Além de ter medo de ficar longe de amigos e professores, estudantes temem não encontrar estrutura adequada; secretário garante transporte
Fonte: O Estado de S.Paulo (SP)
Desde que soube que sua Escola seria afetada pela reorganização da rede estadual de Ensino, Karowara Antunes da Silva, de 15 anos, está muito preocupada com a possível transferência para outra unidade. Além de ter medo de ficar longe dos amigos e Professores, que conhece desde os 11 anos, ela não sabe se a Escola para onde será transferida tem a estrutura para atendê-la, já que é cadeirante.
“Todo mundo me conhece na Escola, sou tratada muito bem e sem nenhum preconceito. A Escola tem acessibilidade e é pertinho da minha casa, então tenho total autonomia”, disse Karowara, que estuda na Escola Dib Audi, na zona sul de São Paulo.
A unidade, segundo funcionários e a diretoria de Ensino regional, terá o encerramento do Ensino médio de forma gradual. Ou seja, a partir do próximo ano não serão matriculados Alunos no 1.º ano; no ano seguinte no 2.º ano e depois no 3.º anos, até fechar o ciclo. A mudança, no entanto, não consta da lista da Secretaria da Educação.
O irmão de Karowara, João Victor, de 13 anos, também é deficiente físico e estuda na mesma Escola. “Não sei aonde meus filhos vão estudar nos próximos anos, qual vai ser a estrutura da Escola, como eles serão transportados”, disse a mãe Aparecida de Fátima da Fonseca, de 46 anos.
A informação que os pais receberam é que, a partir do próximo ano, os Alunos que forem iniciar o Ensino médio serão transferidos para a Escola Presidente Kennedy. “Quando a Karowara entrou no fundamental 2, foi transferida para lá. Mas não tinha como ela estudar naquela Escola, porque não tem acessibilidade nenhuma”, disse a mãe.
Greice Lemos contou que o filho Gustavo, de 13 anos, está apreensivo e com dificuldade para dormir desde que soube que a Escola Silvio Xavier Antunes, na zona norte da capital, aonde estuda está entre as 94 fechadas pela reorganização. “Ele tem mobilidade reduzida por causa de uma lesão na medula e precisa de muletas para andar. Hoje, ele tem autonomia e vai para a Escola sozinho, mas com a transferência terá de pegar até dois ônibus.”
Transporte. O secretário Herman Voorwald garantiu que todos os Alunos com deficiência terão direito ao transporte Escolar gratuito, independentemente da distância. “É um direito dela e vamos garantir isso.”
O projeto de reestruturação atingiu 94 Escolas em todo o Estado e fechou etapas em 754 unidades para que passem a ter apenas ciclo único em 2016.
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