Educadores afirmam que não voltam
às aulas enquanto governo não ceder a reivindicações
Fonte: R7
Em greve há 97 dias, professores da rede estadual
de ensino participam nesta segunda-feira (12) de uma manifestação na região
central de Belo Horizonte. Acorrentado ao “Pirulito”, monumento na praça Sete,
o grupo, com cartazes nas mãos e narizes de palhaço, reivindica melhorias para
a categoria.
Os grevistas reforçam que, enquanto o governo do
Estado não atender às exigências, não voltam às aulas, apesar da promessa feita
pelo governador Antônio Anastasia de que ainda nesta semana a paralisação chega
ao fim.
A professora de história Cláudia Simões, 47 anos,
afirma que os educadores não pretendem ceder.
- A greve só acaba quando houver o pagamento do
piso. A palavra do governador não vai interferir na decisão do Sindicato Único
dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE). O Ministério Público também não vai
nos atrapalhar. O governo tem tentado nos anular, mas não pode contestar a lei
do Superior Tribunal Federal [STF].
O professor de história Hallisson Nunes, 39 anos, afirma que os professores em greve já estão há mais de dois meses sem receber salário.
O professor de história Hallisson Nunes, 39 anos, afirma que os professores em greve já estão há mais de dois meses sem receber salário.
- O pagamento foi cortado no primeiro mês de
paralisação. A greve é um direito garantido por constituição. Deveríamos
receber.
A previsão é que o protesto dure até as 19h desta
segunda. A manifestação não prejudicou o trânsito na região. Na quinta-feira (15),
os grevistas realizam nova assembleia.
De acordo com o Sind-UTE, pela proposta apresentada
pelo governo do Estado, os professores com ensino médio e licenciatura curta,
num prazo de 45 anos, não receberiam aumento e continuariam com o piso de R$
712,20.
Já os educadores com licenciatura plena, ao cabo de
27 anos, receberiam um reajuste de apenas R$ 6,13, passando de R$ 712,20 para
R$ 718,33.
Os professores com especialização, após seis anos,
passariam a ganhar R$ 0,37 a
mais, passando de R$ 712,20
a R$ 712,57.
Os educadores com mestrado, que hoje recebem R$
819,43, em 45 anos, ganhariam reajuste de R$ 420. Já os professores com
doutorado, que atualmente recebem R$ 999,70, passariam a receber R$ 1.512,14
após 45 anos, enquanto a média do piso nacional é, hoje, de 1.926,89.
No dia 29 de agosto, o governador Antonio Anastasia
afirmou que, "em Minas Gerais, 62% de todo pessoal da educação optou por
permanecer no novo sistema de remuneração por subsídio. Esse sistema mantém
também os mecanismos fundamentais da carreira, a progressão e a promoção.
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal em nada afeta a adoção por Minas e outros Estados do sistema do subsídio. Essa nova sistemática, aliás, é a nova forma de ingresso adotada em Minas para os novos profissionais da Educação".
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal em nada afeta a adoção por Minas e outros Estados do sistema do subsídio. Essa nova sistemática, aliás, é a nova forma de ingresso adotada em Minas para os novos profissionais da Educação".
A Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag)
estuda duas opções de pagamento. A primeira estabelece o valor que será gasto
com os 153 mil servidores da educação que optaram pelo antigo modelo de
salário. A outra seria a estimativa do valor gasto com os 398 mil cargos, com o
subsídio proposto como forma de remuneração.
Ilegalidade
O parecer, que é assinado pelos advogados da AGU Fernando Luiz Alburquerque Faria, Grace Maria Fernandes Mendonça e Camilla Japiassu Dores, afirma que, diversamente do que é sustentado pela CNTE/SIND-UTE/MG, o modelo de remuneração por subsídio é constitucional.
O parecer, que é assinado pelos advogados da AGU Fernando Luiz Alburquerque Faria, Grace Maria Fernandes Mendonça e Camilla Japiassu Dores, afirma que, diversamente do que é sustentado pela CNTE/SIND-UTE/MG, o modelo de remuneração por subsídio é constitucional.
- Tal providência compatibiliza-se com o disposto
no artigo 39, parágrafo 8º da Constituição Federal, que, conforme mencionado,
autoriza a instituição de subsídio para a remuneração de servidores públicos
organizados em carreira.
Os advogados da AGU afirmam ainda que a instituição
do modelo de remuneração em parcela única (subsídio) “não acarretou a extinção
das carreiras profissionais de educação básica do Estado de Minas Gerais”, como
alega a CNTE.
Subsídio
Na segunda-feira (6), o governo encaminhou à Assembleia Legislativa projeto de lei que aperfeiçoa a política salarial dos profissionais de educação pelo sistema de parcela única (subsídio).
Na segunda-feira (6), o governo encaminhou à Assembleia Legislativa projeto de lei que aperfeiçoa a política salarial dos profissionais de educação pelo sistema de parcela única (subsídio).
Além de trazer mais melhorias, o projeto aperfeiçoa
pontos identificados após a implementação do novo modelo, que aconteceu em
janeiro deste ano. Atualmente, 62% dos cargos da Secretaria de Estado da
Educação estão neste modelo de remuneração.
O Projeto de Lei prevê vários benefícios para os
servidores que optarem pelo modelo do subsídio. Entre eles, um reajuste
salarial de 5% (a partir de abril de 2012) e um novo posicionamento dos
servidores na tabela de subsídio, considerando o tempo de efetivo exercício.
Esse posicionamento será feito de maneira
escalonada a partir de janeiro do próximo ano. A proposta inclui ainda a
garantia de aumentos e de não redução da vantagem pessoal criada para 23 mil
servidores, ponto que entra em vigor a partir da publicação da lei.
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