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Data:
18/10/2010
Veículo: ÉPOCA
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Por que
tantas cidades preferem pagar para usar sistemas de ensino no lugar dos
livros didáticos gratuitos - e o que isso revela sobre a educação pública
Camila Guimarães
Livro didático ou apostila? O que funciona mais
na hora de ensinar crianças do ensino fundamental? A polêmica existe há algum
tempo, mas ganhou força recentemente depois que o Ministério da Educação
(MEC) divulgou pela primeira vez quais cidades dispensaram o livro didático,
oferecido gratuitamente pelo governo. Só no Estado de São Paulo foram 143
municípios - 22% do total. A maioria deles optou pelos sistemas de ensino
oferecidos por empresas privadas como COC, Positivo e Objetivo, os mesmos
usados em algumas escolas particulares.
De acordo com uma recente pesquisa da Fundação
Lemann, instituição que promove a excelência na gestão da educação, o número
de cidades paulistas que adotaram os sistemas de ensino em suas escolas quase
dobrou entre 2005 e 2008.
A intenção de tantas cidades, ao dispensar o
livro gratuito e desembolsar algo em torno de R$ 300 por aluno, é melhorar
suas posições no Índice de Desenvolvimento na Educação Básica (Ideb). A
cidade campeã do ranking nacional divulgado neste ano, a paulista Cajuru, usa
esse tipo de material. Melhorar a nota dos alunos e a posição das escolas na
lista é o principal argumento da propaganda das empresas que produzem os
sistemas estruturados. Há uma base para essa crença.
Uma pesquisa da Fundação Lemann publicada
recentemente diz que 25% a mais de crianças são levadas ao nível adequado de
proficiência em matemática e leitura nas escolas municipais paulistas que
usam o material alternativo (leia o quadro abaixo). Esse material não se
limita às apostilas. Acoplados a ela vêm o livro do professor, uma equipe
técnica de educadores para treinar os professores no uso do material e fazer
um acompanhamento das aulas e, em alguns casos, um portal na internet, onde
alunos e professores desenvolvem atividades complementares às da sala de
aula.
O uso das apostilas, porém, está longe de ter
aceitação unânime. Uma corrente de educadores as considera simplificadoras da
realidade das aulas, com um possível efeito nefasto de "robotizar"
os professores. Um poderoso argumento contra o sistema estruturado é que ele
não é usado de forma abrangente em nenhum dos países com melhores resultados
no ensino. Por que então seriam a solução no Brasil?
Essa discussão camufla o fato de que nem a
apostila nem o livro didático, isoladamente, determinam se um aluno aprende
mais ou menos. Há fortes indícios de que os sistemas de ensino funcionam por
motivos que vão além da qualidade técnica. Nas cidades paulistas que usam o
material apostilado há pelo menos cinco anos, o aparato que vem junto - e a forma
como a rede se organiza para usá-lo - explica melhor por que algumas
conseguem ganhar posições no Ideb. Esse aparato acaba organizando a casa: da
sala de aula às estratégias de política pública da cidade. "A discussão
que vale a pena é sobre a constatação do caos na escola pública", diz
Paula Louzano, economista responsável pela pesquisa da Fundação Lemann.
"Ele é tão grande que, com o mínimo de organização e um material
minimamente estruturado - e às vezes de qualidade duvidosa -, os alunos
aprendem mais."
Além de a apostila servir como uma espécie de
currículo, cada aluno pode ter a sua.Não é que as apostilas sejam excelentes - em
muitos casos elas são fracas -, mas, em relação ao desastre do ensino em
geral, elas se destacam. Para começar, as apostilas são usadas como plano de
aula dentro das classes. O conteúdo é apresentado como um passo a passo, tem
a linearidade que o livro didático não traz (porque é usado de outra forma) e
de algum modo obriga o professor a não pular etapas. Junte-se a isso o acompanhamento
que é feito pela equipe técnica das empresas de ensino e chega-se a uma
fórmula que completa o que falta na formação dos professores.
"As apostilas norteiam meu trabalho, fica
bem mais fácil planejar as aulas", diz Carla Bortoluci, professora de
matemática para alunos de 5a a 8a série na rede municipal de Itapeva, São
Paulo. Outra vantagem: fica mais fácil acompanhar e cobrar do professor a
matéria que deve ser dada.
Além de a apostila servir como uma espécie de
currículo a ser seguido, cada aluno tem a sua - uma "regalia" nem
sempre garantida pelo livro didático. Primeiro, porque o número de livros
entregue não bate com o número de crianças, já que o MEC se baseia no censo
escolar do ano anterior para calcular a entrega. Segundo, porque o livro
didático não é consumível em algumas das séries do ensino fundamental. Ele
não pertence ao aluno. Por isso, não pode ser levado para casa. O livro fica
na escola para ser usado por alunos de outro período. Com seu próprio
material, a criançada não perde tanto tempo fazendo anotações no caderno e
sobram minutos valiosos para prestar atenção no que o professor diz.
Exercícios e lições de casa feitos na própria apostila ajudam o professor a
enxergar falhas no aprendizado. "Eu tenho mais visibilidade de onde cada
um vai mal, em comparação com o colega do lado", afirma Carla. "E a
partir daí vou procurar exercícios extras ou outras atividades para reforçar
a lição, sem precisar ficar presa na apostila."
Mesmo quem usa o livro didático aponta a vantagem
de ter uma apostila por aluno. Diadema, cidade da Grande São Paulo que optou
pelo livro didático, decidiu desembolsar dinheiro para comprar livros extras,
de modo a complementar a encomenda do MEC e distribuí-los a todos os alunos
(mesmo pagando até cinco vezes mais do que o MEC paga s por livro).
"Anotações no caderno geram perdas pedagógicas significativas, porque
interferem na organização do tempo da aula", afirma Lúcia Couto,
secretária de Educação da cidade.
Fora da sala de aula, o sistema de ensino ajuda a
organizar a política de educação das redes, que muitas vezes não têm
planejamento claro e objetivo. Um dos principais motivos dos gestores das
redes para adotar as apostilas é fazer todas as escolas trabalhar com o mesmo
material. Isso facilita a formatação de cursos de treinamento de professores.
