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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Livro ou apostila?

Data: 18/10/2010
Veículo: ÉPOCA
 
 
Por que tantas cidades preferem pagar para usar sistemas de ensino no lugar dos livros didáticos gratuitos - e o que isso revela sobre a educação pública

Camila Guimarães
Livro didático ou apostila? O que funciona mais na hora de ensinar crianças do ensino fundamental? A polêmica existe há algum tempo, mas ganhou força recentemente depois que o Ministério da Educação (MEC) divulgou pela primeira vez quais cidades dispensaram o livro didático, oferecido gratuitamente pelo governo. Só no Estado de São Paulo foram 143 municípios - 22% do total. A maioria deles optou pelos sistemas de ensino oferecidos por empresas privadas como COC, Positivo e Objetivo, os mesmos usados em algumas escolas particulares.
 
De acordo com uma recente pesquisa da Fundação Lemann, instituição que promove a excelência na gestão da educação, o número de cidades paulistas que adotaram os sistemas de ensino em suas escolas quase dobrou entre 2005 e 2008.
 
A intenção de tantas cidades, ao dispensar o livro gratuito e desembolsar algo em torno de R$ 300 por aluno, é melhorar suas posições no Índice de Desenvolvimento na Educação Básica (Ideb). A cidade campeã do ranking nacional divulgado neste ano, a paulista Cajuru, usa esse tipo de material. Melhorar a nota dos alunos e a posição das escolas na lista é o principal argumento da propaganda das empresas que produzem os sistemas estruturados. Há uma base para essa crença.
 
Uma pesquisa da Fundação Lemann publicada recentemente diz que 25% a mais de crianças são levadas ao nível adequado de proficiência em matemática e leitura nas escolas municipais paulistas que usam o material alternativo (leia o quadro abaixo). Esse material não se limita às apostilas. Acoplados a ela vêm o livro do professor, uma equipe técnica de educadores para treinar os professores no uso do material e fazer um acompanhamento das aulas e, em alguns casos, um portal na internet, onde alunos e professores desenvolvem atividades complementares às da sala de aula.
 
O uso das apostilas, porém, está longe de ter aceitação unânime. Uma corrente de educadores as considera simplificadoras da realidade das aulas, com um possível efeito nefasto de "robotizar" os professores. Um poderoso argumento contra o sistema estruturado é que ele não é usado de forma abrangente em nenhum dos países com melhores resultados no ensino. Por que então seriam a solução no Brasil?
 
Essa discussão camufla o fato de que nem a apostila nem o livro didático, isoladamente, determinam se um aluno aprende mais ou menos. Há fortes indícios de que os sistemas de ensino funcionam por motivos que vão além da qualidade técnica. Nas cidades paulistas que usam o material apostilado há pelo menos cinco anos, o aparato que vem junto - e a forma como a rede se organiza para usá-lo - explica melhor por que algumas conseguem ganhar posições no Ideb. Esse aparato acaba organizando a casa: da sala de aula às estratégias de política pública da cidade. "A discussão que vale a pena é sobre a constatação do caos na escola pública", diz Paula Louzano, economista responsável pela pesquisa da Fundação Lemann. "Ele é tão grande que, com o mínimo de organização e um material minimamente estruturado - e às vezes de qualidade duvidosa -, os alunos aprendem mais."
 
Além de a apostila servir como uma espécie de currículo, cada aluno pode ter a sua.Não é que as apostilas sejam excelentes - em muitos casos elas são fracas -, mas, em relação ao desastre do ensino em geral, elas se destacam. Para começar, as apostilas são usadas como plano de aula dentro das classes. O conteúdo é apresentado como um passo a passo, tem a linearidade que o livro didático não traz (porque é usado de outra forma) e de algum modo obriga o professor a não pular etapas. Junte-se a isso o acompanhamento que é feito pela equipe técnica das empresas de ensino e chega-se a uma fórmula que completa o que falta na formação dos professores.

"As apostilas norteiam meu trabalho, fica bem mais fácil planejar as aulas", diz Carla Bortoluci, professora de matemática para alunos de 5a a 8a série na rede municipal de Itapeva, São Paulo. Outra vantagem: fica mais fácil acompanhar e cobrar do professor a matéria que deve ser dada.
 
Além de a apostila servir como uma espécie de currículo a ser seguido, cada aluno tem a sua - uma "regalia" nem sempre garantida pelo livro didático. Primeiro, porque o número de livros entregue não bate com o número de crianças, já que o MEC se baseia no censo escolar do ano anterior para calcular a entrega. Segundo, porque o livro didático não é consumível em algumas das séries do ensino fundamental. Ele não pertence ao aluno. Por isso, não pode ser levado para casa. O livro fica na escola para ser usado por alunos de outro período. Com seu próprio material, a criançada não perde tanto tempo fazendo anotações no caderno e sobram minutos valiosos para prestar atenção no que o professor diz. Exercícios e lições de casa feitos na própria apostila ajudam o professor a enxergar falhas no aprendizado. "Eu tenho mais visibilidade de onde cada um vai mal, em comparação com o colega do lado", afirma Carla. "E a partir daí vou procurar exercícios extras ou outras atividades para reforçar a lição, sem precisar ficar presa na apostila."
 
Mesmo quem usa o livro didático aponta a vantagem de ter uma apostila por aluno. Diadema, cidade da Grande São Paulo que optou pelo livro didático, decidiu desembolsar dinheiro para comprar livros extras, de modo a complementar a encomenda do MEC e distribuí-los a todos os alunos (mesmo pagando até cinco vezes mais do que o MEC paga s por livro). "Anotações no caderno geram perdas pedagógicas significativas, porque interferem na organização do tempo da aula", afirma Lúcia Couto, secretária de Educação da cidade.
 
