aceitar como uma boa razão apenas o ensino das disciplinas do conhecimento. Isso pode acontecer –e tem acontecido muito– em casa, em pequenos grupos informais, na internet, com tutores etc. Para preparar para o vestibular? Essa razão é pobre em demasia para motivar o aluno a aprender. Para que nossos filhos garantam um futuro de sucesso? O estudo escolar não oferece mais essa garantia.
Deveríamos ter como forte razão para enviar nossos filhos à escola o preparo para a cidadania, ou seja, o ensino dos valores sociais que vão colaborar para a formação de um cidadão de bem. Poucos, porém, têm dado valor a isso, mesmo com fortes motivos para valorizar essa justificativa, já que, se a vida social vai bem, a vida pessoal melhora. Por outro lado, quando a vida social não é saudável, a vida pessoal sofre e adoece.
Ensinar a reconhecer os principais preconceitos de nossa sociedade, suas várias formas de manifestação e como combatê-los é função das mais importantes da escola. Mas, pelo que temos visto, ela ignora o senso crítico e, dessa maneira, não estimula o respeito às diferenças, tampouco incentiva a solidariedade entre os colegas, nem ensina a boa convivência.
A boa convivência exige empatia e generosidade, entre outras virtudes, já que conviver com a diferença é doloroso, e por isso há quem tente anular a diferença com manifestações de preconceito, por exemplo. A convivência também precisa, e muito, da tolerância à frustração, porque conviver significa, quase sempre, ter de ceder, já que o outro sempre nos mostra que cada um de nós é apenas um em meio a tantos outros...
Os pais podem –e deveriam– influenciar nos rumos da educação escolar. De nada adianta desejar apenas um bom futuro pessoal aos filhos e desconsiderar que eles viverão em sociedade e dependerão dela. Pais e mães, que tal vocês passarem a se preocupar com outras questões da escola que não apenas o conteúdo a ser ensinado, a colocação em rankings etc.?
Que tal apoiarem as escolas que revolucionaram seu ensino para valorizar o ensino da vida cidadã? Que tal repensarem a função social da escola?

"Conquistas na área da Educação estão em risco, diz especialista"

Fonte: Valor Econômico
28 de Junho de 2016

Acessar em: http://www.valor.com.br/brasil/4616179/conquistas-na-area-da-educacao-estao-em-risco-diz-especialista



"Professor com nível superior ganha a metade do que outros graduados"

Fonte: G1 Bom dia Brasil
28 de Junho de 2016

Maioria dos estados paga menos do que o piso nacional.
Professores ganham menos de R$ 20 por hora de trabalho.

Uma pesquisa mostrou que professores com formação universitária ganham pouco mais da metade do que ganhariam outros profissionais com a mesma qualificação e a situação é ainda pior na educação básica da rede pública. A maioria dos estados paga menos do que o piso nacional. Em média, o professor ganha menos de R$ 20 por hora de trabalho.
São profissionais, os professores, que escolheram a sala de aula por vocação, paixão pelo ensino, investiram na carreira, fizeram mestrado, até doutorado. Dedicaram a vida para os estudos e para os alunos e em troca recebem em média R$ 19 por hora de trabalho.
Uma faculdade, um mestrado, 25 anos de sala de aula, e a dura realidade: “Quando chega na metade do mês, o salário não dá para honrar o resto dos compromissos”.
Júlio é professor de História. O Pedro, de Biologia.
“Tenho outro emprego, trabalho na Universidade de Brasília também, e é corrido. Eu saio de um trabalho, janto mal, tenho que vir correndo para escola, é bastante correria. A gente já chega aqui muito cansado e chega em casa a gente só pensa em cair na cama”, contou o professor Pedro Ivo Pelicano.
E quando se compara com outras categorias então, fica ainda mais desanimador. O salário médio do professor no Brasil que terminou a faculdade equivale a 54,5% do que recebem outros profissionais também com curso superior.
Em valores: o professor ganha R$ 3.137,90. Outros profissionais, R$ 5.762,40.
A cada hora de trabalho, o ganho do professor é de R$ 19. Nas outras profissões, em média, R$ 36.
Ser professor não atrai mais. E não era assim há 25 anos.
“Entrei em julho de 91 e quando consultava meus estudantes quem queria ser professor, 90% da turma levantava o braço. E hoje, lastimavelmente, é o inverso”, disse o professor Julio Barros.
Para o movimento todos pela educação, que fez a pesquisa, o salário pesa, em todos os sentidos.
“Se a gente não consegue selecionar os melhores, acaba que a qualidade do ensino também cai. Então, o salário do professor é muito relacionado à qualidade do ensino, na medida que um bom salário vai selecionar bons profissionais e esses bons profissionais vão fazer com que o ensino melhore”, avaliou a presidente-executiva do Todos Pela Educação, Priscila Cruz.
A pesquisa considerou quanto as pessoas disseram ao IBGE que ganharam em 2014. Não levou em conta especificamente o piso salarial do professor – que seria uma garantia de melhoria, mesmo que pequena. E é seria porque 63% dos estados não cumprem.
“O Ministério da Educação define o reajuste sem consultar estados e municípios. Só que quem paga a conta são os estados e municípios; não é o governo federal. Então, é uma situação difícil. Além disso, quando foi criado o Piso Salarial Nacional, o governo federal enviou um projeto de lei ao Congresso Nacional definindo que estados e municípios que não pudessem cumprir a lei do piso, eles teriam um aporte de recursos do governo federal. Mas essa lei nunca foi regulamentada”, disse a secretária-executiva Ministério da Educação, Maria Helena Castro.
Mas para quem está lá na sala de aula, não é só salário que conta, tem que ter boas condições de trabalho, material, segurança. Enquanto nada disso vem, só mesmo contando com um outro tipo de estímulo.
“Gosto muito de estar na sala de aula, eu gosto de ver que meus alunos estão se desenvolvendo, aprendendo alguma coisa comigo”, disse o professor Pedro Ivo Pelicano.
E pergunta se eles já pensaram em mudar o rumo da vida, trocar de profissão.
“Foi o magistério que eu fiz opção e quero que ele seja valorizado. Então, vou estar junto com minha categoria, lutando por melhores condições de trabalho e por reconhecimento e valorização da profissão. Jamais pensei em mudar”, completou o professor Julio Barros.
A pesquisa do "Todos Pela Educação" mostra que nas regiões Norte e Sudeste a situação dos professores está pior ainda.
No Norte porque o salário dos professores ficou sem reajuste e no Sudeste a remuneração das outras profissões subiu bem mais que a dos professores.