Em Itapeva, a Secretaria tem um centro de formação de professores que
trabalha junto com a equipe de educadores do sistema. "O grande desafio,
independentemente do material usado, continua sendo a formação do professor",
diz Selma Cravo, secretária de Educação de Itapeva, que também usa o livro
didático, mas para as séries iniciais do ensino fundamental. A cidade está
entre as melhores notas do Ideb de sua região.
O argumento pedagógico por trás dessa estratégia
é que, quando há alinhamento entre o conhecimento do professor e o conteúdo
do material didático, o desempenho do professor melhora. "As apostilas
não são perfeitas", diz Paulo Magri, secretário municipal de Novo
Horizonte, São Paulo, que as usa desde 2005. "O que faz diferença é
acompanhar o desempenho das escolas e dos professores." Novo Horizonte
tem o segundo melhor Ideb de 5a a 8a série do Estado e o quinto do país. Nas
séries iniciais, sua nota é 6,5, maior do que a meta para 2021. Isso funciona
também para quem usa o livro didático. Em Jacareí, que usa o material do MEC,
o secretário de Educação emplacou uma resolução municipal para garantir que
todas as escolas encomendassem ao governo o mesmo livro didático para cada
série e cada disciplina. A escolha foi feita em um fórum com todos os
representantes das escolas municipais, que levaram a plenário as escolhas de
seus professores. "O ganho no gerenciamento pedagógico é
gigantesco", diz o secretário João Roberto de Souza. A melhora de
Jacareí no Ideb neste ano foi acima da média nacional.
Para muitos educadores, isso também é discutível.
"A formatação das aulas para melhorar o uso do tempo dentro da sala é
uma resposta pedagógica pobre para o aprendizado", diz Romualdo Portela,
professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). O
grande receio é em relação à padronização do ensino. "O risco é ignorar
as diferenças entre escolas e dentro de uma mesma escola", diz Theresa
Adrião, da Faculdade de Educação da Universidade de Campinas (Unicamp).
Theresa pesquisou o avanço do uso dos sistemas de ensino nas escolas
municipais de São Paulo e chegou a uma conclusão oposta à dos gestores que
defendem as apostilas. "O desempenho do professor é prejudicado. Quanto
mais o professor for "desresponsabilizado" de sua tarefa, dado que
tudo vem programado por terceiros, menos dele a sociedade poderá
exigir."
O que todos parecem concordar é que as apostilas
não são a solução definitiva para melhorar a qualidade do ensino público. Não
há casos em nenhum lugar do mundo de países que melhoraram sua educação
usando materiais estruturados. "É claro que é um remendo", diz
Paula, da Fundação Lemann. Mas, enquanto o país não investe o suficiente na
formação para professores e gestores da educação, é natural que as redes de
ensino busquem o razoável para combater o péssimo.
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Este Blog disponibiliza um acervo com o noticiário sobre as políticas educacionais brasileiras. É parte do Projeto de Extensão Políticas Educacionais na Imprensa Brasileira, coordenado pelo professor Armando C. Arosa, desenvolvido junto ao PROEDES - da UFRJ - O projeto teve início em abril de 2012 e encerrado em janeiro de 2018. Contato-ufrj.proedes@gmail.com ou armando.arosa.ufrj@gmail.com
PESQUISA
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Desenhos de 20 alunos de
escolas municipais de SP ilustrarão cadernos
18/10/2010
Competição
incluiu cerca de 950 mil estudantes, segundo a secretaria.
Vencedores farão visita guiada à Biblioteca Mário de Andrade.
A Secretaria Municipal de Educação de São Paulo
selecionou desenhos de 20 estudantes da rede de ensino para ilustrar capas de
cerca de três milhões de cadernos do material escolar 2011.
Esta é a segunda edição da competição, que teve
cerca de 950 mil participantes a partir de quatro anos, da educação infantil,
ensino fundamental, ensino médio e Educação de Jovens e Adultos (EJA), segundo
a secretaria. O tema dos desenhos era “O melhor lugar do mundo é...”.
Os 20 melhores participarão de uma visita
monitorada à Biblioteca Mário de Andrade, no Centro de São Paulo, nesta
terça-feira (19). Os estudantes participarão ainda de uma cerimônia na
prefeitura.
Segundo a secretaria, a seleção foi feita
primeiramente pelas escolas, depois pelas diretorias regionais de educação e,
por último, por uma comissão que incluiu representantes da secretaria, do
parque Playcenter, do Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), do Museu da Língua
Portuguesa, do Museu de Arte Moderna (MAM) e da Companhia das Letras.
Veja os nomes dos 20 vencedores:
Amanda dos Santos Leite
Jhonnatan Gomes de Lima
Jakellyne Soares da Rocha
Samuel Alexandre Nascimento
Vitor Gabriel Prado Caldeira
Carina Araujo Teixeira
Giovana Maria dos Santos Serafim
Jeferson Francisco dos Reis
Larissa Nadja C. Santos
Yasmin Bitencourt Caldas
Jalila P. de Lima
Karina Castro Fornazário
Maria Paula da Silva
Nathalli Nascimento dos Santos
Rachel Rossetti Rodrigues Barbosa
Alfredo Soares de Carvalho Junior
Bruno Zochi da Silva
Edson Arimateia Garcia
Ezequiel dos Santos Grilo
Moises José da Silva
sábado, 16 de outubro de 2010
ALUNOS DAS ESCOLAS DA REDE ESTADUAL COMEÇAM A
RECEBER LIÇÕES DE MPB
Letícia Vieira*
16/10/2010
Estado teve o
índice de 2,8 no Ideb no ano passado, o segundo pior do país
Fonte: O Globo (RJ)
Letícia Vieira*
As escolas estaduais
do Rio começaram a ensinar aos alunos do ensino médio a história da música
popular brasileira (MPB), atendendo a uma lei federal. As aulas seguem a
metodologia do Projeto MPB nas Escolas, do Instituto Cultural Cravo Albin. Em
2009, o Estado do Rio teve o segundo pior Índice de Desenvolvimento
da Educação Básica (Ideb) no país - 2,8 -, ficando atrás apenas do
Piauí. A média nacional é 3,6.
Em maio,
professores de 16 colégios estaduais receberam capacitação para utilizar o
material pedagógico, que inclui CDs e DVDs com depoimentos e gravações de
grandes nomes da nossa música. A iniciativa está sendo multiplicada para outras
800 escolas, que também receberão o kit.