Fora da sala de aula, o sistema de ensino ajuda a organizar a política de educação das redes, que muitas vezes não têm planejamento claro e objetivo. Um dos principais motivos dos gestores das redes para adotar as apostilas é fazer todas as escolas trabalhar com o mesmo material. Isso facilita a formatação de cursos de treinamento de professores. Em Itapeva, a Secretaria tem um centro de formação de professores que trabalha junto com a equipe de educadores do sistema. "O grande desafio, independentemente do material usado, continua sendo a formação do professor", diz Selma Cravo, secretária de Educação de Itapeva, que também usa o livro didático, mas para as séries iniciais do ensino fundamental. A cidade está entre as melhores notas do Ideb de sua região.
 
O argumento pedagógico por trás dessa estratégia é que, quando há alinhamento entre o conhecimento do professor e o conteúdo do material didático, o desempenho do professor melhora. "As apostilas não são perfeitas", diz Paulo Magri, secretário municipal de Novo Horizonte, São Paulo, que as usa desde 2005. "O que faz diferença é acompanhar o desempenho das escolas e dos professores." Novo Horizonte tem o segundo melhor Ideb de 5a a 8a série do Estado e o quinto do país. Nas séries iniciais, sua nota é 6,5, maior do que a meta para 2021. Isso funciona também para quem usa o livro didático. Em Jacareí, que usa o material do MEC, o secretário de Educação emplacou uma resolução municipal para garantir que todas as escolas encomendassem ao governo o mesmo livro didático para cada série e cada disciplina. A escolha foi feita em um fórum com todos os representantes das escolas municipais, que levaram a plenário as escolhas de seus professores. "O ganho no gerenciamento pedagógico é gigantesco", diz o secretário João Roberto de Souza. A melhora de Jacareí no Ideb neste ano foi acima da média nacional.
 
Para muitos educadores, isso também é discutível. "A formatação das aulas para melhorar o uso do tempo dentro da sala é uma resposta pedagógica pobre para o aprendizado", diz Romualdo Portela, professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). O grande receio é em relação à padronização do ensino. "O risco é ignorar as diferenças entre escolas e dentro de uma mesma escola", diz Theresa Adrião, da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp). Theresa pesquisou o avanço do uso dos sistemas de ensino nas escolas municipais de São Paulo e chegou a uma conclusão oposta à dos gestores que defendem as apostilas. "O desempenho do professor é prejudicado. Quanto mais o professor for "desresponsabilizado" de sua tarefa, dado que tudo vem programado por terceiros, menos dele a sociedade poderá exigir."
 
O que todos parecem concordar é que as apostilas não são a solução definitiva para melhorar a qualidade do ensino público. Não há casos em nenhum lugar do mundo de países que melhoraram sua educação usando materiais estruturados. "É claro que é um remendo", diz Paula, da Fundação Lemann. Mas, enquanto o país não investe o suficiente na formação para professores e gestores da educação, é natural que as redes de ensino busquem o razoável para combater o péssimo.
Desenhos de 20 alunos de escolas municipais de SP ilustrarão cadernos
18/10/2010
Competição incluiu cerca de 950 mil estudantes, segundo a secretaria.

Vencedores farão visita guiada à Biblioteca Mário de Andrade.


A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo selecionou desenhos de 20 estudantes da rede de ensino para ilustrar capas de cerca de três milhões de cadernos do material escolar 2011.
 
Esta é a segunda edição da competição, que teve cerca de 950 mil participantes a partir de quatro anos, da educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), segundo a secretaria. O tema dos desenhos era “O melhor lugar do mundo é...”.
 
Os 20 melhores participarão de uma visita monitorada à Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo, nesta terça-feira (19). Os estudantes participarão ainda de uma cerimônia na prefeitura.
 
Segundo a secretaria, a seleção foi feita primeiramente pelas escolas, depois pelas diretorias regionais de educação e, por último, por uma comissão que incluiu representantes da secretaria, do parque Playcenter, do Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), do Museu da Língua Portuguesa, do Museu de Arte Moderna (MAM) e da Companhia das Letras.
 
Veja os nomes dos 20 vencedores:

Amanda dos Santos Leite
Jhonnatan Gomes de Lima
Jakellyne Soares da Rocha
Samuel Alexandre Nascimento
Vitor Gabriel Prado Caldeira
Carina Araujo Teixeira
Giovana Maria dos Santos Serafim
Jeferson Francisco dos Reis
Larissa Nadja C. Santos
Yasmin Bitencourt Caldas
Jalila P. de Lima
Karina Castro Fornazário
Maria Paula da Silva
Nathalli Nascimento dos Santos
Rachel Rossetti Rodrigues Barbosa
Alfredo Soares de Carvalho Junior
Bruno Zochi da Silva
Edson Arimateia Garcia
Ezequiel dos Santos Grilo
Moises José da Silva

sábado, 16 de outubro de 2010

ALUNOS DAS ESCOLAS DA REDE ESTADUAL COMEÇAM A RECEBER LIÇÕES DE MPB
16/10/2010
 
Estado teve o índice de 2,8 no Ideb no ano passado, o segundo pior do país
Fonte: O Globo (RJ)
 


Letícia Vieira* 
As escolas estaduais do Rio começaram a ensinar aos alunos do ensino médio a história da música popular brasileira (MPB), atendendo a uma lei federal. As aulas seguem a metodologia do Projeto MPB nas Escolas, do Instituto Cultural Cravo Albin. Em 2009, o Estado do Rio teve o segundo pior Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) no país - 2,8 -, ficando atrás apenas do Piauí. A média nacional é 3,6. 
 