" O que é o Plano Nacional de Educação e como está o andamento dele?"

Fonte: O globo
28 de Junho de 2016


O Plano Nacional de Educação, que completou dois anos de vigência no último dia 25 de junho, é uma lei federal que estabelece 20 metas para a Educação a cumprir até 2024. Discutido e elaborado por diversos setores da sociedade, o plano é o mapa e a bússola da Educação brasileira para os próximos anos. Ele aponta aonde queremos chegar e apresenta 254 estratégias para que todas as metas sejam cumpridas. O PNE também foi o fio condutor da elaboração dos planos municipais e estaduais de Educação, a imensa maioria deles já aprovada como lei em cada município e em cada unidade da federação. (Para ver o status do plano de Educação do seu estado ou do seu município clique aqui).
Entre metas e estratégias, 21 objetivos intermediários do PNE venceram em junho de 2015 e em junho de 2016. Desses, somente um foi cumprido no prazo: a instituição de fórum permanente para o acompanhamento da progressão do piso salarial dos docentes da Educação Básica. Os professores com curso superior ganham em média apenas 54,6% da remuneração dos demais profissionais com mesma escolaridade, e ainda há estados e municípios que não cumprem a Lei do Piso. Por isso, a atuação desse fórum é de extrema importância (Saiba mais sobre o salário dos professores aqui).
Entre os objetivos não cumpridos a tempo está a universalização da Educação Básica: em 2014, 2,8 milhões de crianças e jovens de 4 a 17 anos ainda estavam fora da escola no País. A meta 1, que trata da Educação Infantil, e a meta 3, que trata do Ensino Médio, prevê que as duas etapas sejam universalizadas até este ano. Os dados são levantados pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e só serão conhecidos no final de 2017.  Embora a série histórica mostre um crescimento dos indicadores, o monitoramento indica que, no ritmo atual, ambas as metas não serão atingidas. É importante lembrar que a oferta da Educação Infantil é responsabilidade dos municípios. Já o Ensino Fundamental é compartilhado entre municípios e estados e o Ensino Médio é prioritariamente ofertado pelas redes estaduais.
Além de garantir o direito à Educação, o PNE prevê políticas importantes, como a Base Nacional Comum Curricular, documento responsável por balizar a formulação dos currículos de toda a Educação Básica (saiba mais em texto já publicado no blog aqui). A Base consta como estratégia das metas 2 e 3 do plano, que tratam do Ensino Fundamental e do Ensino Médio, respectivamente. Embora o prazo de finalização tenha sido junho de 2016, o documento segue em elaboração: a 2ª versão foi enviada ao Conselho Nacional de Educação, que deve apresentar a versão final até o fim deste ano.
Já o Sistema Nacional de Educação, fundamental para regulamentar o regime de colaboração entre os entes federados na condução dos sistemas educacionais, não será cumprido este ano, mas há projetos de lei em tramitação (clique aqui para conhecer a proposta do MEC e aqui para saber mais sobre a proposta em debate na Câmara dos Deputados).
Estes são apenas alguns itens dessa extensa agenda. Dada a importância dos planos de Educação nas três esferas de governo, é fundamental que toda a sociedade conheça esses documentos de forma mais detalhada e cobre do poder público a implantação das ações necessárias para que eles sejam cumpridos. Nos próximos meses, quando você for escolher seu candidato a prefeito, não é necessário perguntar qual é o plano dele para melhorar a Educação no município. Os planos municipais já estão definidos em lei e foram discutidos em audiências públicas e nas câmaras legislativas. A pergunta a fazer é como ele será implantado.

Conheça mais sobre o Plano e cada uma de suas metas aqui.
Confira também o monitoramento das metas e estratégias no Observatório do Plano Nacional de Educação: www.opne.org.br

"Com relator do DEM, base de Alckmin domina CPI da Merenda"

Fonte: Estadão Educação
28 de Junho de 2016

Dos 9 integrantes da comissão que investigará esquema de desvios de recursos de alimentação escolar, 8 são aliados do governador


SÃO PAULO - O deputado estadual Estevam Galvão (DEM) foi nomeado nesta terça-feira, 28, relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Merenda na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). Com a indicação, a comissão que vai investigar o esquema de desvio de recursos de alimentação escolar no Estado e em prefeituras paulistas será totalmente comandada pela base do governo Geraldo Alckmin (PSDB).

Na semana passada, os nove integrantes da CPI, entre os quais oito são governistas, já haviam eleito o deputado Marcos Zerbini (PSDB) presidente da comissão e Adilson Rossi (PSB), vice-presidente. O controle da CPI, inicialmente proposta pelo PT, foi criticado por deputados da oposição e estudantes, que temem uma "blindagem" nas investigações. 

