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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

GREVE NAS MÃOS DA JUSTIÇA


Ministério Público estadual entra com ação no Tribunal de Justiça pedindo suspensão imediata do movimento, que mantém os estudantes sem aulas há mais de 100 dias
Fonte: Estado de Minas (MG)

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais pode decidir hoje pela manhã pela ilegalidade da greve dos professores da rede estadual, que atingiu ontem a marca de 100 dias sem aula. A ação declaratória cobrando a ilegalidade do movimento com base no direito dos estudantes à Educação foi recebida ontem pela 2ª Câmara Cível do TJ e distribuída ao relator, o desembargador Roney Oliveira. Como a ação incluiu pedido de liminar em caráter de urgência, Oliveira poderá despachar a qualquer momento suspendendo a greve. Em assembleia, ontem, a categoria decidiu por unanimidade pela continuidade da paralisação.

Caso a ação seja acatada, as aulas podem, em tese, voltar à normalidade já na segunda-feira. Se os servidores se recusarem a retornar à sala de aula, o Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE) fica sujeito ao pagamento de multa e os professores podem sofrer punições como responder a processo administrativo.

A ação foi elaborada pelos promotores da Infância e da Juventude em conjunto com a Subprocuradoria-Geral de Justiça Jurídica. O Ministério Público questiona a greve e sustenta que a interrupção do serviço de Educação expõe as crianças e adolescentes a situação de risco. Na ação, o MP considera que, ao ter continuidade por mais de 80 dias, inclusive com o risco de perda do ano letivo, o movimento grevista “ultrapassa os limites da razoabilidade”.

Esta é a segunda vez que o MP entra com ação contra o Sind-UTE/MG. Na anterior, os promotores ajuizaram ação pela ilegalidade da greve na Vara da Infância e da Juventude de Belo Horizonte, mas o processo foi extinto pelo juiz Marcos Flávio Padula. O magistrado não apreciou o mérito da ação, por entender que a competência para julgar o caso é do Tribunal de Justiça de Minas, uma vez que a greve ocorre em todo o estado e não apenas em Belo Horizonte. Padula também considerou que o alvo do processo não deveria ser o Sind-UTE, por não ser responsável pelo fornecimento dos serviços de Educação.

Ano letivo Ainda que as aulas sejam retomadas na segunda-feira, a reposição dos 63 dias letivos parados na greve só terminaria em fevereiro, e as férias já estão impactadas, segundo a secretária de Estado da Educação, Ana Lúcia Gazzola. A secretária contestou ainda dados do Sind-UTE/MG, segundo os quais 50% dos professores estão parados. Segundo ela, a paralisação atinge apenas 1,2% das escolas e menos de 8% dos professores da rede estadual e está concentrada na região metropolitana.

Nesta semana, a secretaria anunciou a contratação temporária de 12 mil profissionais para substituir os grevistas e evitar prejuízos ao calendário escolar. No início de agosto, já havia decidido pela contratação de cerca de 3 mil para atender as turmas do último ano da Educação básica, prejudicados na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e marcado para 22 e 23 de outubro vestibulares

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