Em maio, professores de 16 colégios estaduais receberam capacitação para utilizar o material pedagógico, que inclui CDs e DVDs com depoimentos e gravações de grandes nomes da nossa música. A iniciativa está sendo multiplicada para outras 800 escolas, que também receberão o kit. 
 
Segundo a subsecretária de Comunicação e Projetos Especiais, Delânia Cavalcante, o MPB nas Escolas está ajudando a rede estadual a se preparar para o cumprimento da lei 11.769, de 2008, que determinou o ensino de música na Educação básica: 
- Acreditamos que levar o ensino da música brasileira de forma transversal, com o tema abordado em todas as matérias, seria a forma ideal. O material do projeto permite, por exemplo, que um professor de história prepare uma aula sobre o golpe de 1964 através da história dos festivais de música. 
 
Rede municipal começa a fazer matrícula pela internet 

Hoje, pela internet, começa a matrícula para a rede municipal. Até o dia 28 de novembro, a inscrição deve ser feita pelo site www.matriculadigital.rioeduca.rio.gov.br. 

A pré-matrícula é necessária para alunos novos da pré-escola (a partir de 4 anos), do 1º ao 9º anos, da Educação especial e do Programa de Educação de Jovens e Adultos (Peja). Crianças e adolescentes que já estudam nas escolas municipais e desejam se transferir de unidade também precisam fazer a inscrição pela internet. 
 
Para quem não tem computador, a Secretaria municipal de Educação do Rio porá à disposição 25 pontos de acesso gratuito à internet nas escolas e nas Coordenadorias Regionais de Educação (CREs). 

* do Extra

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Investimentos dos Municípios em Educação cresceram em 2009

 
Data: 14/10/2010
Veículo: PORTAL A Z
Os Municípios brasileiros têm investido mais do que é sua obrigação em Educação, de acordo com levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM). Também os porcentuais de investimento das administrações municipais na remuneração do magistério foram acima dos definidos pela Constituição.
Conforme indicam as informações obtidas pela CNM, em 2009 a média dos investimentos em Educação foi de 29,1% em 5.358 Municípios. Além disso, 5.333 prefeituras aplicaram, em média, 73,3 % do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) com o pagamento de remuneração do magistério. Isso representa 13,3% a mais que o definido na Constituição, segundo os dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em Educação (Siope), do Ministério da Educação (MEC).
O investimento aplicado acompanha o esforço dos Municípios em melhorar a qualidade do ensino oferecido na rede municipal, destaca a CNM. Nos 2.709 Municípios que atingiram em 2009 a meta do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das séries iniciais para 2011, a média dos investimentos em educação foi de 28,3%. Já nos 1.487 Municípios que alcançaram a meta das séries finais, o porcentual das receitas municipais destinadas ao ensino foi de 28%.
 
Empenho
A CNM ressalta o empenho da gestão municipal no atendimento educacional, embora reconheça que o desafio em assegurar a qualidade da educação pública continua grande. Por esta razão, o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, reafirma: "se faz cada vez mais necessária a efetivação do regime de colaboração, especialmente em relação à participação da União na Educação Básica".
"Só assim será possível obter índices mais elevados de qualidade, sem comprometer os investimentos da gestão municipal com outras áreas além da educação", afirma Paulo Ziulkoski.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Máquina de camisinhas chega às escolas públicas em 2011
Projeto dos ministérios da Saúde e Educação começa a ser testado em janeiro em seis instituições de ensino