Segundo a
subsecretária de Comunicação e Projetos Especiais, Delânia Cavalcante, o MPB nas
Escolas está ajudando a rede estadual a se preparar para o cumprimento da lei
11.769, de 2008, que determinou o ensino de música
na Educação básica:
- Acreditamos que
levar o ensino da música brasileira de forma transversal, com o tema abordado
em todas as matérias, seria a forma ideal. O material do projeto permite, por
exemplo, que um professor de história prepare uma aula sobre o golpe de 1964
através da história dos festivais de música.
Rede municipal
começa a fazer matrícula pela internet
Hoje, pela internet, começa a matrícula para a rede municipal. Até o dia 28 de
novembro, a inscrição deve ser feita pelo site
www.matriculadigital.rioeduca.rio.gov.br.
A pré-matrícula é
necessária para alunos novos da pré-escola (a partir de 4 anos), do 1º ao 9º
anos, da Educação especial e do Programa de Educação de
Jovens e Adultos (Peja). Crianças e adolescentes que já estudam nas escolas
municipais e desejam se transferir de unidade também precisam fazer a inscrição
pela internet.
Para quem não tem
computador, a Secretaria municipal de Educação do Rio porá à
disposição 25 pontos de acesso gratuito à internet nas escolas e nas
Coordenadorias Regionais de Educação (CREs).
* do Extra
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
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Data:
14/10/2010
Veículo: PORTAL A Z
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Os
Municípios brasileiros têm investido mais do que é sua obrigação em Educação,
de acordo com levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM).
Também os porcentuais de investimento das administrações municipais na
remuneração do magistério foram acima dos definidos pela Constituição.
Conforme indicam as informações obtidas pela CNM,
em 2009 a média dos investimentos em Educação foi de 29,1% em 5.358 Municípios.
Além disso, 5.333 prefeituras aplicaram, em média, 73,3 % do Fundo de
Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos
Profissionais da Educação (Fundeb) com o pagamento de remuneração do
magistério. Isso representa 13,3% a mais que o definido na Constituição,
segundo os dados do Sistema de Informações sobre Orçamentos Públicos em
Educação (Siope), do Ministério da Educação (MEC).
O investimento aplicado acompanha o esforço dos
Municípios em melhorar a qualidade do ensino oferecido na rede municipal,
destaca a CNM. Nos 2.709 Municípios que atingiram em 2009 a meta do Índice de
Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) das séries iniciais para 2011, a
média dos investimentos em educação foi de 28,3%. Já nos 1.487 Municípios que
alcançaram a meta das séries finais, o porcentual das receitas municipais
destinadas ao ensino foi de 28%.
Empenho
A CNM ressalta o empenho da gestão municipal no
atendimento educacional, embora reconheça que o desafio em assegurar a
qualidade da educação pública continua grande. Por esta razão, o presidente
da CNM, Paulo Ziulkoski, reafirma: "se faz cada vez mais necessária a
efetivação do regime de colaboração, especialmente em relação à participação
da União na Educação Básica".
"Só assim será possível obter índices mais
elevados de qualidade, sem comprometer os investimentos da gestão municipal
com outras áreas além da educação", afirma Paulo Ziulkoski.
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quarta-feira, 13 de outubro de 2010
Máquina de camisinhas chega às escolas públicas em 2011
Projeto dos ministérios da Saúde e Educação começa a ser testado em
janeiro em seis instituições de ensino
Fonte:
http://ultimosegundo.ig.com.br/educacao/maquina+de+camisinhas+chega+as+escolas+publicas+em+
2011/n1237797640645.html
2011/n1237797640645.html
Lívia
Machado, iG São Paulo | 13/10/2010
18:22
Em vez de balas, biscoitos e salgadinhos, máquinas em seis escolas
públicas do Ensino Médio dos Estados de Santa Catarina, do Distrito Federal e
da Paraíba oferecerão dois tipos de preservativos. A partir de janeiro de 2011,
os alunos dessas instituições poderão retirar, gratuitamente, por meio do
código de matrícula e uma senha individual, camisinhas.
ENQUETE
Top of
Você é a favor da distribuição de preservativos nas escolas?
Sim, ajuda na
educação sexual e prevenção de doenças
34%
Porcentagem
Não, o acesso a
camisinhas na escola incentiva a prática sexual
66%
Porcentagem
Bottom of Form
A inovação tecnológica – e na prática da educação sexual – faz
parte do projeto piloto do Programa Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE),
realizado pelos ministérios da Saúde e Educação, para reduzir a vulnerabilidade
de adolescentes e jovens às doenças sexualmente transmissíveis (DST), à
infecção pelo HIV e à gravidez não-planejada. Serão fornecidos preservativos
masculinos, com duas opções de largura.
A ideia, explica a assessora técnica do departamento de Doenças
Sexualmente Transmissíveis e Hepatites Virais do Ministério da Saúde Ellen
Zita, é “atender às necessidades dos adolescentes” e fazer com que a escola
seja um canal de enfrentamento aos problemas sociais vividos pelos jovens. “O
que for necessidade do adolescente deve ser atendido. A escola tem
condições de abrigar e distribuir o preservativo.”
Para oferecer tal serviço, as instituições precisam participar do
Programa Saúde e Prevenção nas Escolas, responsável por capacitar educadores e
estabelecer um projeto pedagógico voltado à educação sexual. A entrada da
máquina também depende da aceitação da comunidade escolar.
O interesse em participar é voluntário – depende da vontade de cada
escola – e deve ser comunicado ao Ministério da Saúde. Caberá às secretarias da
Saúde o abastecimento e controle do material. Ellen afirma que ainda não foi
definido o número de preservativos que cada aluno terá direito a retirar e nem
a frequência com que poderá recorrer à máquina.
“Esta parte será definida após o projeto piloto. Os responsáveis pelas
instituições farão esse controle e distribuição de fichas ou senhas aos
alunos.”
Pesquisa
mostra aprovação da iniciativa
Uma pesquisa encomendada à Unesco pelo governo, publicada em 2007,
revelou a boa aceitação de pais, professores e alunos aos preservativos nas
escolas. Embora alguns setores acreditem que este tipo de ação do programa
Saúde e Prevenção nas Escolas (SPE) possa incentivar a prática sexual entre os
alunos, a disponibilização do preservativo no ambiente escolar foi
considerada “uma ideia legal” para 89,5% dos estudantes e 63% dos pais consultados.
