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sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Mãe luta por Educação para filha com down chamada de sedutora em escola

10 de outubro de 2014
Supervisora de ensino em Santos, SP, teria destratado a criança. Processo para garantir professor auxiliar foi aberto há mais de um ano

Fonte: G1

Uma moradora de Santos, no litoral de São Paulo, entrou com um processo na Justiça para tentar garantir uma professora-auxiliar para a filha que tem síndrome de down. A garota frequentava uma escola estadual normalmente, até que, em agosto deste ano, foi chamada de 'sedutora' por uma supervisora de ensino responsável pela unidade.
Segundo a dona de casa Emileine da Silva, mãe de Bruna, que hoje tem 14 anos e estuda na Escola Estadual Dona Luiza Macuco, a filha sempre foi muito vaidosa. "Para fazer a vontade dela, acabei matriculando a Bruna e a irmã em um curso de modelo. Meu outro filho entrou em uma escolinha de futebol. Sempre procurei dar o melhor para eles. Além disso, ela faz equoterapia, teatro, ballet e jazz", explica.
A escola frequentada por Bruna possui duas salas de recursos, que consistem em aulas realizadas no contraturno escolar (uma classe de manhã e outra à tarde) para os alunos que possuem dificuldades de aprendizado. No caso de Bruna, desde que ingressou na escola, ela frequentava a sala de recursos no próprio turno escolar, porque os professores alegavam não serem preparados para ensinar crianças especiais. A professora da sala a retirava da classe por um tempo, passava atividades e depois a devolvia.
De acordo com a mãe, Bruna não aceitava que a educação dela fosse diferente da que as outras crianças recebiam e passou a não querer mais frequentar a sala de recursos. Orientada por amigos, Emileine decidiu procurar o Ministéro Público e entrar com um processo pedindo um professor auxiliar para a filha. “Eu requisitei um defensor público e ele abriu o processo, que já está correndo há um ano”, explica a dona de casa. O processo foi aberto em abril de 2013.
Enquanto isso, a adolescente continuou indo para a sala de recursos no período da tarde. Mas, em agosto deste ano, a mãe de Bruna foi informada pela diretora da escola que a professora da sala de recursos não poderia mais atender a aluna, e que ela deveria frequentar a sala no período da manhã. Emileine não concordou. “As salas de recursos da manhã acontecem apenas duas vezes por semana, enquanto a professora da tarde retirava minha filha da classe e passava atividades para ela todos os dias. Além disso, a Bruna vai para a APAE de manhã. Se ela deixar de frequentar a sala de recursos à tarde, o que ela vai fazer na escola? Os professores não dão atividades para ela”, critica.
Revoltada, a dona de casa procurou a Diretoria de Ensino da cidade, onde foi orientada a conversar com a supervisora de educação especial do Estado de São Paulo na Baixada Santista. Ela chegou a telefonar para a supervisora, que não atendeu no momento, mas depois retornou a ligação. Por telefone, a mulher disse que a única solução seria realmente a abertura de um processo para requisitar um professor auxiliar. A mãe alegou que o processo havia sido aberto, e pediu que fosse marcada uma reunião pessoalmente, para tentar resolver o problema.
No dia 27 de agosto, Emileine e Bruna compareceram à escola para conversar com a supervisora, na presença da diretora da unidade escolar. Segundo a dona de casa, ela explicou mais uma vez os problemas que a filha vinha enfrentando na escola e pediu que a menina pudesse frequentar a sala de recursos no período da tarde até o fim do ano. A supervisora negou e começou a desferir ofensas contra mãe e filha. “A supervisora perguntou o que a minha filha fazia fora da escola, e ela contou sobre as suas atividades. Foi quando a mulher ‘surtou’ e me humilhou, dizendo que eu ensinei valores errados para a Bruna e que ela era uma sedutora. Disse que tudo o que ela fazia era uma porcaria, e que só as aulas de equoterapia prestavam”, relata.
A mãe diz ter respondido que estava lá para resolver uma questão educacional, e que as atividades da menina fora da escola nada tinham a ver com a situação. A supervisora, por sua vez, deixou a dona de casa falando sozinha e deu o assunto por encerrado. Emileine, mais uma vez, chorou. “Peguei a Bruna e saí chorando da escola. Estava tão nervosa que não pensei em registrar um boletim de ocorrência”, explica. A dona de casa afirma que, desde então, a situação da filha na escola não melhorou e quer uma solução. “Eu conversei mais uma vez com a diretora. Depois disso, os amiguinhos me contaram que dois professores passaram a dar atividades para a Bruna de vez em quando, mas não é o ideal. Eles tiveram uma semana de provas, mas a Bruna não teve, e chegou em casa me questionando sobre isso”, completa.
O G1 entrou em contato com a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo, na tarde desta quinta-feira (9), para obter uma posição oficial sobre o assunto. Até a publicação desta reportagem, porém, não houve um retorno sobre a situação de Bruna.

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