segunda-feira, 25 de maio de 2015

Opinião: Escola, lugar sagrado


25 de Maio de 2015


"Casos de violência ocorridos em escolas provam que os problemas de Educação no Distrito Federal vão além de currículos defasados e falta de professores", afirma Leonardo Meireles

Fonte: Correio Braziliense (DF)

Escola é lugar de educar. A frase parece óbvia, mas deveria ser repetida como um mantra para entrar na cabeça das autoridades. Os casos de violência ocorridos em Ceilândia, Asa Sul e Asa Norte provam que os problemas de Educação no Distrito Federal vão além de currículos defasados e falta de Professores. O tráfico e os assaltos em plena luz do dia hoje se impõem como impeditivos, em qualquer classe social.
A situação em Ceilândia sempre foi limite. Porém, a cenários que gritam por uma ação concreta e rápida. Numa cena de faroeste, um traficante chegou a entrar em uma Escola montado em cavalo e de arma em punho. Professores são constantemente ameaçados dentro de sala de aula. Nem diretores escapam das exigências feitas pelos donos de bocas no local. E a guerra não é só em colégios de Ensino médio. Até a Educação fundamental sofre. Como trabalhar a cabeça debuma criança de 6 anos que vê criminosos passeando a lado dela com uma pistola sem que a força policial apareça?
Crescer em um ambiente desse texemploiar um ser humano traumatizado, sem noção de lei e pronto para agir somente na defensiva. Ainda mais quando vê aqueles que servem como autoridades sofrendo com essa violência. Como disse uma diretora de Escola da cidade, um Professor não foi formado para se defender de alguém armado. O trabalho dele é educar. Mas não em qualquer situação.
No Plano Piloto, na sexta-feira, dois assaltos e duas pessoas feridas em uma hora. As duas vítimas foram atacadas pelo mesmo adolescente. Não seria de se estranhar que fosse um jovem que passou por casos de violência. Pode até não justificar, mas explica. E é nessa explicação que pode ser encontrada a solução.
Uma vítima pode ser atacada tantas vezes e de tantas formas que um dia ela acaba se tornando o agressor. O único modo dessa situaçao não ocorrer é com a Educação. A Escola apresenta-se como o local no qual a criança e o adolescente aprendem cidadania, respeito, direitos e deveres. É um lugar sagrado. E deve ser protegido como tal. Caso contrário, os maus exemplos se replicam. Seja em Ceilândia, no Plano, na Rocinha ou na Suíça.
O Aluno e os pais não podem sofrer com o medo no caminho para o colégio. Não dá para eles serem reféns do terror urbano que é a falta de segurança. Para isso, um mínimo precisa ser feito. E com urgência. O policiamento tem que ser redobrado nas portas da unidade, qualquer especialista sabe disso. O trabalho de inteligência da segurança pública necessita de atuar mais arduamente nos arredores dos colégios. É nessas ações que o dinheiro não pode ser poupado. Isso para que a sala de aula continue sendo um lugar de Educação, e não uma lugar de morafa do crime.

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