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terça-feira, 14 de outubro de 2014

Opinião: Quando o Ideb chegar para valer à rede privada

14 de outubro de 2014
"O índice é, a um só tempo, termômetro da qualidade da Educação e meta a ser buscada pelas secretarias da Educação, gestores e educadores envolvidos", afirma Tania Fontolan

Fonte: Gazeta do Povo (PR)

A divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação básica (Ideb) trouxe à tona uma discussão sobre a qualidade de Ensino no país. Calculado a partir do desempenho dos Alunos na Prova Brasil, nas avaliações do Saeb e das taxas de aprovação das redes municipais e estaduais, o índice é, a um só tempo, termômetro da qualidade da Educação e meta a ser buscada pelas secretarias da Educação, gestores e Educadores envolvidos.
É inegável que o estabelecimento de parâmetros nacionais para a avaliação das redes foi um avanço institucional da última década. Afinal, como aprimorar processos sem a devida mensuração que indique onde estão as deficiências a serem corrigidas e as dificuldades que requerem políticas de Estado mais efetivas?
A divulgação desse índice aprova ou derruba secretários municipais de Educação e, em muitos casos, reelege ou ajuda a trocar prefeitos. Embora essa discussão se volte prioritariamente para a rede pública, chamo a atenção para um aspecto pouco percebido pelos gestores de Escolas privadas.
O estabelecimento de um Sistema Nacional de Avaliação que englobe não apenas as Escolas públicas, mas também a rede privada de todos os segmentos – a exemplo do que acontece em muitos países –, vem aparecendo esporadicamente em projetos de médio prazo do Ministério da Educação. Em 2012, o então ministro da Educação, Aloizio Mercadante, declarou sua intenção de estender a Prova Brasil a toda a rede particular, como já se faz com as Escolas públicas. Na prova do ano seguinte, 2013, a intenção não se concretizou. As Escolas privadas continuaram a participar por amostragem e seus resultados seguem divulgados sem identificação da Escola.
Mais dia, menos dia, a aplicação dessa prova em toda a rede privada chegará. Evidentemente requererá uma logística e um investimento de grande monta, em um país continental como o Brasil. Quando isso ocorrer, as Escolas particulares estarão preparadas?
As Escolas têm autonomia para definir seu projeto pedagógico, nem sempre alinhado com a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Esse desalinhamento leva às Escolas modelos de Ensino que pouco incorporam as tendências atuais da Educação, dando ênfase excessiva a conteúdos conceituais em detrimento do desenvolvimento da capacidade de resolução autônoma de problemas. Com isso, formam-se Alunos “colados” nas explicações dos Professores. Como esses estudantes se sairão quando forem expostos a questões diferentes daquelas a que estão acostumados, elaboradas por pessoas que não são seus Professores?
Se os Alunos nunca têm contato com questões escritas por terceiros (que não seus Professores), possivelmente encontram nas avaliações a mesma abordagem da sala de aula. A aplicação de provas “externas” é uma forma de aferir o nível de autonomia do Aluno para aplicar o que aprendeu em condições diversas daquelas a que está acostumado (afinal, é isso que acontece no mundo real).
Para contemplar os dois aspectos, trabalhar com expectativas de aprendizagem expressas nas matrizes de referência da Prova Brasil é passo importante para essa avaliação nacional que chegará para todos. E a divulgação detalhada dos resultados, quando ocorrer, não deixará gestores da rede privada em condições desfavoráveis junto à comunidade onde atuam.

*Tania Fontolan, historiadora, antropóloga, especialista em Administração Escolar e diretora-geral do Sistema Anglo de Ensino, do pH Sistema de Ensino e do Sistema de Ensino Motivo

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