Secretaria de
Planejamento e Gestão vai cortar o ponto dos funcionários em greve. Movimento
já dura mais de um mês
Fonte: Estado de Minas
Em greve há 40 dias, os professores e demais servidores da rede estadual de ensino decidiram em assembleia, na tarde de ontem, em Belo Horizonte, manter a suspensão das aulas. Na próxima terça-feira, às 14h, na Praça da Assembleia, no Bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul da capital, eles voltam a se reunir para tratar dos destinos do movimento. No início da noite, a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena, disse que, diante da continuidade da greve, o ponto dos professores será cortado. Depois da assembleia, cerca de 5 mil pessoas, gritando palavras de ordem, fizeram uma passeata até o Centro da capital, deixando o trânsito ainda mais congestionado do que o habitual nesse horário. No dia 4, o desembargador Wander Marotta, do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais (TJMG) declarou ilegal a paralisação da categoria, iniciada em 8 de abril, e determinou o pronto retorno dos profissionais aos seus cargos, sob pena de multa de R$ 10 mil, referente a cada dia parado, limitada a R$ 500 mil. A ação civil pública, com pedido de liminar, foi ajuizada pelo Estado de Minas Gerais contra o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE/MG). A entidade recorreu da sentença, mas a multa continua vigorando.
Entre as reivindicações dos professores, está o piso salarial profissional nacional de R$ 1.312,00 para uma jornada de trabalho de 24 horas semanais. Segundo a coordenadora-geral do Sind-UTE/MG, Beatriz Cerqueira, a continuidade da greve decorre do não atendimento, pelo governo estadual, das reivindicações dos professores. No último dia 12, explicou, houve uma reunião dos representantes do movimento com a secretária de Estado de Planejamento e Gestão, Renata Vilhena. Entre as reivindicações, estavam também não cortar o ponto dos professores nos dias parados, não demitir ninguém e formar uma comissão para rever a questão dos vencimentos. "O problema é que, quando recebemos o documento do governo, alguns pontos estavam diferentes do que conversamos", disse Beatriz. De acordo com a entidade, 60% dos 220 mil trabalhadores da Educação estão de braços cruzados.
A secretária Renata Vilhena disse ontem à noite que se surpreendeu com a decisão da categoria. "Não consigo compreender e fico questionando um movimento desse em ano de eleição. Até às 15h estávamos buscando o acordo, e o governo ainda acatou dois pontos que os sindicalistas reivindicaram, em reunião que tiveram na Assembleia Legislativa. Desde a quarta-feira, quando nos reunimos com uma comissão dos professores, estávamos mantendo o diálogo aberto com o sindicato. Diante do retrocesso dos grevistas, teremos que adotar medidas para garantir o direito dos alunos". Vilhena admitiu que, em reunião hoje com representantes da Secretaria de Educação e Advocacia Geral do Estado, pode se decidir por novas ações judiciais para garantir a volta às aulas. De acordo com ela, no próximo contracheque os professores em greve terão descontados os 30 dias parados.
TRâNSITO O trânsito na área central de Belo Horizonte voltou a ficar confuso no começo da noite ontem. Os professores partiram da Assembleia, em passeata, e seguiram até a Avenida Afonso Pena, onde se concentraram em frente à Igreja São José.
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