Cotado para ser o relator, o deputado Delegado Olim (PP), disse aos colegas que preferia não assumir a função porque precisará de tempo para preparar sua candidatura a prefeito de São Paulo.
O líder da bancada petista, deputado Zico Prado, disse que o partido acionará a Justiça para tentar uma segunda vaga na CPI para a oposição na Alesp, composta também pelo PSOL e pelo PC do B. Na CPI, somente o deputado Alencar Santana (PT) não pertence à base do governo paulista. 
Os deputados aprovaram os sete requerimentos que estavam na pauta da CPI entre os quais o pedido de todos os documentos do inquérito da Operação Alba Branca ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público Estadual (MPE), que desmontou o esquema de superfaturamento e pagamento de propina em convênio da Cooperativa Agrícola Familiar (Coaf) com a Secretaria Estadual da Educação no início deste ano.


"Revogada indicação de 12 membros do Conselho Nacional de Educação"

Fonte: G1 Educação
28 de Junho de 2016

Segundo MEC, decisão foi feita baseada em pareceres jurídicos. Ex-ministro Aloizio Mercadante aponta "golpe em um órgão de estado".

O presidente interino Michel Temer revogou, nesta segunda-feira (28), a indicação de 12 membros do Conselho Nacional de Educação (CNE), vinculado ao Ministério da Educação (MEC), feita pela presidente afastada Dilma Rousseff.
Uma das atribuições do conselho é o voto final para aprovação do Plano Nacional da Educação (PNE).
Segundo nota do MEC, a decisão foi feita “com base em pareceres jurídicos da Ministério da Educação, da Advocacia Geral da União e respaldados pela subsecretaria de assuntos jurídicos da Presidência da República”. O órgão afirmou que o CNE é formado por 24 membros e a renovação desses integrantes deve obedecer prazos previstos em lei. Dilma, afirma o MEC, renovou 12 dos membros antes de seu afastamento e não seguiu os prazos.
De acordo com o ministro da educação Mendonça Filho, o ato teria sido feito para "impedir que o novo governo, dentro do cronograma normal, pudesse indicar novos membros do CNE". Ainda segundo o MEC, o processo de indicação será reaberto e obedecerá os prazos legais. Caso o processo não seja concluído até a próxima reunião do conselho, na próxima semana, ela poderá ser realizada com os 12 membros atuais. 
Em nota, o ex-ministro da educação Aloizio Mercadante afirmou que a decisão do governo interino de revogar a indicação "é um golpe em um órgão de estado, responsável por discutir de forma técnica, democrática e plural as políticas nacionais de educação". 
Abaixo, confira os nomes dos doze membros que haviam sido indicados por Dilma Rousseff: 

Eduardo Deschamps
Maria Izabel Azevedo Noronha
Alessio Costa Lima
Gersem José dos Santos Luciano
Luiz Roberto Liza Curi
Maria Lúcia Cavalli Neder
José Loureiro Lopes
Antonio Carlos Caruso Ronca
Antonio Ibañez Ruiz
Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti
Luiz Fernandes Dourado
José Eustáquio Romão 

"PB tem maior taxa de matrículas no ensino superior na região Nordeste"

Fonte: G1 Paraíba
28 de junho de 2016

Por outro lado, média de anos de estudo (8,8) é a segunda pior do país.
Meta do PNE é elevar a escolaridade média para 12 anos de estudo.

A Paraíba tem a maior taxa do Nordeste de matrícula da população de 18 a 24 anos da educação superior. A informação é do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2016, que tem dados dos estados até 2014 e foi divulgado pela Organização Não Governamental Todos Pela Educação.
Segundo a pesquisa, em 2014, a taxa foi de 17,3%, maior que a média da região, de 13,4%. O segundo estado nordestino com a melhor taxa é Sergipe, com 16,1%.
Por outro lado, apesar do bom desempenho no número de matrículas no ensino superior, atualmente a população paraibana de 18 a 29 anos tem, em média, 8,8 anos de estudo. Com esse número, a Paraíba tem o segundo pior resultado do país, atrás apenas de Alagoas (8,4) e empatado com Sergipe.
A meta do Plano Nacional de Educação (PNE) é elevar a escolaridade média da população de 18 a 29 anos, de modo a alcançar no mínimo 12 anos de estudo e igualar a escolaridade média entre negros e não negros declarados à Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em relação à escolaridade média entre negros e não negros, a Paraíba ainda registra desigualdade. No ano de 2014, os brancos tinham, em média, 9,5 anos de estudo. Os pretos, por sua vez, tinham 8,3. Os autodeclarados pardos tiveram uma escolaridade média de 8,5 anos.
A taxa de alfabetização da população de 15 anos ou mais também apresentou desigualdade entre negros e não negros. Em geral, a Paraíba teve uma taxa 83,1% em 2014. Para os brancos, essa taxa foi de 87,3%, enquanto que os pretos ficaram com 80,6%. A taxa de alfabetização dos pardos foi um pouco maior que a dos pretos, de 80,9%.

"Descompasso no Ensino Médio no Amazonas"

Fonte: D24am
28 de junho de 2016

Pesquisa mostra que quase metade dos alunos (48,9%) do Amazonas não concluiu essa etapa escolar na idade correta, até os 19 anos.