Lívia Machado, iG São Paulo | 13/10/2010 18:22

Em vez de balas, biscoitos e salgadinhos, máquinas em seis escolas públicas do Ensino Médio dos Estados de Santa Catarina, do Distrito Federal e da Paraíba oferecerão dois tipos de preservativos. A partir de janeiro de 2011, os alunos dessas instituições poderão retirar, gratuitamente, por meio do código de matrícula e uma senha individual, camisinhas.
ENQUETE
Top of
Você é a favor da distribuição de preservativos nas escolas?
Sim, ajuda na educação sexual e prevenção de doenças
34%
Porcentagem
Não, o acesso a camisinhas na escola incentiva a prática sexual
66%
Porcentagem
Bottom of Form
A inovação tecnológica – e na prática da educação sexual – faz parte do projeto piloto do Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE), realizado pelos ministérios da Saúde e Educação, para reduzir a vulnerabilidade de adolescentes e jovens às doenças sexualmente transmissíveis (DST), à infecção pelo HIV e à gravidez não-planejada. Serão fornecidos preservativos masculinos, com duas opções de largura.
A ideia, explica a assessora técnica do departamento de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais do Ministério da Saúde Ellen Zita, é “atender às necessidades dos adolescentes” e fazer com que a escola seja um canal de enfrentamento aos problemas sociais vividos pelos jovens. “O que for necessidade do adolescente deve ser atendido. A escola tem condições de abrigar e distribuir o preservativo.”
Para oferecer tal serviço, as instituições precisam participar do Programa Saúde e Prevenção nas Escolas, responsável por capacitar educadores e estabelecer um projeto pedagógico voltado à educação sexual. A entrada da máquina também depende da aceitação da comunidade escolar.
O interesse em participar é voluntário – depende da vontade de cada escola – e deve ser comunicado ao Ministério da Saúde. Caberá às secretarias da Saúde o abastecimento e controle do material. Ellen afirma que ainda não foi definido o número de preservativos que cada aluno terá direito a retirar e nem a frequência com que poderá recorrer à máquina.
“Esta parte será definida após o projeto piloto. Os responsáveis pelas instituições farão esse controle e distribuição de fichas ou senhas aos alunos.”
Pesquisa mostra aprovação da iniciativa
Uma pesquisa encomendada à Unesco pelo governo, publicada em 2007, revelou a boa aceitação de pais, professores e alunos aos preservativos nas escolas. Embora alguns setores acreditem que este tipo de ação do programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) possa incentivar a prática sexual entre os alunos, a disponibilização do preservativo no ambiente escolar foi considerada “uma ideia legal” para 89,5% dos estudantes e 63% dos pais consultados. Apenas 5,1% dos alunos, 6,7% dos professores e 12% dos pais pesquisados acham que essa “não é função da escola”.
Na avaliação do Ministério da Saúde, os números mostram que, quando a iniciativa é atrelada a um projeto pedagógico e há discussão com a comunidade escolar, a distribuição de camisinha nas escolas é bem aceita. “As máquinas são ferramentas para facilitar ainda mais o acesso do estudante à camisinha”, afirma Ellen.
O principal motivo alegado por 42,7% dos estudantes para não usar o preservativo é não tê-lo na hora “H” e 9,7% deles declararam que não têm dinheiro para comprá-lo. O estudo revelou que 44,7% dos estudantes têm vida sexual ativa. Em relação ao preservativo, 60,9% dos estudantes declaram ter usado na primeira relação sexual e 69,7% fizeram uso na última.
O provável hiato entre a distribuição gratuita e a garantia do uso não preocupa o governo. Segundo Ellen, o projeto aborda as necessidades coletivas dos jovens, não o controle individual. “Não fazemos pesquisa comportamental dentro da escola. Serão os indicadores de evasão escolar por gravidez, redução nas infecções sexuais que vão nos mostrar o sucesso ou fracasso de tal iniciativa (no caso, a máquina de camisinhas).”
Criar um mercado paralelo de venda de camisinhas ou permitir que tal contraceptivo seja usado de forma lúdica - como um brinquedo dentro do ambiente escolar - também não diminui as expectativas positivas do governo. “Não trabalhamos com hipóteses negativas. A ideia é progressista, positiva. Toda iniciativa corre risco de desvio. Debateremos isso quando acontecer.”

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Escola barra aluno que não usa uniforme
12/10/2010
 
Colégios estaduais exigem uso da roupa, o que é proibido; alunos afirmam que já foram advertidos por escrito
 
Secretaria da Educação diz que apura casos; na zona sul, pais e alunos dizem que venda é feita dentro da própria escola
 
TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO

RAPHAEL MARCHIORI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Renato (nome fictício), 14, foi barrado na porta da escola Stefan Zweig, na zona leste, onde estuda. O aluno da 8ª série conta que estava sem o uniforme e, por isso, ficou sem assistir as aulas do dia.

O episódio aconteceu no início deste mês e exemplifica uma prática irregular que escolas estaduais de São Paulo têm cometido: a de barrar ou constranger alunos pela falta do uniforme.

Além da escola da zona leste, o uso do uniforme é obrigatório em ao menos três outras escolas da zona sul - a Secretaria Estadual da Educação diz que apura os casos.

Quem não tem uniforme, ou é barrado ou tem o nome anotado em uma lista e os pais são chamados. Há casos de alunos que dizem terem sido advertidos por escrito por descumprirem a regra.

Na Stefan Zweig, os pais têm de desembolsar, no mínimo, R$ 75 -preço do conjunto composto por camiseta, calça e blusa de moletom.

Já na Leopoldo Santana, no Capão Redondo (zona sul da cidade), a camiseta branca com golas azuis obrigatória custa entre R$ 15 e R$ 17 (a tipo polo).

A escola, ainda segundo pais e alunos, comete outra irregularidade: vende o uniforme dentro do colégio. A carteirinha, outro item obrigatório, também é vendida na escola por R$ 13.

Os alunos que se recusam a usar uniforme são obrigados a voltar para casa para buscá-lo. Os que não têm a carteirinha até conseguem entrar pelo portão dos fundos, mas, para sair, têm que esperar todos os outros colegas saírem antes.

Os estudantes dizem que os reincidentes chegam a levar advertência, fato confirmado pelo coordenador da escola Emerson Lima.

No mês passado, a direção da escola foi afastada temporariamente por irregularidades na atribuição de aulas. Desde então, parte dos alunos passou a deixar o uniforme em casa.Na Professora Maud Sá de Miranda Monteiro, também no Capão Redondo, o uniforme também é obrigatório.

A mãe de um aluno do 5º ano do fundamental diz que o conjunto (com camiseta, blusão e calça) custa R$ 60, valor que não é parcelado.

"E temos que comprar dois, por que uma hora precisamos lavar. Se o governo quer obrigar, ele que forneça o uniforme", diz ela, que há dois anos tirou o filho de uma escola particular porque ficou desempregada.

Na Professor João Silva (zona sul), não há uniforme, mas a camiseta branca é obrigatória. A direção telefona para os pais dos que ignoram a regra e pede para que eles levem a roupa no mesmo dia.

ILEGAL
Proibir a entrada de estudantes por falta de uniformes ou carteirinhas é ilegal, afirma Cesar Calegari, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. As escolas não podem impedir a entrada de estudantes, nem submetê-los a atitudes discriminatórias.

