MARIANE ROSSI - G1 GLOBO.COM - 24/02/2014 - RIO DE JANEIRO, RJ
Uma rede de escolas da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, implantou uma nova dinâmica que conta com aulas ministradas por profissionais como advogados, nutricionistas e psicólogos. A ideia é criar um espaço para os alunos se conhecerem melhor, aprender sobre seu corpo, sua alimentação e discutirem assuntos do dia a dia dos adolescentes, para que ocorra maior integração entre eles e a escola também se torne um lugar mais interessante.
A nova dinâmica é chamada de Formação Viva. Uma nova disciplina foi incluída no currículo dos estudantes das classes do 6º e 7º ano do Ensino Fundamental. As aulas acontecem em espaços diferentes da escola, como a biblioteca, a cozinha, salas de informática, entre outras. E, são realizadas por profissionais diferentes. Eles conversam com os alunos e realizam diversos tipos de atividades. “Não é aquela aula tradicional. Eles ficam em roda, discutem. A Formação viva veio para completar a parte pessoal, a parte de formação global do aluno, porque as matérias já são dadas de uma forma dinâmica”, explica a diretora pedagógica do fundamental II do colégio Objetivo em São Vicente, Maria Dolores Salgado Alvarez.
Segundo ela, os alunos estão em processo de transformação e necessitam de mais orientações. “Lidar com a independência, lidar com a autonomia, saber se colocar, saber se organizar, nos estudos. O aluno está antenado com o mundo, ele quer saber o porquê das coisas. Se você não der um norte para ele, as informações chegam e eles não sabem o que fazer com isso”, diz ela.
No primeiro semestre, os alunos terão um encontro com a psicóloga e fonoaudióloga Ticiana Torres Braga da Silva que falará sobre “Aprender a aprender”. A aula serve para os alunos aprenderem a se conhecer, a se respeitar e para que eles consigam lidar com a parte de organização de trabalhos escolares. “A gente vai estar buscando nesses alunos a encontrar no dia a dia deles formas mais interessantes de aprender”, diz ela. Além disso, a psicóloga explica que o grande concorrente da educação pedagógica são os computadores e é preciso tornar a escola mais atraente para esses jovens. “A grande sacada da escola foi pensar em a pessoa comum como um todo, e também trazer estratégias e dinâmicas diferentes para integrar esses alunos e tornar o espaço escolar mais interessante”, diz Ticiana.
Além da psicóloga, outros profissionais ministrarão essas aulas diferentes. No segundo bimestre, um advogado irá abordar o tema “Viver e Conviver”. A ideia é falar sobre as redes sociais, que são um meio de comunicação muito usado por eles. “O advogado vai passar todas as informações do que eles podem ou não podem, como podem usar para beneficio próprio”, comenta a coordenadora pedagógica. No terceiro bimestre, uma nutricionista irá trabalhar com os alunos. Ela dará dicas para uma alimentação melhor sem a preocupação de perder peso e deixar os fast foods de lado. Já no último bimestre, uma pediatra irá conversar com os estudantes sobre Sexualidade e Drogas. A médica falará sobre as transformações do corpo. “É lidar com esses assuntos que às vezes ele tem vergonha de perguntar, é saber esclarecer a forma técnica do assunto, dar uma informação segura para eles”, diz a coordenadora.
Os pais e demais professores também foram avisados das aulas com outros profissionais logo no começo do ano. A escola quer a participação dos pais para que o trabalho dê resultados no dia a dia dos adolescentes. “Esse profissionais também vão passar para os pais qual é a dinâmica da aula e como eles podem ajudar. Você tem que abranger todo mundo para que o trabalho tenha continuação”, fala Maria Dolores. Os profissionais que fazem parte do projeto também conheceram as seis unidades da escola na Baixada Santista, onde a Formação Viva iria ser implantada, antes de começar as aulas. O conteúdo de uma unidade também é aplicado em todas as outras.
No meio de fevereiro, após os primeiros encontros, o resultado já era visto nos comentários dos alunos. Thainá Mota, 11 anos, participou de uma aula com a psicóloga dentro da biblioteca. Em roda, eles se apresentaram e falaram um pouco sobre si. “Minha professora já tinha me explicado como seriam as aulas. Ela me explicou que teriam especialistas nas aulas. Eu imaginei mesmo que fosse mais aberta. Achei bem legal”, falou a menina. Já a amiga Camila Teixeira Lopes, 11 anos, mesmo tímida disse que também gostou da aula mais dinâmica. “Foi diferente das aulas que eu tive em toda a minha vida”, fala a menina.
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