Gisele Rodrigues / portal@d24am.com

Manaus - O Anuário Brasileiro da Educação Básica 2016 mostrou que quase metade dos alunos (48,9%) do Amazonas não concluiu o Ensino Médio na idade correta, até os 19 anos. Os dados utilizados na pesquisa do movimento Todos Pela Educação (TPE) são referentes ao ano de 2014.
Apenas 16,1% da população de 18 a 24 anos estavam cursando o Ensino Superior, em 2014, segundo o levantamento. Em comparação com 2013, houve um aumento de 2,4 pontos percentuais.
A responsabilidade de manter financeiramente a família, a gravidez na adolescência e o desinteresse pelas matérias apresentadas no currículo do Ensino Médio estão entre as razões que fizeram os adolescentes ficarem pelo caminho nos estudos, segundo a avaliação da diretora do Departamento de Políticas e Programas Educacionais (Deppe) da Secretaria de Estado de Educação (Seduc), Vera Lúcia Lima.
“Um dos grandes gargalos é o currículo, que eles não acham interessante pra ir para o mercado de trabalho. Precisamos de uma reformulação do currículo do Ensino Médio, para que ele possa ser mais flexível com o projeto de vida do aluno”, disse.
A situação dos estudantes que concluem o Ensino Médio sem utilizar metade do conteúdo aprendido, na vida prática e no trabalho, foi citada pela diretora, que informou que o Projeto de Lei (PL)  nº 6840/2013 busca direcionar os currículos do Ensino Médio para a profissionalização e não tão somente para o vestibular.
“A questão da gravidez na adolescência também é preocupante, porque (as estudantes) não conseguem conciliar e abrem mão dos estudos. O mesmo acontece para quem vai trabalhar e tem que fazer essa opção entre qualificar e trabalhar. Mas, depois, eles voltam quando o mercado exige a qualificação”, complementou.
Pelo PL 6840/2013, que tramita na Câmara dos Deputados, o Ensino Médio noturno deve ser articulado à formação técnica e o conteúdo deve ser o mesmo ensinado nas aulas diurnas. Na justificativa, o projeto diz que o ensino noturno deve “deixar de ser uma regra e ser exceção, ou seja, que apenas aqueles alunos que realmente tenham impedimentos que os impossibilitem de cursar o Ensino Médio diurno sejam matriculados à noite”.
A taxa de alfabetização dos alunos de 15 anos ou mais foi contabilizada em 93,8% em 2014. – uma evolução de  apenas 1,5 ponto percentual, em 13 anos, segundo o levantamento.

"Estudo aponta 'reorganização velada' no Estado de São Paulo"

Fonte: Estadão Educação
28 de Junho de 2016

165 escolas públicas deixaram de abrir turmas de início de ciclo de ensino; 53 delas estavam na lista do projeto de restruturação

SÃO PAULO - Em 2016, 165 escolas da rede estadual de São Paulo deixaram de abrir turmas de início de ciclo de ensino, ou seja, de 1ºe 6º anos do ensino fundamental e 1º ano do ensino médio, as "séries de entrada". Entre essas unidades, 53 eram apresentadas no ano passado pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) como escolas que fariam parte da reorganização escolar (seriam fechadas ou teriam o fechamento de ao menos um ciclo de ensino). O levantamento foi feito pela Rede Escola Pública e Universidade, com base em informações obtidas pela Lei de Acesso à Informação.

"Um número muito grande de escolas estava nas listas da reorganização escolar que o governo queria fazer no ano passado. A reorganização, que não ocorreu no ano passado por causa dos protestos estudantis, está sendo feita de forma velada e com impactos para a médio e longo prazo, porque estão fechando gradualmente os ciclos", disse Salomão Ximenes, professor de Políticas Públicas da Universidade Federal do ABC (UFABC) e um dos responsáveis pelo estudo.