"A escola até pode sugerir o uso, mas essa obrigatoriedade não tem base legal."
Segundo ele, as escolas também não podem vender o uniforme, pois não podem fazer transações financeiras.
QUAL É O PAPEL DA UNIÃO, DOS ESTADOS E DOS MUNICÍPIOS NA EDUCAÇÃO?
12/10/2010

Saiba o que a Constituição diz sobre as responsabilidades de cada ente federado

 
Simone Harnik

Da Redação do Todos Pela Educação

Qual é o papel da União, dos Estados e dos municípios na Educação? Segundo a Constituição Federal, a nossa lei maior, a Educação é um direito social, assim como a saúde, o trabalho, a moradia. Mas quem é o responsável por garantir o ensino de qualidade para todos? O próprio documento traz algumas respostas para estas perguntas.
 
No entanto, segundo o professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação (CNE), Carlos Roberto Jamil Cury, "há várias zonas cinzentas no atual sistema de Educação".
 
Uma das principais indefinições, aponta o professor, é a atuação da União, descrita como "supletiva" na Constituição, ou seja, "que completa, que serve de complemento", segundo uma das acepções no dicionário Aulete. "A União tem de ter um papel de protagonista na Educação brasileira." 
 
Obrigações da União

De acordo com o texto constitucional, a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios têm de se organizar para a oferta da Educação. Essa ordem, entretanto, não está plenamente estabelecida, diz Cury. Também faltam os mecanismos de colaboração entre as diferentes esferas de poder.

Entre as obrigações estabelecidas da União estão o financiamento das instituições de ensino públicas federais e a redistribuição de recursos para garantir oportunidades educacionais com um padrão mínimo de qualidade para todos.
O investimento mínimo obrigatório é de 18% das receitas de impostos. Em 2010, 5% desse total pode ser retirado da Educação pela Desvinculação de Receitas da União (DRU). A partir de 2011, o percentual obrigatório para atividades educacionais será integral.
 
Estados e municípios

Os estados e o Distrito Federal devem atuar prioritariamente no Ensino Fundamental e no Médio. Já os municípios, no Ensino Fundamental e na Educação Infantil. Assim, parece haver, pelo texto da Constituição, uma sobreposição: tanto estados quanto municípios são responsáveis pelo Ensino Fundamental e, se não houver um regime estabelecendo as funções de cada ente, a qualidade da Educação ofertada corre riscos.

Estados e municípios devem aplicar, obrigatoriamente, no mínimo 25% das receitas de impostos na Educação.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Eles poderiam pagar, mas colocaram o filho em escola pública

Embora raros, há casos de famílias de classe média e alta que preferem matricular as crianças em instituições públicas

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 11/10/2010 07:00

Como a maior parte dos irmãos em idade escolar, Ian, de 11 anos, e Ana, de 14, têm rotina muito parecida. Ambos estudam em tempo integral e além do currículo comum fazem aulas de artes e esportes na escola que frequentam. A diferença é que a instituição particular na qual ele estuda custa R$ 800 e a dela é pública. “Para a gente, o dinheiro nunca foi o fator determinante”, diz o pai, o psicólogo Mauro Fini.
A família faz parte de um pequeno grupo que, embora tenha condição financeira de bancar escola particular, prefere uma pública – possibilidade desconsiderada pela maioria dos integrantes das classes A e B. Em alguns casos, o motivo é a admiração por uma unidade diferenciada, em outros, a decepção com o sistema privado e, quase sempre, há uma dose de ideologia e politização.
“Eu e minha mulher estudamos em escola pública a vida inteira e não tínhamos reclamações”, afirma Fini. Ainda assim, os filhos foram matriculados primeiro no sistema privado, mas como as crianças mostravam pouco interesse pelos estudos, a opção foi revista. “Tentamos duas particulares e via nelas mais performance visual do que preocupação pedagógica. Sentíamos falta do que tivemos na nossa infância”, conta.
Só então, ele e a esposa foram conhecer as escolas estaduais próximas ao Sumaré, bairro onde moram em São Paulo. “Quando vimos os corredores e as salas sem nada demais, primeiro foi um pouco chocante, mas depois pensamos que o que importaria seria o ensino e que era hora de tentar”, disse.
Ana, que ingressaria na 5ª série, foi matriculada na EE Carlos Maximiliano Pereira dos Santos, passou a se interessar mais pela escola, entrou para o grupo de teatro e agora está prestes a se formar no 9º ano.
 
Ian foi para a EE Faria Lima, não gostou e, após um ano e meio, foi transferido para uma privada. “O que me importa é que cada um está feliz onde está. As pessoas acham que, porque pagam, o serviço é bom, e perdem a oportunidade de conhecer algo que pode, ou não, ser até melhor”.
“Todos já pagamos pela pública”
 
A mesma escola que não agradou Ian Fini tem feito sucesso com seu xará Ian Cabral, de 8 anos, e o irmão mais velho Arthur, de 10 anos. Os dois frequentaram instituições particulares renomadas no Rio de Janeiro e em São Paulo e, para a surpresa da mãe, Vanessa Cabral, não aprenderam o esperado. Cansada de questionar a metodologia dos colégios privados, ela passou e se perguntar por que não tentava o sistema público. “Embora me sentisse bem indo buscar as crianças ao lado de atrizes globais, tive que procurar outra opção e pensei: todos já pagamos pela escola pública, se usássemos pelo menos poderíamos criticar com propriedade”, conta a criadora do blog Escola Pública Não É De Graça.