Apenas 5,1% dos alunos, 6,7% dos professores e 12% dos pais pesquisados acham
que essa “não é função da escola”.
Na avaliação do Ministério da Saúde, os números mostram que, quando a
iniciativa é atrelada a um projeto pedagógico e há discussão com a comunidade
escolar, a distribuição de camisinha nas escolas é bem aceita. “As máquinas são
ferramentas para facilitar ainda mais o acesso do estudante à camisinha”,
afirma Ellen.
O principal motivo alegado por 42,7% dos estudantes para não usar o
preservativo é não tê-lo na hora “H” e 9,7% deles declararam que não têm
dinheiro para comprá-lo. O estudo revelou que 44,7% dos estudantes têm vida
sexual ativa. Em relação ao preservativo, 60,9% dos estudantes declaram ter
usado na primeira relação sexual e 69,7% fizeram uso na última.
O provável hiato entre a distribuição gratuita e a garantia do uso
não preocupa o governo. Segundo Ellen, o projeto aborda as necessidades
coletivas dos jovens, não o controle individual. “Não fazemos pesquisa
comportamental dentro da escola. Serão os indicadores de evasão escolar por
gravidez, redução nas infecções sexuais que vão nos mostrar o sucesso ou
fracasso de tal iniciativa (no caso, a máquina de camisinhas).”
Criar um mercado paralelo de venda de camisinhas ou permitir que tal
contraceptivo seja usado de forma lúdica - como um brinquedo dentro do
ambiente escolar - também não diminui as expectativas positivas do governo.
“Não trabalhamos com hipóteses negativas. A ideia é progressista, positiva.
Toda iniciativa corre risco de desvio. Debateremos isso quando acontecer.”
terça-feira, 12 de outubro de 2010
Escola barra aluno que não usa uniforme
O episódio aconteceu no início deste mês e exemplifica uma prática irregular que escolas estaduais de São Paulo têm cometido: a de barrar ou constranger alunos pela falta do uniforme.
Além da escola da zona leste, o uso do uniforme é obrigatório em ao menos três outras escolas da zona sul - a Secretaria Estadual da Educação diz que apura os casos.
Quem não tem uniforme, ou é barrado ou tem o nome anotado em uma lista e os pais são chamados. Há casos de alunos que dizem terem sido advertidos por escrito por descumprirem a regra.
Na Stefan Zweig, os pais têm de desembolsar, no mínimo, R$ 75 -preço do conjunto composto por camiseta, calça e blusa de moletom.
Já na Leopoldo Santana, no Capão Redondo (zona sul da cidade), a camiseta branca com golas azuis obrigatória custa entre R$ 15 e R$ 17 (a tipo polo).
A escola, ainda segundo pais e alunos, comete outra irregularidade: vende o uniforme dentro do colégio. A carteirinha, outro item obrigatório, também é vendida na escola por R$ 13.
Os alunos que se recusam a usar uniforme são obrigados a voltar para casa para buscá-lo. Os que não têm a carteirinha até conseguem entrar pelo portão dos fundos, mas, para sair, têm que esperar todos os outros colegas saírem antes.
Os estudantes dizem que os reincidentes chegam a levar advertência, fato confirmado pelo coordenador da escola Emerson Lima.
No mês passado, a direção da escola foi afastada temporariamente por irregularidades na atribuição de aulas. Desde então, parte dos alunos passou a deixar o uniforme em casa.Na Professora Maud Sá de Miranda Monteiro, também no Capão Redondo, o uniforme também é obrigatório.
A mãe de um aluno do 5º ano do fundamental diz que o conjunto (com camiseta, blusão e calça) custa R$ 60, valor que não é parcelado.
"E temos que comprar dois, por que uma hora precisamos lavar. Se o governo quer obrigar, ele que forneça o uniforme", diz ela, que há dois anos tirou o filho de uma escola particular porque ficou desempregada.
Na Professor João Silva (zona sul), não há uniforme, mas a camiseta branca é obrigatória. A direção telefona para os pais dos que ignoram a regra e pede para que eles levem a roupa no mesmo dia.
ILEGAL
Proibir a entrada de estudantes por falta de uniformes ou carteirinhas é ilegal, afirma Cesar Calegari, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. As escolas não podem impedir a entrada de estudantes, nem submetê-los a atitudes discriminatórias.
"A escola até pode sugerir o uso, mas essa obrigatoriedade não tem base legal."
Segundo ele, as escolas também não podem vender o uniforme, pois não podem fazer transações financeiras.
12/10/2010
Colégios estaduais exigem uso da roupa,
o que é proibido; alunos afirmam que já foram advertidos por escrito
Secretaria da Educação diz que apura
casos; na zona sul, pais e alunos dizem que venda é feita dentro da própria
escola
TALITA BEDINELLI
DE SÃO PAULO
RAPHAEL MARCHIORI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
DE SÃO PAULO
RAPHAEL MARCHIORI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
Renato (nome fictício), 14, foi barrado
na porta da escola Stefan Zweig, na zona leste, onde estuda. O aluno da 8ª
série conta que estava sem o uniforme e, por isso, ficou sem assistir as aulas
do dia.
O episódio aconteceu no início deste mês e exemplifica uma prática irregular que escolas estaduais de São Paulo têm cometido: a de barrar ou constranger alunos pela falta do uniforme.
Além da escola da zona leste, o uso do uniforme é obrigatório em ao menos três outras escolas da zona sul - a Secretaria Estadual da Educação diz que apura os casos.
Quem não tem uniforme, ou é barrado ou tem o nome anotado em uma lista e os pais são chamados. Há casos de alunos que dizem terem sido advertidos por escrito por descumprirem a regra.
Na Stefan Zweig, os pais têm de desembolsar, no mínimo, R$ 75 -preço do conjunto composto por camiseta, calça e blusa de moletom.
Já na Leopoldo Santana, no Capão Redondo (zona sul da cidade), a camiseta branca com golas azuis obrigatória custa entre R$ 15 e R$ 17 (a tipo polo).