Procurada, a Secretaria Estadual da Educação declarou nesta terça-feira, 28, em nota, que é "absurda a tese de que há reorganização velada". "Em avaliação prévia, a Secretaria da Educação detectou que o estudo apresentado pela ONG Ação Educativa (com 165 supostas escolas, ou seja, 3% das cerca de 5 mil escolas estaduais) apresenta inconsistências graves. Das supostas escolas apontadas pela análise, por exemplo, 17 pertencem à Fundação Casa e, portanto, não são escolas", informou.
A secretaria também informou que entre as 165 escolas apontadas há 15 unidades que se tornaram de tempo integral e 8 tiveram seus 1º anos do ensino fundamental assumido pelas prefeituras. 
No ano passado, a secretaria foi alvo de uma ação civil pública movida pelo Ministério Público e a Defensoria Pública contra a proposta de reorganização escolar, que previa o fechamento de 94 colégios e a transformação de 754 unidades em ciclo único, com a transferência de 311 mil alunos. 
A medida foi suspensa pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) no dia 4 de dezembro, após quase 200 escolas estaduais terem sido ocupadas e uma pesquisa do Datafolha apontar queda de popularidade do político. Em dezembro, o Tribunal de Justiça decidiu por revogar todos os efeitos da reforma na rede estadual.
"Com o fechamento das turmas em anos iniciais, a Secretaria Estadual de Educação estaria iniciando a reorganização e, portanto, descumprindo a ordem judicial", disse Salomão.
Entre as escolas que tiveram o fechamento de turmas iniciais neste ano, 40 apareciam na lista das 754 que seriam reorganizadas.
Além disso, a maior parte das turmas iniciais fechadas nas escolas são as de ensino fundamental. Ao todo, 46 escolas deixaram de ter o 1º ano do ensino fundamental 1 e 84 unidades não tiveram turmas de 6º ano do ensino fundamental 2.
"O que reforça um dos argumentos que apresentamos no ano passado sobre a motivação do governo para a reorganização: a municipalização forçada do ensino fundamental. Sem negociação ou pactuação com os municípios diretamente afetados, o Estado está fechando turmas nessa etapa", ressaltou Ximenes.
A Secretaria Estadual da Educação (SEE) disse que a análise ignora que desde fevereiro deste ano já foram abertas 656 salas novas salas e que, atualmente, "a rede dispõe de 613.000 carteiras vazias em suas escolas e que podem ser ocupadas imediatamente". "A abertura de classes está ligada à demanda de cada unidade", argumentou.
Queda de alunos. O estudo também mostrou que a rede estadual teve uma queda de apenas 1.336 matrículas de 2015 para 2016 no ensino básico regular - a rede tem mais de 4 milhões de alunos em todo o Estado. Uma das justificativas do governo Alckmin para a reorganização era a redução do número de matrículas, por causa da queda de crianças e jovens em idade escolar, a municipalização do ensino fundamental e a migração para a rede privada.
Apesar da queda de apenas 1.336 alunos nos ensinos fundamental e médio, segundo o estudo, de maio de 2015 para maio de 2016, houve uma redução de 2.404 turmas na rede estadual. Sendo que 1.954 das turmas fechadas eram de ensino fundamental e 450 do ensino médio. 
"Essa queda de matrículas não é representativa, é muito pequena e não justifica o total de turmas fechadas no Estado. Temos quase duas turmas fechadas para cada aluno a menos na rede estadual", disse Ximenes. 
O ensino médio foi o único dos três ciclos de ensino que teve aumento de matrículas em 2016 - com 38,3 mil alunos a mais. Ainda assim, teve o fechamento de 450 turmas  escolas estaduais. 
Em nota, a SEE informou que "não existe fechamento de classes, todas as turmas são abertas conforme a demanda de alunos". Informou ainda que os dados de abril mostram que houve uma redução de 107 mil alunos na rede e uma queda de 1.395 salas em todo o Estado. No entanto, a secretaria não informou porque baseou a resposta nos dados de abril ao invés de utilizar o dado mais atual de maio, que foi enviado para os pesquisadores da Rede.
Estudo. O levantamento foi feito após uma análise da resposta dada pela Secretaria Estadual de Educação à ação civil pública. Os pesquisadores consideraram a resposta insuficiente, por isso, solicitaram e obtiveram os dados do cadastro de todas as escolas estaduais por turmas, etapa e turno, relativos aos meses de maio de 2015 e maio de 2016, pela Lei de Acesso à Informação.
A Rede, responsável pelo estudo, é formada por um grupo de professores e pesquisadores das universidades do Estado (Universidade Estadual de Campinas, Universidade de São Paulo, Universidade Federal de São Paulo, Universidade Federal de São Carlos, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de São Paulo e UFABC). O grupo foi constituído em fevereiro de 2016 motivado pela reorganização escolar e os movimentos de resistência à sua implementação. 

"Ministro deve analisar Lei de Responsabilidade Educacional em agosto"

Fonte: Jornal do Brasil
28 de Junho de 2016

Legislação foi tema de conversa entre deputado Bacelar (PTN/BA) e Mendonça Filho


O deputado Bacelar (PTN/BA) se reuniu nesta terça-feira (28) com o ministro da Educação Mendonça Filho para falar sobre a Lei de Responsabilidade Educacional. Durante a conversa, foi ressaltada a necessidade da aprovação da lei que irá garantir e estabelecer padrões mínimos de qualidade na educação e a responsabilização do gestor que permitir injustificadamente o retrocesso na educação básica.
O parlamentar ressaltou que a Lei de Responsabilidade Educacional é um mecanismo para “salvar” o Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014, mas que ainda está longe de ser implementado na sua totalidade. “É preciso assumir que o PNE e suas metas não podem ser submetidos a um sistema de classificação indicativa, como acontece em programas de Televisão. O tempo do PNE é indicado para suas metas. Ignorar isso enfraquece a lei e coloca a educação em segundo plano” completou. 

Bacelar chamou a atenção de Mendonça Filho para uma pesquisa feita pelo Ibope, a pedido do movimento Todos Pela Educação, em 2013, que mostrou que 78% dos entrevistados disseram concordar que prefeitos ou governadores sejam proibidos de se candidatar por quatro anos caso os resultados na área da Educação piorem durante seu mandato. Explicou ainda que a LRE não terá apenas caráter punitivo, mas também pedagógico. “A intenção é obrigar os gestores a planejarem ações e a prestar em contas. Afinal de quem é a responsabilidade das escolas que não educam, não garantem o aprendizado e não cumprem suas atribuições institucionais por inteira falta de condições estruturais, organizacionais e funcionais?” questionou.
O ministro ouviu atentamente o apelo de Bacelar e se comprometeu em analisar a Lei de Responsabilidade Educacional até o início de agosto, quando voltam os trabalhos legislativos. 
“Estou esperançoso. Nossa intenção é que a LRE seja colocada em pauta logo no início do mês. A aprovação da Lei de Responsabilidade Educacional não pode continuar sendo uma carreira de obstáculos. Estou convencido de que o adiamento do tempo de aprovação da LRE faz parte do processo de desconstrução do Plano Nacional de Educação” finalizou Bacelar.

"A saída possível"

Fonte: El País Opinião
28 de Junho de 2016

País educado é sinônimo de nação rica e socialmente mais equilibrada



Muitas vezes somos assolados por um sentimento de impotência em relação ao futuro do Brasil. Afinal, por mais que caminhemos, parece-nos sempre que voltamos ao mesmo ponto em que a realidade de violência, corrupção e desinteresse pelo bem comum impõe-se como uma fatalidade. No entanto, há saídas e uma delas, a mais óbvia e mais duradoura, seria uma profunda mudança no nosso sistema de ensino. Não há país no mundo que tenha conseguido superar suas mazelas sem investir prioritariamente em educação. E o resultado aparece não apenas no aumento do nível cultural da população, mas reflete-se de maneira imediata nos índices econômicos. País educado é sinônimo de nação rica e socialmente mais equilibrada.

