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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Pesquisadora critica desigualdades educacionais e lucro do Ensino Básico

01 de Novembro de 2015

Segundo pesquisa da Unicamp, privatização da Educação é um modelo negativo adotado por vários países da América Latina

Fonte: G1
As famílias que têm filhos no ensino básico devem ficar atentas à tendência de privatização praticada pela educação brasileira em alguns estados e cidades. Segundo uma pesquisa da Faculdade de Educação da Unicamp, esse é um modelo negativo adotado por vários países da América Latina que tem transformado a educação, de um direito básico, a uma esfera de lucro.

De acordo com a pesquisadora Theresa Adrião, a privatização acontece de duas formas. No primeiro caso, o governo contrata empresas ou fundações para fazerem políticas educacionais.

"Tal formato de privatização, além de destinar fundos públicos que a sociedade considera insuficientes, subordina a educação à lógica de setores cujo objetivo é o lucro", explica.
No segundo caso, o baixo investimento no ensino público faz com que as famílias de baixa renda busquem bolsas de estudo para os filhos em escolas particulares, sem que possam arcar com custos posteriores, como materiais escolares e atividades extracurriculares.

"Os custos das escolas não são cobertos por tais "vales", gerando a cobrança de mensalidades complementares as quais, por sua vez, variam em função das rendas das famílias", afirma.

Custos além da mensalidade
Esse é o caso de uma assistente administrativa que pediu para não ser identificada. Ela mora em Campinas (SP), está desempregada e seus dois filhos, de 9 e 10 anos, têm bolsa de estudos em uma escola particular do município.
"No meu caso, como são dois acabamos tendo um gasto um pouco alto com material, livros e apostilas. Não adianta uma pessoa que tem renda muito baixa conseguir uma bolsa, porque ela não vai conseguir manter essa criança na escola (...). Às vezes a criança quer acompanhar o amigo em um passeio fora da escola e a gente acaba não tendo condições de bancar esse custo", lamenta.
A assistente alerta ainda para os preconceitos vividos na escola por conta da diferença de classe social.
"Uma família que está disposta a ter seu filho em escola com bolsa tem que preparar a criança para as diferenças. Esse processo de bolsa eu acho que é até meio humilhante, você expor sua situação financeira. Mas devido a não termos boas escolas públicas eu prefiro passar isso" , conclui.

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