Na nova instituição, ela encontrou defeitos e qualidades, mas o que a surpreende é a reação dos amigos de classe média e alta. “Ouvi outro dia: você não tem nojo? Essas escolas do governo parecem tão sujas. Você deixa seus filhos comer a comida da escola? Não tem medo que peguem doença? Eu aguento porque chego em casa e eles vem me contar animados o que aprenderam.”
“Particular é para milionário ou problemático”
A produtora Danae Stephan confessa que já teve o mesmo preconceito relatado por Vanessa. Desde que Alesio, hoje com 8 anos, nasceu, ela só pensava em qual particular matricularia o filho, mas o ex-marido, que é italiano, não conseguia entender e achava que aquilo privaria a criança de ter contato com o mundo real. “Para ele, que tem a visão europeia do assunto, o sistema privado é só para milionário e crianças com muitos problemas de comportamento”, lembra.
Relutante, ela começou a prestar atenção nas públicas e conheceu a Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Amorim Lima, no bairro Butantã, em São Paulo, escola em que turmas de séries diferentes trabalham juntas e os alunos têm grande autonomia. “Ele ainda nem estava na idade e eu já reservava a minha vaga”, conta.
Danae e Alesio gostaram tanto da escola que mudaram de endereço para ficar próximos dela. “Morava no Alto de Pinheiros e todos os dias perdia uma hora para levar e outra para buscar. Quando venceu o contrato do meu aluguel, não tive dúvidas, fui morar lá perto.” A empolgação contaminou a irmã e parceira de trabalho, Dafne Stephan, que transferiu o filho Carlos Eduardo, de 11 anos, de uma instituição particular para a escola municipal. “Aqui é muito mais legal”, afirma o menino. “Não fico copiando da lousa, e sim escrevendo o que entendo e a gente aprende com os amigos que pensam de outro jeito e chega a um acordo”, diz.
Dafne afirma que percebe dificuldades estruturais, mas o ganho em diversidade compensa. “Não quero criar meu filho em uma redoma. Fico muito feliz que ele tenha oportunidade de entender pessoas com vida diferente e eu mesma, que passei a participar bastante da escola, também ganhei”, conclui Dafne.
Preocupações que norteiam escolha
Para a mestre em sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Caren Ruotti, a maior parte dos pais que podem preferem pagar particular por garantias de qualidade que a pública não oferece. “Eles acompanham aprovação no vestibular e as avaliações e não querem arriscar dar menos chances para seus filhos”, diz. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2009, por exemplo, a média do sistema privado para a 4ª série é de 6,4, dois pontos acima da rede pública.
O Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro é uma exceção que comprova a regra. Pais de classe média entram na fila ao lado dos mais pobres para disputar uma vaga por sorteio na escola pública que obteve nota 7,1 no mesmo Ideb. “Se não fosse sorteada, colocaria meus filhos em uma particular”, diz a psicóloga Patrícia Tavares de Oliveira Simões. “Só estão lá porque é uma escola muito diferenciada, com professores ótimos e muito bem formados. Não acredito que possa encontrar isso em uma municipal ou estadual comum”. 
Filho de secretário de educação em escola pública é raridade

A pedido do iG, a União Nacional dos Dirigentes perguntou a 200 secretários quem tinha filhos na rede, mas só dois responderam

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 11/10/2010 07:00

Encontrar um gestor de rede pública de ensino satisfeito o suficiente com as escolas a ponto de matricular os filhos não é tarefa fácil. O iG pediu indicações ao Ministério da Educação (MEC), às secretaria estadual e municipal de Educação de São Paulo e à União Nacional dos Dirigentes de Educação (Undime), que repassou o pedido a 200 secretarias de Educação de todo o país. Só este último órgão indicou dois casos.
A primeira a responder foi Tereza Cristina Cerqueira da Graça, secretária municipal de Aracaju, capital do Sergipe, que mesmo com muitas adversidades insiste em acreditar na capacidade da escola pública. Ela começou a tentar manter um filho na rede há duas décadas, quando ainda era professora e seu primogênito, hoje com 29 anos, iniciou os estudos. “Tentei por dois anos, ele não gostou, achava muito bagunçado e acabei colocando na particular”, conta. O filho do meio estava entrando na escola nesta época e foi direto para o sistema privado.
Em 2008, quando ela já era secretária, o caçula completou sete anos e foi matriculado em uma unidade pública. “Sempre achei que como educadora eu tinha que insistir, mais ainda como gestora do sistema”, diz. O menino foi reprovado duas vezes e até o começo deste ano não estava bem alfabetizado. “Eu cheguei a tentar ajudá-lo em casa, mas ele só reconhecia as letras, então o coloquei em uma escola, também municipal, bem mais longe de casa, mas com uma professora boa que conheço há muito tempo e em uma turma de aceleração apoiada pelo Instituto Ayrton Senna. Só de táxi para transportá-lo gasto uns R$ 400 por mês”, relata. O garoto, agora com 10 anos progrediu, já lê e escreve.
 
Para o próximo ano, Tereza confessa que ainda não sabe o que fará. “Confio nessa professora atual e estou pesquisando as possibilidades depois dela. Se eu achar alguém bom, vou mantê-lo na pública, mas caso não encontre pode ser que decida por uma particular”, diz.
No interior, todos estudam juntos
Luiz Cláudio Zóboli, secretário municipal de Conceição do Castelo, no interior do Espírito Santo, também matriculou o filho em uma escola da rede que administra. “Aqui filho de médico, advogado, agricultor e operário estudam juntos”, diz. A cidade tem 12 instituições públicas e duas particulares.
“Eu e minha mulher somos professores e confiamos nos nossos colegas. Além disso, na comparação acho que a pública é melhor não por aspectos científicos, mas pelas relações que são mais humanas, as crianças estudam do lado de casa e se percebem como parte da comunidade”, conta.
A mestre em sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Caren Ruotti, concorda com o secretário e lista outros benefícios da heterogeneidade. “A criança e os pais aprendem a respeitar mais as diferenças e não crescem com medo do outro, que é cada vez mais comum nas grandes cidades. A escola também ganha, pois os pais com maior renda normalmente fazem exigências diferentes e são mais incisivos na cobrança por seus direitos.”