De acordo com a 
Pesquisa Internacional sobre Ensino e Aprendizagem (Talis, na sigla inglesa), patrocinada pela OCDE, 90% dos professores brasileiros dos anos finais do ensino fundamental concluíram o curso superior, mas cerca de 25% não estão habilitados a dar aulas. Apenas 40% são empregados em tempo integral (contra 82% na média dos países da OCDE) e cada um administra 34 alunos em sala (contra 24 nos países da OCDE). Além disso, nossos professores dedicam 25 horas por semana às aulas, seis horas a mais que a média dos outros países, mas, deste total, 12% são gastos em tarefas burocráticas e 20% na tentativa de impor ordem à classe.Para resolver nossos problemas devemos, antes de tudo, reconhecer que temos problemas. O Brasil mantém-se nos últimos lugares do ranking elaborado pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA) que, desde sua criação em 2000, examina os conhecimentos de estudantes de 15 anos de 64 países nos campos da ciência, matemática e leitura. Segundo dados da ONG Todos pela Educação, 78,5% dos brasileiros terminam o ensino médio sem dominar minimamente a língua portuguesa. O Instituto Paulo Montenegro, em conjunto com a ONG Ação Educativa, encontrou 38% de analfabetos funcionais – pessoas que não conseguem interpretar textos simples – entre nossos universitários, e concluiu que 73% da população adulta – de 15 a 64 anos – não é plenamente alfabetizada. No ano passado, o Brasil destinou 6,6% do Produto Interno Bruto (PIB) à educação, maior que a média dos países filiados à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 5,6%. No entanto, nosso gasto por aluno é três vezes menor - 2.900 contra 8.900 dólares. Então, o problema não é tanto o total de dinheiro destinado ao ensino público, mas a maneira como ele é gerido.
E aqui nos deparamos com o dado mais alarmante. Pesquisa da Talis mostra que o Brasil lidera os casos de violência nas escolas: 12,5% dos professores ouvidos relatou ser vítima de agressões verbais ou de intimidação de alunos pelo menos uma vez por semana, uma frequência quatro vezes maior que a média global. Segundo dados do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial de São Paulo (Apeoesp), 44% dos professores da rede pública do estado mais rico da União já sofreram algum tipo de violência em sala de aula. A hostilidade verbal é a forma mais comum (atingindo 39% dos docentes), seguida de assédio moral (10%), bullying (6%) e agressão física (5%). O estudo mostra também que quem mais sofre com a violência são os professores do sexo masculino que lecionam no ensino médio: 65% deles afirmam já terem sido agredidos.
Além de ter de conviver com a falta de infraestrutura adequada (prédios, móveis, bibliotecas, computadores), os professores ainda não contam com o apoio daqueles que deveriam ser seus principais aliados, os pais dos alunos. A educação válida, aquela que nos capacita para o exercício da cidadania, única garantia para uma sociedade democrática, tem que necessariamente ser compartilhada entre a família e o Estado. Em casa, adquirimos conhecimentos gerais e recebemos noções morais e éticas, valores que, introjetados, constituirão nosso ser pelo resto da vida. Na escola, espaço privilegiado de socialização, recebemos instrução, ou seja, somos alfabetizados, organizamos os conhecimentos gerais e exercitamos as noções morais e éticas. Apenas 12,6% dos professores acredita que sua profissão é valorizada pela sociedade, contra a média global de 31%. Esse desinteresse pelos educadores transparece no valor da remuneração de seu trabalho. A média salarial é de 2.181,00 reais para professor de ensino fundamental e 2.476,00 reais para o ensino médio por 40 horas semanais. O piso nacional, que nem todos os estados respeitam, é de 2.135,64 reais – salário quase 70% menor que o praticado nos países desenvolvidos.

"Movimento Todos Pela Educação revela que 4,5% das escolas do país têm todos os itens de infraestrutura previstos no Plano Nacional de Educação"

Fonte: Estadão
28 de Junho de 2016

Das 21 ações previstas no Plano Nacional de Educação, 13 estão em andamento

O Plano Nacional de Educação (PNE) completou dois anos no último sábado. Instituído pela Lei nº 13.005, de 25 de junho de 2014, o PNE traz 20 metas e 254 estratégias relacionadas à Educação Básica e Educação Superior, além de 14 artigos, dentre os quais alguns trazem também ações com prazos determinados.
De acordo com levantamento do movimento Todos Pela Educação, divulgado nesta segunda-feira (27), são 21 as ações que já deveriam ter sito realizadas até este aniversário de 2º ano de vigência, contando tanto os prazos que venceram em 2015, com em 2014.
Dentre esses 21 itens, apenas um foi cumprido no prazo, embora ainda demande aprimoramento, cinco deles não têm indicadores ou os que existem não têm dados atualizados que possibilitem aferir o cumprimento das metas em questão no prazo, e quinze não foram cumpridos. Daqueles não cumpridos ou cujo monitoramento indica que não serão cumpridos no prazo, 13 estão em andamento.
Apesar de ser necessário avançar com mais velocidade no cumprimento dessas ações, uma vez que elas refletem desafios que deveriam já ter sido solucionados pelo País, é importante destacar que há avanços importantes em vários itens que estão em andamento, como a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), o Sistema Nacional de Educação (SNE), e a universalização da pré-escola. Por outro lado, estratégias essenciais para a elaboração de políticas públicas estruturantes, como a definição de mecanismos de consulta de demanda por creche e dos parâmetros de qualidade da Educação Básica precisam ser colocados em andamento com urgência, para que possam ser abordados no âmbito do financiamento e do SNE.
Da mesma forma, as iniciativas que visam o estabelecimento das políticas de formação docente e de carreira do magistério não podem perder fôlego. O professor é o principal ator no processo de aprendizagem dos alunos e precisa de melhores condições de trabalho nas escolas, uma formação que lhe permita enfrentar os desafios de sala de aula, bem como uma carreira e salário atrativos.
Confira aqui o levantamento completo realizado pelo TPE, que contou com informações de uma pesquisa realizada pelo consultor Ricardo Martins, em 2015, para o Observatório do PNE.

