09 de março de 2010
A greve convocada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do
Estado de São Paulo (Apeoesp) não teve adesão em massa em seu primeiro dia
Fonte: iG Educação
Carolina Rocha
SÃO PAULO
A greve convocada pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) não teve adesão em massa em seu primeiro dia. De acordo com boletim divulgado pelo sindicato, quatro escolas da capital paulista paralisaram suas funções nesta segunda-feira. Balanço feito pela Secretaria de Ensino estadual apontou que apenas 1% dos docentes teriam aderido ao movimento.
O iG visitou algumas escolas das zonas Sul e Oeste da capital e constatou que em algumas os pais nem mesmo sabiam da possibilidade de greve. "Não sabia que os professores iam sair em greve. Isso nunca aconteceu aqui neste colégio", diz o pai de uma aluna do ensino fundamental da escola Alberto Torres, no Butantã, que preferiu não se identificar.
A Escola Caetano de Campos, na zona Sul, foi uma das que decidiram pela paralisação. Na última sexta-feira, enquanto professores participavam de manifestação em frente à Secretaria de Ensino, no centro de São Paulo, os alunos não tiveram aula. "Minha filha não teve aula na sexta e hoje (segunda) ela voltou para casa porque os professores avisaram que entraram em greve", conta a mãe de uma aluna da escola, que se identificou apenas por Maria. A filha dela tem 10 anos e ficará em casa sozinha enquanto a mãe trabalha durante esta semana sem aulas.
O trabalho de convencimento dos docentes a participar da greve está sendo feito por professores que participaram da assembléia - cerca de 10 mil estiveram presentes. Mônica Severo, professora de Filosofia da escola Caetano de Campos, é uma das que está trabalhando para divulgar a paralisação entre seus colegas de trabalho, pais e alunos.
"Os alunos do ensino médio já entendem a nossa situação e estão aceitando bem, nos apoiando", diz. "Agora estamos explicando para os pais dos alunos do ensino fundamental." Mônica dá aula para 16 turmas em dois colégios estaduais e ganha cerca de R$ 1.000,00.
Guilda Mattar, mãe de uma aluna do ensino fundamental do Caetano de Campos, apóia a professora enquanto ela expõe as causas que geraram a greve. "Eu reclamo com você, se precisar. Eu brigo com vocês", diz Guilda.
Questionada sobre como vai fazer para cuidar de sua filha durante a semana de greve, Guilda diz não ter idéia. "Eu vou ter que ficar com ela a semana inteira, não vou poder trabalhar" diz a mãe, que dá aulas de dança do ventre.
Os professores da rede estadual estão reivindicando, entre outros pontos, um aumento salarial de 34,3% e a incorporação das gratificações ao salário base, criação de um plano de carreira e modificação no processo de contratação de professores eventuais.
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