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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Opinião: Educando quem vai mudar o mundo

15 de outubro de 2014
"Todas as profissões têm o seu embrião ligado à profissão do professor. Todos os dias, em todas as aulas, passa pelos professores a possibilidade das transformações", afirma Altemir Luiz Dalpiaz

Fonte: Correio do Estado (MS)

Professores não vão mudar o mundo. Muito melhor que isso, Professores educam quem vai mudar o mundo. Fico imaginando quais Professores estão lecionando para o menino ou menina que será presidente do Brasil em 2060, por exemplo. Difícil essa situação, principalmente se levarmos em consideração que atualmente o conhecimento se renova há cada dois anos e, já em 2020, será a cada 72 horas. Lembrando que, no começo da era industrial, o conhecimento levou 150 anos para se renovar. Se o conhecimento está se renovando nessa velocidade, então qual a função do Professor hoje?
Promover, intermediar e buscar junto de seus Alunos as informações que construirão esse conhecimento, talvez essa seja uma das várias respostas. Saber também que as novas tecnologias estão batendo à porta do sistema educacional. Se antes éramos dependentes do lápis, do papel, da lousa e do giz, hoje somos “viciados” em aparelhos eletrônicos.
Atualmente, há 7 bilhões de aparelhos de telefone celular no mundo, mesmo número de habitantes. O seu Aluno está conectado, comunica-se por meio de um alfabeto abreviado e sabe mais de novidades do que você. Não tem ainda o conhecimento, que é a transformação de informações em entendimentos e interpretações próprias. Talvez seja nessa brecha que a figura do Professor se faça insubstituível, a de incentivar o conhecimento.
Lembro do dia em que, sob um sol forte, um Aluno me perguntou: “Professor, você só dá treino ou trabalha também?”. Hoje, lembrando daquele episódio, acho que ele tinha razão. Se o trabalho tem o sentido de ser algo duro, sofrível, em que as pessoas desejam dele se libertar, podia ter tomado aquilo como um elogio. Eu não carregava essa sofreguidão comigo, estava ali no campo fazendo uma coisa que gostava (ainda gosto). E tem mais. A última pessoa que pode ser penalizada por uma insatisfação profissional, salarial ou mesmo de crise existencial é o Aluno. A Escola é o único lugar onde as pessoas são obrigadas a frequentar, e isso ocorre na melhor fase da vida.
Por outro lado, o sujeito decide ser Professor, na maioria das vezes, contrariando os desejos das pessoas que o cercam. Sua dedicação não termina com o final da aula. Ela continua nos feriados, sábados e domingos. As funções extraclasses tomam o tempo em injustificáveis relatórios, lançamentos de notas e outras funções burocráticas, que nada têm a ver com a Educação de Alunos. Talvez por isso que não existe para o Aluno o ex-Professor. Uma vez Professor, para sempre Professor.
Por fim, cabe aqui escrever que todas as profissões têm o seu embrião ligado à profissão do Professor. Todos os dias, em todas as aulas, passa pelos Professores a possibilidade das transformações necessárias para mudarmos as coisas. Esse processo pode ser lento e silencioso, mas não pode nunca acabar. O público, todo ele, passou, está passando ou vai passar por um Professor. No Dia do Professor uma pergunta: Temos ainda a capacidade de inspirar? 

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