domingo, 14 de fevereiro de 2016

Ensino público integral ainda é sonho

14 de Fevereiro de 2016

Fonte: Diário de Cuiabá

O ensino integral é uma das apostas para melhorar a educação básica em todo o país. Em Mato Grosso, até o momento, o principal indutor dessa modalidade nas escolas públicas, conforme é proposto pelo Plano de Desenvolvimento em Educação (PNE), tem sido o “Programa Mais Educação”, criado em 2007 pelo Governo Federal. 

Para este ano, o Governo do Estado promete implantar o projeto “Educação Integral em Tempo Integral” em seis escolas da rede estadual, que tem o início do ano letivo marcado para a próxima segunda-feira (15.02). A princípio, a iniciativa vai atender aproximadamente dois mil estudantes em um universo de 400 mil matriculados em 754 unidades. 

Nas demais, o “Mais Educação” segue com a proposta de ensino integral, com um “processo pedagógico que conecta áreas do saber à cidadania, ao meio ambiente, esporte, cultura e artes”, segundo a propaganda. Porém, o programa tem sido alvo constante de críticas, inclusive de trabalhadores da área. 

As falhas apontadas vão desde a precarização do trabalho dos profissionais envolvidos, da falta de estrutura adequada das unidades escolares e, pedagogicamente, o fato de imperar no lugar da aplicação das teorias do ensino-aprendizagem, o senso comum de escola destinada à ocupação do tempo livre com aquilo que é considerado capaz de garantir “proteção social”: artes, cultura, esporte, lazer. 

"Em muitos países, o aluno tem acima de oito horas-aula diárias. No Brasil, são apenas quatro horas. Mas, trazer o estudante o dia todo para a escola não significa ensino integral, que visa a trabalhar todos os aspectos formativos da criança e do adolescente, para que eles possam desenvolver todas as suas potencialidades”, afirma o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Ensino (Sintep/MT), Henrique Lopes. 

Além da ampliação do horário de aulas, Lopes explica que a ideia de educação integral é desenvolver os aspectos cognitivos, biológicos, além dos culturais e artísticos do estudante. “Em Mato Grosso, nenhuma escola pública oferta verdadeiramente o ensino integral”, afirma. 

PROJETO-PILOTO – Porém, o Governo do Estado promete avançar nesse campo. A Secretaria de Estado de Educação (Seduc) pretende implantar o projeto-piloto “Educação Integral em Tempo Integral” nas escolas de ensino médio Pindorama e André Maggi, em Rondonópolis (250 km ao Sul de Cuiabá), e Antônio Epaminondas e José de Mesquita, em Cuiabá. 

A proposta também será levada para as unidades ensino fundamental Daury Riva, em Juara, e Alfredo de Araújo Granja, em Arenápolis. No ensino médio, são cerca de 1.500 estudantes a serem atendidos no novo sistema. No fundamental, outros 400 alunos. 

O projeto contará com ampliação de recursos em diversas áreas, entre elas de infraestrutura e equipamentos, e remodelagem da estrutura organizacional. A ideia é oferecer, no contraturno das aulas regulares, atividades esportivas, culturais e formativas. A jornada será de até sete horas, incluindo quatro refeições diárias. 

Para a escolha das escolas foram considerados pontos como a demanda de novas matrículas, salas ociosas, crescimento populacional em torno da unidade com sinais de estagnação, entre outros. 

PNE – O Plano Nacional de Educação (PNE) prevê que, em 10 anos, 50% das escolas públicas e 25% dos estudantes tenham acesso a pelo menos sete horas de aprendizagem por dia. 

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