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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Na porta das escolas da Capital, a fila agora é tripla
Hoje em Dia, 02/02/2012 - Belo Horizonte MG

O início do ano letivo mostrou ontem que nada mudou em relação às filas duplas nas portas das escolas de Belo Horizonte. Apesar das faixas, das campanhas educativas e dos agentes da BHTrans, nada adiantou. Ao contrário, o problema piorou. No lugar das filas duplas, temos, agora, filas triplas, algumas delas com a ajuda do agente da BHTrans, que ontem até estava abrindo porta para aluno descer mais rapidamente, na tentativa de agilizar o fluxo do trânsito.

A tranquilidade das férias de janeiro foi substituída pelo caos nas portas das escolas em fevereiro. Janeiro era o retrato de uma Belo Horizonte há dez anos, com muito menos veículos nas ruas. O trânsito era mais tranquilo e as filas duplas pouco incomodavam. Porém, de lá pra cá, passamos por uma década de crescimento econômico, que facilitou a aquisição de veículos por boa parte da população que não tinha acesso a esse bem de consumo. Contudo, as ruas continuaram as mesmas. As poucas intervenções, como o Boulevard Arrudas, que criou mais pistas ao longo da Avenida dos Andradas e mesmo a duplicação da Avenida Antônio Carlos, no trecho entre a Lagoinha e o Viaduto São Francisco, foram pontuais e absorvidas, rapidamente, pelas vendas de carros das concessionárias.
Não basta uma simples campanha educativa, não basta a repressão dos agentes da BHTrans. Administrar esse caos é mais complexo e custa caro. A filas de carros não seriam duplas ou triplas caso as mães pudessem levar os filhos de metrô. É retirando os carros das ruas, aqueles que possam ser substituídos por um bom sistema de transporte público que o belo-horizontino voltará a ter a tranquilidade das férias de janeiro. Do jeito que está, nem mesmo em janeiro teremos o trânsito fluindo pelas belas avenidas da capital mineira. Por outro lado, não se pode proibir as pessoas de continuar a comprar veículos. O caso é que o crescimento econômico não foi devidamente acompanhado pela melhoria da infraestrutura, não só em Belo Horizonte, mas nas demais capitais e nas cidades de médio porte, além das rodovias.
A lentidão do trânsito começa logo nas primeiras horas da manhã em avenidas como Cristiano Machado, Catalão, Pedro II, Amazonas, Nossa Senhora do Carmo, Raja Gabaglia e Tereza Cristina, entre outras. Depois de enfrentar a lentidão, o motorista tenta em vão encontrar um lugar para estacionar próximo da escolha do filho. Na maioria das vezes, não encontra. E apela para a fila dupla. A campanha da BHTrans com o tema “o jovem e a mobilidade”, na base dos agentes distribuindo panfletos nas portas das escolas, pouco adiantará. Sem estacionamento ou áreas de embarque e desembarque, não resta aos pais alternativa a não ser o caos.

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