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Cineclubes chegam às escolas de Ensino Médio do DF

 
Data: 08/10/2010

Veículo: CLICABRASÍLIA
Editoria: ÚLTIMAS NOTÍCIAS
Trinta dias. Este é o prazo estimado para que sejam inaugurados cineclubes em todas as escolas de Ensino Médio do Distrito Federal. Professores dos centros de ensino participam, nesta semana, de uma capacitação em cineclubismo e serão os monitores do projeto. Os equipamentos de projeção e som já foram comprados e devem chegar em um mês.
"Só falta chegar o projetor para inaugurarmos o primeiro cinema de Ceilândia", entusiasma-se a vice-diretora do CEM 3 de Ceilândia, Magda Rejani Pereira Bonfim. No final de junho, o auditório do colégio, que tem capacidade para 300 pessoas, foi o local escolhido para a formalização da cooperação entre os governos federal e do DF, com vista a implantação dos cineclubes. O governador Rogério Rosso e o ministro da Cultura, Juca Ferreira, assinaram o termo. "A cultura é fundamental na formação do ser humano e os filmes e debates propostos ajudarão na preparação dos alunos para a faculdade", disse Rosso, na ocasião.
Cento e setenta e quatro professores, das 87 escolas de ensino médio do DF, participam até sexta-feira (8) de cinco oficinas de capacitação em cineclubismo, em um hotel de Brasília. O conteúdo é voltado à criação e manutenção de um cineclube nas escolas, com o envolvimento e a participação da comunidade. Temas como programação, divulgação, debates das sessões, história do cinema e linguagem cinematográfica, fazem parte das oficinas.
Mais do que disponibilizar equipamentos audiovisuais de projeção digital, além de obras cinematográficas brasileiras para exibição, o projeto Cine Mais Cultura quer proporcionar à comunidade escolar um ambiente favorável ao desenvolvimento de práticas pedagógicas por meio de recursos audiovisuais.
O Ministério da Cultura está investindo, no DF, R$ 1,3 milhão em equipamentos de projeção digital, DVDs de produções nacionais e realização de oficinas de capacitação destinadas a professores e representantes da comunidade. "Queremos fazer um trabalho criterioso para que esse projeto nas escolas do DF possa ser um modelo aplicado em todo o país", explica Frederico Cardoso, coordenador-executivo do programa.
 
Primeiro cinema da Ceilândia
O CEM 03 de Ceilândia é a escola mais antiga da cidade, tem 40 anos. Agora, promete sediar também o primeiro cinema da localidade, no formato de cineclube. Além dos 3.200 alunos da escola - que se dividem em 72 turmas nos três turnos - a comunidade também vai poder usufruir da sala de projeção.
A presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, Dora Mourão, entidade que também é parceira no projeto, destaca que desenvolver projetos voltados para a cultura, nas escolas, é muito importante. "Teremos um aluno com olhar mais crítico, humanista e preparado para o debate", disse.
O Cine Mais Cultura já foi implementado em mais de 800 locais em todo o país, por meio de editais e convênios estabelecidos com prefeituras e a sociedade civil. A meta é alcançar a marca de 1,6 mil até o fim do ano. Esta é a primeira vez que o programa será implementado em grande escala com um propósito pedagógico complementar à filosofia cineclubista.
Dados do Ministério da Cultura mostram que as salas comerciais de cinema estão concentradas em apenas 8% do território nacional. Por isso, a maioria dos filmes produzidos no país permanece inédita para grande parte da população. A ação quer facilitar o acesso das comunidades às obras audiovisuais brasileiras.
 
Kits projeção
Cada uma das 87 escolas do Ensino Médio do DF receberá, em 30 dias, kits de projeção compostos por: uma tela para projeção, um projetor de vídeo, um aparelho leitor de DVD, uma mesa de som de quatro canais, caixas não amplificadas, um amplificador e dois microfones sem fio.
Além disso, são fornecidos gratuitamente 104 DVDs do catálogo da Programadora Brasil, realizado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. De acordo com a iniciativa, filmes e vídeos nacionais são encartados em DVD e licenciados para exibição pública, por meio de permissão de uso. Ao longo de dois anos, cada cineclube poderá solicitar até 12 programas por trimestre de trabalho e fazer uma nova solicitação após a entrega de relatórios das atividades.
Cada cineclube ainda deve destacar duas pessoas que atuarão como monitores. É obrigatória a efetiva realização de, no mínimo, uma sessão semanal fixa, ou seja, sempre no mesmo local, dia da semana e horário.
 
O que é um Cineclube?
"Cineclube é uma organização de pessoas que se unem para a apreciação de obras cinematográficas de forma coletiva. O caráter democratizante e participativo é inerente as várias etapas desta atividade. O caráter participativo se dá desde a escolha dos filmes, no esforço conjunto para o acesso às obras, bem como para a viabilização das condições para a exibição. O cineclube é também um lugar de formação do senso crítico, é um espaço para discussões sobre o audiovisual, o que vai dar em discussões mais amplas de temas como o direito à diversidade cultural, democratização e acesso a novas tecnologias".
Ainda não dá para sorrir
08/10/2010
 
Governo federal compra 600 mil notebooks da Positivo para estudantes da rede básica no projeto Um Computador Por Aluno. Mas a meta, que o nome do programa sugere, está longe de ser alcançada
 
Por Bruno Galo


Em 2005, o professor do renomado Massachusetts Institute of Technology (MIT) Nicholas Negroponte teve uma ideia brilhante: dar um notebook para cada estudante de países pobres. 
 