"Secretário do MEC evita falar em prazo para conclusão do currículo nacional

Fonte: Folha de São Paulo
28 de junho de 2016

Acessar em: http://www1.folha.uol.com.br/educacao/2016/06/1786380-secretario-do-mec-evita-falar-em-prazo-para-conclusao-de-curriculo-nacional.shtml


segunda-feira, 27 de junho de 2016

"Violência é o maior problema para pais, alunos e professores da escola pública"

Fonte: El País
27 de Junho de 2016

Pesquisa conclui que, no estado de São Paulo, progressão continuada é reprovada por unanimidade. Metade dos alunos diz já ter passado de ano sem ter aprendido as matérias


Nem a falta de professores nem de estrutura. O que mais preocupa os pais, alunos e professores da escola pública do Estado de São Paulo é a falta de segurança. É o que aponta uma pesquisa realizada pelo instituto Data Popular em parceria com o Sindicato dos Professores do Estado de São Paulo (Apeoesp). De acordo com o estudo, 37% dos pais, 32% dos professores e 25% dos alunos acreditam que a violência é o maior problema da rede pública de ensino do Estado de São Paulo.
Entre os alunos, 70% afirmaram que a sua escola é violenta e 28% disseram já ter sofrido algum tipo de violência dentro da escola. Já entre os professores, 44% afirmaram já ter sido vítimas de algum tipo de violência dentro do âmbito escolar. Nesse cenário, a discriminação aparece como uma grande questão a ser resolvida. Mais da metade dos alunos, 51%, disseram já ter sofrido algum tipo de discriminação, sendo que a orientação sexual e a raça ou cor são apontados em primeiro e segundo lugar, respectivamente, como os principais motivos de discriminação, e, na sequência, origem nordestina e condição econômica.
Entre os professores, os motivos de discriminação são, primeiramente, também pela orientação sexual, em segundo lugar por raça / cor, em terceiro por gênero - no caso de professoras mulheres - e, em quarto, pela origem nordestina. O buraco na educação se reflete, inclusive, na hora de apontar os problemas desse setor. A discriminação, por si só, já é um símbolo da deseducação da sociedade.
Na sequência dos maiores problemas apontados pela comunidade escolar, aparece a polêmica progressão continuada, implementada há mais de dez anos no Estado de São Paulo e que consiste em não reprovar o aluno, ainda que ele tenha tido um rendimento insatisfatório naquele ano. Esse é o segundo maior problema da rede pública de acordo com os professores. Já os pais e alunos concordam que, seguida da violência, a falta de respeito dos alunos é o maior problema da escola pública.
A progressão continuada é reprovada por 63% dos professores, 75% dos alunos e 94% dos pais. Esse método pode ter grande influência em outro resultado: 46% dos alunos afirmaram já ter passado de ano sem ter aprendido a matéria.
"Sabemos que as questões que estão expostas na pesquisa existem, na realidade, há algum tempo", diz a presidenta da Apeoesp, Maria Izabel Azevedo Noronha. "Mas dizer que metade dos alunos não estão aprendendo, significa falar em três milhões de alunos. É mais da metade do total de alunos da rede de ensino estadual de São Paulo. Isso é muito preocupante", diz
A Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, por meio de sua assessoria de imprensa, respondeu à questão da progressão continuada afirmando que o modelo foi "aperfeiçoado" e que "as possibilidades de retenção foram ampliadas, permitindo que eventuais defasagens de conhecimento sejam corrigidas mais prematuramente".
A baixa remuneração é outra questão que dá peso para a avaliação negativa da escola pública. Segundo a Apeoesp, o piso salarial dos professores do ensino estadual é de 2.422 reais mensais por 40 horas de trabalho por semana. Com essa receita, 55% dos professores afirmaram ter outros empregos. "A nossa luta é para que o piso seja elevado para 4.300 reais", diz Noronha. Segundo a Secretaria de Educação paulista, o valor pago hoje é maior do que a média do país. "O valor do piso pago pelo Estado de São Paulo é 42% superior ao piso nacional", afirmou, também por meio da assessoria de imprensa.
A pesquisa procurou saber também quais fatores implicariam em um aumento na qualidade na educação. A esta pergunta, a resposta obteve unanimidade: Pais (34%), alunos (40%) e professores (39%) acreditam que a qualificação e o preparo dos professores são os pontos cruciais para que a educação pública tenha mais qualidade.
Questionados sobre qual nota dariam para a escola pública no país, pais e alunos não deram mais do que nota 5, entre 0 e 10. "A escola que está aí na é convidativa para o aluno. Ele não tem vontade de ficar nela”, comenta Noronha. Embora 62% dos alunos tenham afirmado que gostam de ir à escola.

#campanha

Neste fim de semana, a Apeoesp vai lançar uma campanha com o objetivo de valorizar o professor e fomentar o debate sobre a educação do Estado de São Paulo. "Queremos denunciar as condições de trabalho dos professores e mostrar que a melhora da escola pública passa, necessariamente, pela valorização do professor, conforme apontaram os alunos e os próprios professores na pesquisa", diz Noronha, sobre a campanha batizada de #SouMaisMinhaProfessora.

"Transição entre as etapas é muito malfeita"

Fonte: CBN
27 de Junho de 2016

Só aprende elementos mais complexos no ensino médio quem domina os mais simples no fundamental. Como a formação dos professores é diferentes nas etapas, gera um certo estranhamento.