A escola, ainda segundo pais e alunos, comete outra irregularidade: vende o uniforme dentro do colégio. A carteirinha, outro item obrigatório, também é vendida na escola por R$ 13.
Os alunos que se recusam a usar uniforme são obrigados a voltar para casa para buscá-lo. Os que não têm a carteirinha até conseguem entrar pelo portão dos fundos, mas, para sair, têm que esperar todos os outros colegas saírem antes.
Os estudantes dizem que os reincidentes chegam a levar advertência, fato confirmado pelo coordenador da escola Emerson Lima.
No mês passado, a direção da escola foi afastada temporariamente por irregularidades na atribuição de aulas. Desde então, parte dos alunos passou a deixar o uniforme em casa.Na Professora Maud Sá de Miranda Monteiro, também no Capão Redondo, o uniforme também é obrigatório.
A mãe de um aluno do 5º ano do fundamental diz que o conjunto (com camiseta, blusão e calça) custa R$ 60, valor que não é parcelado.
"E temos que comprar dois, por que uma hora precisamos lavar. Se o governo quer obrigar, ele que forneça o uniforme", diz ela, que há dois anos tirou o filho de uma escola particular porque ficou desempregada.
Na Professor João Silva (zona sul), não há uniforme, mas a camiseta branca é obrigatória. A direção telefona para os pais dos que ignoram a regra e pede para que eles levem a roupa no mesmo dia.
ILEGAL
Proibir a entrada de estudantes por falta de uniformes ou carteirinhas é ilegal, afirma Cesar Calegari, da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação. As escolas não podem impedir a entrada de estudantes, nem submetê-los a atitudes discriminatórias.
"A escola até pode sugerir o uso, mas essa obrigatoriedade não tem base legal."
Segundo ele, as escolas também não podem vender o uniforme, pois não podem fazer transações financeiras.
QUAL É O PAPEL DA UNIÃO, DOS ESTADOS E DOS
MUNICÍPIOS NA EDUCAÇÃO?
12/10/2010
Saiba o que a
Constituição diz sobre as responsabilidades de cada ente federado
Simone Harnik
Da Redação do Todos Pela Educação
Qual é o papel da
União, dos Estados e dos municípios na Educação? Segundo a Constituição Federal, a nossa lei
maior, a Educação é um direito social, assim como a saúde, o trabalho, a
moradia. Mas quem é o responsável por garantir o ensino de qualidade para
todos? O próprio documento traz algumas respostas para estas perguntas.
No entanto, segundo
o professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e
ex-presidente da Câmara de Educação Básica do Conselho Nacional de Educação
(CNE), Carlos Roberto Jamil Cury, "há várias zonas cinzentas no atual
sistema de Educação".
Uma das principais
indefinições, aponta o professor, é a atuação da União, descrita como
"supletiva" na Constituição, ou seja, "que completa, que serve
de complemento", segundo uma das acepções no dicionário Aulete. "A União tem
de ter um papel de protagonista na Educação brasileira."
Obrigações da União
De acordo com o texto constitucional, a União, os estados, o Distrito Federal e
os municípios têm de se organizar para a oferta da Educação. Essa ordem,
entretanto, não está plenamente estabelecida, diz Cury. Também faltam os
mecanismos de colaboração entre as diferentes esferas de poder.
Entre as obrigações
estabelecidas da União estão o financiamento das instituições de ensino
públicas federais e a redistribuição de recursos para garantir oportunidades
educacionais com um padrão mínimo de qualidade para todos.
O investimento
mínimo obrigatório é de 18% das receitas de impostos. Em 2010, 5% desse total
pode ser retirado da Educação pela Desvinculação de Receitas da União (DRU). A
partir de 2011, o percentual obrigatório para atividades educacionais será
integral.
Estados e
municípios
Os estados e o Distrito Federal devem atuar prioritariamente no Ensino
Fundamental e no Médio. Já os municípios, no Ensino Fundamental e na Educação
Infantil. Assim, parece haver, pelo texto da Constituição, uma sobreposição:
tanto estados quanto municípios são responsáveis pelo Ensino Fundamental e, se
não houver um regime estabelecendo as funções de cada ente, a qualidade da
Educação ofertada corre riscos.
Estados e municípios
devem aplicar, obrigatoriamente, no mínimo 25% das receitas de impostos na
Educação.
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
Eles poderiam pagar, mas colocaram o filho em escola pública
Embora raros, há casos de famílias de classe média e alta que preferem
matricular as crianças em instituições públicas
Cinthia
Rodrigues, iG São Paulo | 11/10/2010 07:00
Como a maior parte dos irmãos em idade escolar, Ian, de 11 anos, e Ana,
de 14, têm rotina muito parecida. Ambos estudam em tempo integral e além do
currículo comum fazem aulas de artes e esportes na escola que frequentam. A
diferença é que a instituição particular na qual ele estuda custa R$ 800 e a
dela é pública. “Para a gente, o dinheiro nunca foi o fator determinante”, diz
o pai, o psicólogo Mauro Fini.
A família faz parte de um pequeno grupo que, embora tenha condição
financeira de bancar escola particular, prefere uma pública – possibilidade
desconsiderada pela maioria dos integrantes das classes A e B. Em alguns casos,
o motivo é a admiração por uma unidade diferenciada, em outros, a decepção com
o sistema privado e, quase sempre, há uma dose de ideologia e politização.
“Eu e minha mulher estudamos em escola pública a vida inteira e não
tínhamos reclamações”, afirma Fini. Ainda assim, os filhos foram matriculados
primeiro no sistema privado, mas como as crianças mostravam pouco interesse pelos
estudos, a opção foi revista. “Tentamos duas particulares e via nelas mais
performance visual do que preocupação pedagógica. Sentíamos falta do que
tivemos na nossa infância”, conta.
Só então, ele e a esposa foram conhecer as escolas estaduais próximas ao
Sumaré, bairro onde moram em São Paulo. “Quando vimos os corredores e as salas
sem nada demais, primeiro foi um pouco chocante, mas depois pensamos que o que
importaria seria o ensino e que era hora de tentar”, disse.
Ana, que ingressaria na 5ª série, foi matriculada na EE Carlos
Maximiliano Pereira dos Santos, passou a se interessar mais pela escola, entrou
para o grupo de teatro e agora está prestes a se formar no 9º ano.