Na época, ele criou uma organização sem fins lucrativos batizada de One Laptop per Child (Um laptop por criança) para desenvolver um aparelho que custasse US$ 100. O preço nunca foi atingido, mas sua ideia vingou, criou uma nova categoria de produtos e fez com que diversos governos ao redor do globo desenvolvessem projetos para levar computadores para as escolas. O Brasil é um deles. Mas o Um Computador Por Aluno (UCA), nome do programa brasileiro, estava esquecido na burocracia. 

Na semana passada, o governo concluiu um pregão eletrônico de registro de preços vencido pela Positivo Informática para a aquisição de até 600 mil laptops. Esse é um negócio que pode chegar a R$ 213 milhões, a um custo aproximado de R$ 350 por máquina. 
 
Superadas as próximas etapas do processo de homologação do resultado, essa pode ser a maior compra de máquinas do programa do governo até aqui. A má notícia é que ainda estamos longe de alcançar a meta de “um computador por aluno”. 

Atualmente, há 42 milhões de alunos na rede pública de ensino do País, distribuídos por 176 mil escolas. Além das 600 mil máquinas, o governo comprou 150 mil equipamentos, que ainda estão sendo entregues pela Digibras/CCE para 300 escolas. Procurados pela reportagem, o Ministério da Educação e a Positivo Informática não se pronunciaram.

A entrega dessas 600 mil máquinas acontecerá apenas em 2011. Segundo as especificações do edital, os laptops vêm com  1 GB de RAM e recursos de rede sem fio integrados ao equipamento. 

Eles são equipados com o sistema operacional de código aberto Linux. O projeto prevê a instalação de infraestrutura de acesso à internet e treinamento dos professores. O único país no mundo que conseguiu atingir a meta de um computador por aluno foi o Uruguai. O vizinho do Brasil comprou, de 2007 a 2009, 400 mil máquinas por US$ 120 milhões.

Os notebooks foram adquiridos da OLPC, a organização criada por Nicholas Negroponte. Com isso, conseguiu atender todos os seus estudantes. Colômbia, Peru, México, Ruanda e Haiti são alguns dos países que também compraram o notebook educacional e têm projetos de inclusão digital de seus estudantes.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Práticas pedagógicas eleva índices e destaca escola nacionalmente
07/10/2010
 

Equipe integrada com o projeto pedagógico, formação continuada, avaliação periódica e coletiva dos estudantes e professores, parceria com a comunidade, e pais mais integrados com as atividades desenvolvidas. Estas são práticas adotadas pela Escola Estadual Odorico Leocádio da Rosa, em Rondonópolis, responsáveis pelo alcance de 6,7 e 5,3 (séries iniciais e finais, respectivamente) no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) em 2009. Desempenho de nível internacional, que a inseriu na disputa ao Prêmio Nacional de Gestão Escolar, com outras seis escolas do país. 


Fundada em 1988, a Odorico Leocádio reúne atualmente mais de 850 estudantes do Ensino Fundamental (1º ao 9º ano), possui no quadro 39 professores, 98% pós- graduados, sendo um mestre e outros sete cursando mestrado. Na equipe técnica e apoio, 100% tem ensino médio e vários cursam o ensino superior. 

As parcerias com o poder público – Conselho Tutelar, Polícia Militar, entre outras – garantem a escola ajuda no controle da violência externa e interna, além de orientações sobre segurança, drogas, DST/Aids e higiene. A participação dos pais é outro ponto forte da escola. O regimento interno é entregue no ato da matrícula, após a entrevista realizada pela coordenação para iniciar ficha escolar dos estudantes. 

Para a gestão são pontos fundamentais, o uso do uniforme (doado, nos casos da família não ter condições) e a frequência regular do aluno. “Quando há atraso ou falta, é feito um registro na ficha do aluno e os responsáveis devem justificar o motivo”,esclarece a coordenadora Maria Aparecida da Silva Reis. Ações como essas rendem a escola índice zero de evasão escolar. 

O rigor nos procedimentos é sustentado por projetos pedagógicos atrativos para os estudantes. Destacam-se a fanfarra, a sala de música, a biblioteca regida por uma bibliotecária e uma pedagoga, as aulas de Karatê e informática e ainda, um projeto na área de Matemática, com objetivo de promover e despertar no estudante o prazer pela disciplina. Outro diferencial é o de que as aulas são planejadas, possibilitando o uso de equipamentos como computadores, instrumentos musicais. Ou ainda, visitas a biblioteca, peças de teatro, exibição de filme, e o quanto a criatividade do professor colocar em prática. 

MUSICALIZAÇÃO 

A música é um instrumento da proposta curricular. Três vezes por semana, o professor da fanfarra e instrutor de música, Marcos Vinícius Ferreira da Silva, mescla aulas na banda com práticas de instrumentos como violino, violão, metalofone e flauta. Para Silva, a música é uma ferramenta significativa no aprendizado. “A música promove benefícios futuros, no conhecimento, melhora no desempenho, disciplina, memorização, cultura e sensibilidade”. 

Segundo ele, desde o início das atividades musicais, houve comprovada redução nos casos de bulling. Resultando em menor ociosidade, menos brigas e maior comunhão entre os estudantes. Todos os projetos da escola, assim como excelentes resultados obtidos, foram registrados pelas câmeras da TV Escola/MEC e servirão de base para a decisão do comitê de premiação que divulgará a escola classificada nacionalmente no mês de novembro.