Desde segunda-feira, 1.096 bolsistas do Mais
Médicos com registro profissional brasileiro estão autorizados a
trabalhar em 454 municípios e 16 distritos de saúde indígena. Em Minas,
com ao menos duas desistências na semana passada, 69 inscritos devem
assumir em 40 municípios. Um é Ribeirão das Neves, onde Daniele do
Amaral Silva, de 31 anos, começou ontem a trabalhar no posto de saúde da
família (PSF) do Distrito de Areia, onde o cargo estava vago desde
janeiro.Formada em 2010 em Cuba, Daniele revalidou o diploma na
UFMG e teve registro emitido pelo CRM-MG. A bolsa de R$ 10 mil do
programa federal foi um dos fatores que a atraíram. Sentada em sua
cadeira no consultório em Neves, ela ainda parece meio tímida, mas já
traz alívio aos moradores. Ontem, uma das pessoas atendidas foi Vera
Lúcia dos Santos, de 53. "A senhora toma rivotril?", perguntou a médica.
"Há anos eu tomo. Mas nos últimos meses parei, porque acabou e não
tinha médico aqui pra receitar mais. Há tempo que eu não sei o que é
dormir", contou.
Daniela mora em BH e gasta de 40 a 60 minutos
para chegar ao posto que escolheu trabalhar, após analisar uma lista de
opções oferecidas pela Secretaria de Saúde local. "Esse PSF é bem
básico. Faço controle de pressão, diabetes, acompanhamento pré-natal.
Ainda não sei para onde vou mandar casos mais complexos", afirmou.
Ela
aprova a estrutura da unidade, inaugurada em 2010, mas já pediu
aquisição de remédios. "Havia medicamentos de urgência e emergência
vencidos, por exemplo, hidrocortisona, prometazina, diazepam", relatou.
No fim da consulta, abriu um sorriso depois de Vera lhe agradecer.
"Doutora, espero que você continue conosco. Obrigada, viu?", disse a
paciente.
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