Ian foi para a EE Faria Lima, não gostou e, após um ano e meio, foi
transferido para uma privada. “O que me importa é que cada um está feliz onde
está. As pessoas acham que, porque pagam, o serviço é bom, e perdem a
oportunidade de conhecer algo que pode, ou não, ser até melhor”.
“Todos
já pagamos pela pública”
A mesma escola que não agradou Ian Fini tem feito sucesso com seu xará Ian
Cabral, de 8 anos, e o irmão mais velho Arthur, de 10 anos. Os dois
frequentaram instituições particulares renomadas no Rio de Janeiro e em São
Paulo e, para a surpresa da mãe, Vanessa Cabral, não aprenderam o esperado.
Cansada de questionar a metodologia dos colégios privados, ela passou e se
perguntar por que não tentava o sistema público. “Embora me sentisse bem indo
buscar as crianças ao lado de atrizes globais, tive que procurar outra opção e
pensei: todos já pagamos pela escola pública, se usássemos pelo menos
poderíamos criticar com propriedade”, conta a criadora do blog Escola Pública Não É De Graça.
Na nova instituição, ela encontrou defeitos e qualidades, mas o que a
surpreende é a reação dos amigos de classe média e alta. “Ouvi outro dia: você
não tem nojo? Essas escolas do governo parecem tão sujas. Você deixa seus
filhos comer a comida da escola? Não tem medo que peguem doença? Eu aguento
porque chego em casa e eles vem me contar animados o que aprenderam.”
“Particular
é para milionário ou problemático”
A produtora Danae Stephan confessa que já teve o mesmo preconceito
relatado por Vanessa. Desde que Alesio, hoje com 8 anos, nasceu, ela só pensava
em qual particular matricularia o filho, mas o ex-marido, que é italiano, não
conseguia entender e achava que aquilo privaria a criança de ter contato com o
mundo real. “Para ele, que tem a visão europeia do assunto, o sistema privado é
só para milionário e crianças com muitos problemas de comportamento”, lembra.
Relutante, ela começou a prestar atenção nas públicas e conheceu a
Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Amorim Lima, no bairro Butantã,
em São Paulo, escola em que turmas de séries diferentes trabalham juntas e os
alunos têm grande autonomia. “Ele ainda nem estava na idade e eu já reservava a
minha vaga”, conta.
Danae e Alesio gostaram tanto da escola que mudaram de endereço para
ficar próximos dela. “Morava no Alto de Pinheiros e todos os dias perdia uma
hora para levar e outra para buscar. Quando venceu o contrato do meu aluguel,
não tive dúvidas, fui morar lá perto.” A empolgação contaminou a irmã e
parceira de trabalho, Dafne Stephan, que transferiu o filho Carlos Eduardo, de
11 anos, de uma instituição particular para a escola municipal. “Aqui é muito
mais legal”, afirma o menino. “Não fico copiando da lousa, e sim escrevendo o
que entendo e a gente aprende com os amigos que pensam de outro jeito e chega a
um acordo”, diz.
Dafne afirma que percebe dificuldades estruturais, mas o ganho em
diversidade compensa. “Não quero criar meu filho em uma redoma. Fico muito
feliz que ele tenha oportunidade de entender pessoas com vida diferente e eu
mesma, que passei a participar bastante da escola, também ganhei”, conclui
Dafne.
Preocupações
que norteiam escolha
Para a mestre em sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Caren
Ruotti, a maior parte dos pais que podem preferem pagar particular por
garantias de qualidade que a pública não oferece. “Eles acompanham aprovação no
vestibular e as avaliações e não querem arriscar dar menos chances para seus
filhos”, diz. No Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2009,
por exemplo, a média do sistema privado para a 4ª série é de 6,4, dois pontos
acima da rede pública.
O Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro é uma
exceção que comprova a regra. Pais de classe média entram na fila ao lado dos
mais pobres para disputar uma vaga por sorteio na escola pública que obteve
nota 7,1 no mesmo Ideb. “Se não fosse sorteada, colocaria meus filhos em uma
particular”, diz a psicóloga Patrícia Tavares de Oliveira Simões. “Só estão lá
porque é uma escola muito diferenciada, com professores ótimos e muito bem
formados. Não acredito que possa encontrar isso em uma municipal ou estadual
comum”.
Filho de secretário de educação em
escola pública é raridade
A pedido do iG, a União Nacional dos Dirigentes perguntou a 200
secretários quem tinha filhos na rede, mas só dois responderam
Cinthia
Rodrigues, iG São Paulo | 11/10/2010 07:00
Encontrar um gestor de rede pública de ensino satisfeito o suficiente
com as escolas a ponto de matricular os filhos não é tarefa fácil. O iG pediu
indicações ao Ministério da Educação (MEC), às secretaria estadual e municipal
de Educação de São Paulo e à União Nacional dos Dirigentes de Educação
(Undime), que repassou o pedido a 200 secretarias de Educação de todo o país.
Só este último órgão indicou dois casos.
A primeira a responder foi Tereza Cristina Cerqueira da Graça,
secretária municipal de Aracaju, capital do Sergipe, que mesmo com muitas
adversidades insiste em acreditar na capacidade da escola pública. Ela começou
a tentar manter um filho na rede há duas décadas, quando ainda era professora e
seu primogênito, hoje com 29 anos, iniciou os estudos. “Tentei por dois anos,
ele não gostou, achava muito bagunçado e acabei colocando na particular”,
conta. O filho do meio estava entrando na escola nesta época e foi direto para
o sistema privado.
Em 2008, quando ela já era secretária, o caçula completou sete anos e
foi matriculado em uma unidade pública. “Sempre achei que como educadora eu
tinha que insistir, mais ainda como gestora do sistema”, diz. O menino foi
reprovado duas vezes e até o começo deste ano não estava bem alfabetizado. “Eu
cheguei a tentar ajudá-lo em casa, mas ele só reconhecia as letras, então o
coloquei em uma escola, também municipal, bem mais longe de casa, mas com uma
professora boa que conheço há muito tempo e em uma turma de aceleração
apoiada pelo Instituto Ayrton Senna. Só de táxi para transportá-lo gasto
uns R$ 400 por mês”, relata. O garoto, agora com 10 anos progrediu, já lê e
escreve.
Para o próximo ano, Tereza confessa que ainda não sabe o que fará.