Acessar em: http://cbn.globoradio.globo.com/comentaristas/missao-aluno/2016/06/27/TRANSICAO-ENTRE-AS-ETAPAS-E-MUITO-MALFEITA.htm


"Merenda gratuita alimenta uma em cada cinco crianças em escolas no mundo"

Fonte: Uol Educação
27 de Junho de 2016

  • Uma a cada cinco crianças recebe refeições quando vai estudar, revela estudo do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas
Um levantamento do PMA (Programa Mundial de Alimentos), da ONU (Organização das Nações Unidas), revelou que, em todo o mundo, uma a cada cinco crianças matriculadas em escolas recebe refeições quando vai estudar. Ao todo, segundo o estudo, 386 milhões de alunos são beneficiados por programas de alimentação escolar que contribuem para aumentar a frequência e a matrícula em instituições de ensino, além de melhorar a nutrição e a saúde.
O número engloba tanto quem depende unicamente da merenda escolar quanto quem se alimenta em casa -- e mesmo o aluno que leva uma complementação para se alimentar em casa. Da mesma maneira, entre os quatro quintos que não têm merenda na escola, há desde países com carência nesse segmento, àqueles em que as crianças e os jovens não necessitam dessa alimentação -- ou por a levarem de casa ou por terem acesso a cantinas nas unidades escolares, por exemplo.
O levantamento foi publicado pelo PMA juntamente com o Banco Mundial e a Parceria para o Desenvolvimento da Criança, da Imperial College London. Uma das 14 nações avaliadas pelo estudo, o Brasil foi elogiado por vincular a alimentação escolar à compra de produtos da agricultura local. Em todo o País, 30% do orçamento para refeições em centros de ensino deve ser utilizado para adquirir alimentos de agricultores familiares.
Para o PMA, os programas de alimentação escolar mais sólidos e sustentáveis são os executados em âmbito local e que incorporam alguma forma de benefício familiar ou comunitário, como contribuições em dinheiro ou doação de trabalho ou alimentos.
É esse modelo, na avaliação do programa, que permite à alimentação escolar ultrapassar o ambiente das escolas e beneficiar grupos tradicionalmente excluídos dessas iniciativas, como os pequenos produtores do meio rural.
Ainda conforme o levantamento,  os benefícios à saúde dos estudantes podem ser tanto de longo prazo quanto de curto prazo. Em Gana, por exemplo, as refeições servidas nas escolas são fortificadas com micronutrientes para combater a desnutrição entre os alunos. Já no Chile, os programas de alimentação escolar ensinam crianças a escolherem os alimentos mais saudáveis como forma de combate à obesidade.
Por outro lado, o relatório alertou também para a falta de informações sobre os impactos da alimentação escolar: para os autores do estudo, poucas avaliações foram realizadas sobre suas consequências para agricultores familiares, o desenvolvimento local, os hábitos alimentares e para a qualidade dos alimentos e condições sanitárias. O material ainda chama atenção para o aumento da participação de organismos privados em programas de alimentação escolar. 

"Apoio psicológico e indisciplina dos alunos são urgências de professores"

Fonte: G1 Educação
27 de Junho de 2016

Pesquisa feita pelo Ibope ouviu professores da rede pública do Brasil. Diretor da escola é aliado nas dificuldades do cotidiano, segundo levantamento.

Segundo a pesquisa, a equipe escolar é o grande apoiador do professor nas dificuldades do cotidiano em sala de aula. Ao todo, 73% responderam que o diretor é o principal aliado nesta missão; em seguida, 68% está o coordenador pedagógico. Outros professores da escola foram citados por 48% dos entrevistados.
Como solução, 50% dos professores apontaram, na pesquisa, que as secretarias da educação deveriam oferecer psicólogos para atender os alunos, e 28% apontam a necessidade de um psicopedagogo.
Acompanhamento psicológico aos alunos que necessitam e a indisciplina são as principais urgências dos professores da rede pública do ensino fundamental e médio, segundo pesquisa realizada pelo Ibope, a pedido da Fundação Lemann.
A segunda edição do levantamento Conselho de Classe traz a opinião dos professores sobre a educação brasileira. Nesta edição, pela primeira vez, também foram ouvidos professores do ensino médio.
No ensino fundamental, 23% dos professores responderam que a falta de acompanhamento psicológico para os alunos que mais precisam é o fator que precisa ser enfrentado com maior urgência. Em seguida, com 15% das respostas, aparece a indisciplina dos alunos. No ano passado, os mesmos componentes foram citados nesta mesma ordem de prioridade.
No ensino médio, a semelhança entre os resultados e a margem de erro impossibilitou a identificação da principal urgência apontada pelos professores. A falta de acompanhamento psicológico aos alunos que precisam apareceu em 16% das respostas, seguida por indisciplina com 15% e defasagem no aprendizado com 14%.
A pesquisa mostra que as prioridades se mantêm, mesmo quando avaliadas regionalmente. A falta de acompanhamento psicológico aos alunos que precisam e indisciplina são urgências para todas as etapas de ensino e regiões do Brasil, de acordo com o levantamento
Apoio aos desafios 
Se comparado regionalmente, a equipe escolar aparece com menor força na missão de apoiar o professor nas dificuldades cotidianas da escola na Região Sul. Enquanto o diretor aparece como a figura de apoio com 80% na Região Sudeste, no Sul, o índice cai para 56%, e perde para o coordenador pedagógico, que está em 60% das respostas.
Solução 
Como solução, 50% dos professores apontaram, na pesquisa, que as secretarias da educação deveriam oferecer psicólogos para atender os alunos, e 28% apontam a necessidade de um psicopedagogo