|
04/09/2013 |
Educação e arte devem caminhar juntas sempre. O papel da escola vai muito além da simples formação da educação básica. As instituições de ensino devem contribuir para a formação integral dos estudantes, o que inclui sua formação artística e cultural. Por isso, é fundamental que as crianças e os adolescentes sejam estimulados a visitar museus e espaços de arte desde o período escolar. Infelizmente, em Belo Horizonte, nossas crianças são pouco habituadas a visitar esses locais. A educação deve abordar a arte de forma mais consistente e frequente.
Um exemplo de como a arte pode ser contextualizada na educação é o rico movimento artístico que ocorreu durante o período da ditadura militar. Além de inúmeros trabalhos na música e na literatura, esse período foi de efervescência para as artes plásticas. Grandes nomes como Antônio Henrique Amaral e Cláudio Tozzi são dessa época. Citá-los em sala de aula pode criar uma rica contextualização da ditadura militar, permitindo interdisciplinaridade com matérias como geografia, história e literatura.
As exigências da LDB ainda limitam o potencial de exploração da arte na educação. Algumas escolas estão em busca de modelos de disciplinas atraentes que atendam as requisições da lei. Mesmo com esses desafios, é preciso ressaltar que a vigência da lei já é um grande passo para a alfabetização cultural de nossas crianças e jovens. Indivíduos que são estimulados a conhecer a arte desde pequenos conseguem fazer uma leitura de mundo muito mais ampla e tendem a repassar esse hábito aos seus filhos, criando um círculo virtuoso.
Há poucas semanas, vivenciei uma experiência que me mostrou na prática como isso pode acontecer. Estávamos com uma exposição montada na galeria, quando um casal e seus dois filhos pequenos entraram na casa para conhecer as telas. O filho mais novo, com aproximadamente 6 anos, se encantou com uma obra do artista Ricardo Ferrari. Inocentemente, a criança retirou uma nota de R$ 2 do bolso e imaginou que seria o suficiente para levar a tela. O pai riu da situação e explicou que o dinheiro não cobriria o custo da obra. Contudo, o fascínio daquele menino pelo quadro foi tão grande que 30 minutos depois de deixarem a galeria os pais da criança telefonaram reservando a obra.
Esse caso verídico mostra que a arte é capaz de sensibilizar adultos e crianças desde que estimuladas pela família e pela escola. Receber um "pequeno comprador" como esse evidencia que o fascínio pelas artes plásticas não tem limite de idade se houver estímulos à formação integral dos indivíduos. Educação e arte são elos indivisíveis da humanidade capazes de comover e promover mudanças na sociedade.

Nenhum comentário:
Postar um comentário