“Confio nessa professora atual e estou pesquisando as possibilidades depois
dela. Se eu achar alguém bom, vou mantê-lo na pública, mas caso não encontre
pode ser que decida por uma particular”, diz.
No
interior, todos estudam juntos
Luiz Cláudio Zóboli, secretário municipal de Conceição do Castelo, no
interior do Espírito Santo, também matriculou o filho em uma escola da rede que
administra. “Aqui filho de médico, advogado, agricultor e operário estudam
juntos”, diz. A cidade tem 12 instituições públicas e duas particulares.
“Eu e minha mulher somos professores e confiamos nos nossos colegas.
Além disso, na comparação acho que a pública é melhor não por aspectos
científicos, mas pelas relações que são mais humanas, as crianças estudam do
lado de casa e se percebem como parte da comunidade”, conta.
A mestre em sociologia da Universidade de São Paulo (USP), Caren Ruotti,
concorda com o secretário e lista outros benefícios da heterogeneidade. “A
criança e os pais aprendem a respeitar mais as diferenças e não crescem com
medo do outro, que é cada vez mais comum nas grandes cidades. A escola também
ganha, pois os pais com maior renda normalmente fazem exigências diferentes e
são mais incisivos na cobrança por seus direitos.”
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
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Data:
08/10/2010
Veículo: CLICABRASÍLIA
Editoria: ÚLTIMAS NOTÍCIAS
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Trinta dias. Este é o prazo
estimado para que sejam inaugurados cineclubes em todas as escolas de Ensino
Médio do Distrito Federal. Professores dos centros de ensino participam,
nesta semana, de uma capacitação em cineclubismo e serão os monitores do
projeto. Os equipamentos de projeção e som já foram comprados e devem chegar
em um mês.
"Só
falta chegar o projetor para inaugurarmos o primeiro cinema de
Ceilândia", entusiasma-se a vice-diretora do CEM 3 de Ceilândia, Magda
Rejani Pereira Bonfim. No final de junho, o auditório do colégio, que tem
capacidade para 300 pessoas, foi o local escolhido para a formalização da
cooperação entre os governos federal e do DF, com vista a implantação dos
cineclubes. O governador Rogério Rosso e o ministro da Cultura, Juca
Ferreira, assinaram o termo. "A cultura é fundamental na formação do ser
humano e os filmes e debates propostos ajudarão na preparação dos alunos para
a faculdade", disse Rosso, na ocasião.
Cento e
setenta e quatro professores, das 87 escolas de ensino médio do DF,
participam até sexta-feira (8) de cinco oficinas de capacitação em
cineclubismo, em um hotel de Brasília. O conteúdo é voltado à criação e
manutenção de um cineclube nas escolas, com o envolvimento e a participação
da comunidade. Temas como programação, divulgação, debates das sessões,
história do cinema e linguagem cinematográfica, fazem parte das oficinas.
Mais do
que disponibilizar equipamentos audiovisuais de projeção digital, além de
obras cinematográficas brasileiras para exibição, o projeto Cine Mais Cultura
quer proporcionar à comunidade escolar um ambiente favorável ao
desenvolvimento de práticas pedagógicas por meio de recursos audiovisuais.
O
Ministério da Cultura está investindo, no DF, R$ 1,3 milhão em equipamentos
de projeção digital, DVDs de produções nacionais e realização de oficinas de
capacitação destinadas a professores e representantes da comunidade.
"Queremos fazer um trabalho criterioso para que esse projeto nas escolas
do DF possa ser um modelo aplicado em todo o país", explica Frederico
Cardoso, coordenador-executivo do programa.
Primeiro cinema da Ceilândia
O CEM
03 de Ceilândia é a escola mais antiga da cidade, tem 40 anos. Agora, promete
sediar também o primeiro cinema da localidade, no formato de cineclube. Além
dos 3.200 alunos da escola - que se dividem em 72 turmas nos três turnos - a
comunidade também vai poder usufruir da sala de projeção.
A
presidente da Sociedade Amigos da Cinemateca, Dora Mourão, entidade que
também é parceira no projeto, destaca que desenvolver projetos voltados para
a cultura, nas escolas, é muito importante. "Teremos um aluno com olhar
mais crítico, humanista e preparado para o debate", disse.
O Cine
Mais Cultura já foi implementado em mais de 800 locais em todo o país, por
meio de editais e convênios estabelecidos com prefeituras e a sociedade
civil. A meta é alcançar a marca de 1,6 mil até o fim do ano. Esta é a
primeira vez que o programa será implementado em grande escala com um
propósito pedagógico complementar à filosofia cineclubista.
Dados
do Ministério da Cultura mostram que as salas comerciais de cinema estão
concentradas em apenas 8% do território nacional. Por isso, a maioria dos
filmes produzidos no país permanece inédita para grande parte da população. A
ação quer facilitar o acesso das comunidades às obras audiovisuais
brasileiras.
Kits projeção
Cada
uma das 87 escolas do Ensino Médio do DF receberá, em 30 dias, kits de
projeção compostos por: uma tela para projeção, um projetor de vídeo, um
aparelho leitor de DVD, uma mesa de som de quatro canais, caixas não
amplificadas, um amplificador e dois microfones sem fio.
Além
disso, são fornecidos gratuitamente 104 DVDs do catálogo da Programadora
Brasil, realizado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura. De
acordo com a iniciativa, filmes e vídeos nacionais são encartados em DVD e
licenciados para exibição pública, por meio de permissão de uso. Ao longo de
dois anos, cada cineclube poderá solicitar até 12 programas por trimestre de
trabalho e fazer uma nova solicitação após a entrega de relatórios das
atividades.
Cada
cineclube ainda deve destacar duas pessoas que atuarão como monitores. É
obrigatória a efetiva realização de, no mínimo, uma sessão semanal fixa, ou
seja, sempre no mesmo local, dia da semana e horário.
O que é um Cineclube?
"Cineclube
é uma organização de pessoas que se unem para a apreciação de obras
cinematográficas de forma coletiva. O caráter democratizante e participativo
é inerente as várias etapas desta atividade. O caráter participativo se dá
desde a escolha dos filmes, no esforço conjunto para o acesso às obras, bem
como para a viabilização das condições para a exibição. O cineclube é também
um lugar de formação do senso crítico, é um espaço para discussões sobre o
audiovisual, o que vai dar em discussões mais amplas de temas como o direito
à diversidade cultural, democratização e acesso a novas tecnologias".
