Plataforma "Quero Na Escola" permite que alunos e professores registrem atividades extras que gostariam de ter e voluntários podem ajudar
Fonte: Blog do Antônio Gois - O Globo Online
O papel da escola não se limita a ensinar apenas o conteúdo da grade curricular. Ao mesmo tempo, colégio nenhum, por melhor que seja, é capaz de atender aos anseios de todos os seus alunos. Se esperamos que a escola realmente amplie os horizontes dos jovens, é preciso não apenas cobrar, mas também apoiá-la. Foi com essa ideia em mente que a jornalista Cinthia Rodrigues, autora de um blog sobre escola pública e mãe de dois filhos em colégios municipais paulistanos, criou o projeto Quero Na Escola. Nele, alunos e professores registram num site o que gostariam de ter na escola fora da grade curricular tradicional, e voluntários se cadastram oferecendo seus serviços.
Por fazer um uso inovador das novas mídias e tecnologias em favor de um projeto social, o Quero Na Escola é uma das seis iniciativas finalistas do prêmio Social Good Brasil deste ano. Desde que começou a funcionar em agosto, mais de 50 pedidos foram registrados e 20 voluntários se ofereceram para ajudar. Graças a essa ponte, foram realizadas oficinas de artesanato, fotografia, cerâmica e contação de histórias em oito escolas paulistas e uma mineira. “Nossas entrevistas apontam para o desinteresse dos estudantes como problema dos anos finais do fundamental e do ensino médio. Mas a escuta aos adolescentes mostrou que eles têm sim interesses, mas que são diferentes do currículo que desenhamos para eles”, conta Cinthia.
O projeto que mobilizou o maior número de alunos até agora partiu de uma representante do grêmio, formado apenas por mulheres, de uma escola em Parelheiros, no extremo sul da periferia de São Paulo. Incomodada com o cotidiano de machismo e racismo que presenciava, Jéssica Rodrigues, de 16 anos, pediu por uma palestra que tratasse desses temas para todos os alunos da escola estadual Joaquim Alvarez Cruz. A palestra aconteceu no dia 21 de outubro, quatro dias antes de a prova do Enem abordar o tema. A própria Jéssica conta sobre sua experiência:
“Nunca tive um caso forte de assédio contra mim para contar, mas já me considero feminista, por participar de vários coletivos de mulheres. Sempre me incomodei muito com o machismo e questionava, por exemplo, por que eu, por ser mulher, não podia ir para a rua enquanto meus irmãos podiam. No início do ano, aqui na Joaquim Alvarez Cruz, alguns alunos fizeram uma dessas listas com o top 10 de meninas, dando um apelido para cada uma e misturando com uma letra de funk. Vadia e puta foram os xingamentos menos pesados. As agressões iam muito além disso. Falavam que eram garotas que davam para qualquer um. Algumas sentiram tanta vergonha que não queriam mais estudar. Só depois de muita conversa com os pais elas voltaram. Sinceramente, achei que a escola poderia ter ajudado mais. Pedi uma palestra sobre machismo porque queria saber como me proteger melhor. Muitos meninos não tinham a menor noção do que isso significava. Um aluno perguntou se era um tipo de orientação sexual. Acho que a palestra nos ajudou muito. Eu, pelo menos, acho que sei como me proteger melhor agora”
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