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Ainda não dá para sorrir
08/10/2010
Governo federal compra 600 mil
notebooks da Positivo para estudantes da rede básica no projeto Um Computador
Por Aluno. Mas a meta, que o nome do programa sugere, está longe de ser
alcançada
Por Bruno Galo
Em 2005, o professor do renomado Massachusetts Institute of Technology
(MIT) Nicholas Negroponte teve uma ideia brilhante: dar um notebook para cada
estudante de países pobres.
Na época, ele criou uma organização sem fins lucrativos batizada de One
Laptop per Child (Um laptop por criança) para desenvolver um aparelho que
custasse US$ 100. O preço nunca foi atingido, mas sua ideia vingou, criou uma
nova categoria de produtos e fez com que diversos governos ao redor do globo
desenvolvessem projetos para levar computadores para as escolas. O Brasil é um
deles. Mas o Um Computador Por Aluno (UCA), nome do programa brasileiro, estava
esquecido na burocracia.
Na semana passada, o governo concluiu um pregão eletrônico de registro
de preços vencido pela Positivo Informática para a aquisição de até 600 mil
laptops. Esse é um negócio que pode chegar a R$ 213 milhões, a um custo
aproximado de R$ 350 por máquina.
Superadas as próximas etapas do processo de homologação do resultado,
essa pode ser a maior compra de máquinas do programa do governo até aqui. A má
notícia é que ainda estamos longe de alcançar a meta de “um computador por
aluno”.
Atualmente, há 42 milhões de alunos na rede pública de ensino do País,
distribuídos por 176 mil escolas. Além das 600 mil máquinas, o governo comprou
150 mil equipamentos, que ainda estão sendo entregues pela Digibras/CCE para
300 escolas. Procurados pela reportagem, o Ministério da Educação e a Positivo
Informática não se pronunciaram.
A entrega dessas 600 mil máquinas acontecerá apenas em 2011. Segundo as
especificações do edital, os laptops vêm com 1 GB de RAM e recursos de
rede sem fio integrados ao equipamento.
Eles são equipados com o sistema operacional de código aberto Linux. O
projeto prevê a instalação de infraestrutura de acesso à internet e treinamento
dos professores. O único país no mundo que conseguiu atingir a
meta de um computador por aluno foi o Uruguai. O vizinho do Brasil
comprou, de 2007 a 2009, 400 mil máquinas por US$ 120 milhões.
Os notebooks foram adquiridos da OLPC, a organização criada por Nicholas
Negroponte. Com isso, conseguiu atender todos os seus estudantes. Colômbia,
Peru, México, Ruanda e Haiti são alguns dos países que também compraram o
notebook educacional e têm projetos de inclusão digital de seus
estudantes.
quinta-feira, 7 de outubro de 2010
Práticas
pedagógicas eleva índices e destaca escola nacionalmente
07/10/2010
Equipe integrada com
o projeto pedagógico, formação continuada, avaliação periódica e coletiva dos
estudantes e professores, parceria com a comunidade, e pais mais integrados com
as atividades desenvolvidas. Estas são práticas adotadas pela Escola Estadual
Odorico Leocádio da Rosa, em Rondonópolis, responsáveis pelo alcance de 6,7 e
5,3 (séries iniciais e finais, respectivamente) no Índice de Desenvolvimento da
Educação Básica (Ideb) em 2009. Desempenho de nível internacional, que a inseriu
na disputa ao Prêmio Nacional de Gestão Escolar, com outras seis escolas do
país.
Fundada em 1988, a Odorico Leocádio reúne atualmente mais de 850 estudantes do
Ensino Fundamental (1º ao 9º ano), possui no quadro 39 professores, 98% pós-
graduados, sendo um mestre e outros sete cursando mestrado. Na equipe técnica e
apoio, 100% tem ensino médio e vários cursam o ensino superior.
As parcerias com o poder público – Conselho Tutelar, Polícia Militar, entre
outras – garantem a escola ajuda no controle da violência externa e interna,
além de orientações sobre segurança, drogas, DST/Aids e higiene. A participação
dos pais é outro ponto forte da escola. O regimento interno é entregue no ato
da matrícula, após a entrevista realizada pela coordenação para iniciar ficha
escolar dos estudantes.
Para a gestão são pontos fundamentais, o uso do uniforme (doado, nos casos da
família não ter condições) e a frequência regular do aluno. “Quando há atraso
ou falta, é feito um registro na ficha do aluno e os responsáveis devem
justificar o motivo”,esclarece a coordenadora Maria Aparecida da Silva Reis.
Ações como essas rendem a escola índice zero de evasão escolar.
O rigor nos procedimentos é sustentado por projetos pedagógicos atrativos para
os estudantes. Destacam-se a fanfarra, a sala de música, a biblioteca regida
por uma bibliotecária e uma pedagoga, as aulas de Karatê e informática e ainda,
um projeto na área de Matemática, com objetivo de promover e despertar no
estudante o prazer pela disciplina. Outro diferencial é o de que as aulas são
planejadas, possibilitando o uso de equipamentos como computadores,
instrumentos musicais. Ou ainda, visitas a biblioteca, peças de teatro,
exibição de filme, e o quanto a criatividade do professor colocar em prática.
MUSICALIZAÇÃO
A música é um instrumento da proposta curricular. Três vezes por semana, o
professor da fanfarra e instrutor de música, Marcos Vinícius Ferreira da Silva,
mescla aulas na banda com práticas de instrumentos como violino, violão,
metalofone e flauta. Para Silva, a música é uma ferramenta significativa no
aprendizado. “A música promove benefícios futuros, no conhecimento, melhora no
desempenho, disciplina, memorização, cultura e sensibilidade”.
Segundo ele, desde o início das atividades musicais, houve comprovada redução
nos casos de bulling. Resultando em menor ociosidade, menos brigas e maior
comunhão entre os estudantes. Todos os projetos da escola, assim como
excelentes resultados obtidos, foram registrados pelas câmeras da TV Escola/MEC
e servirão de base para a decisão do comitê de premiação que divulgará a escola
classificada nacionalmente no mês de novembro.
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