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terça-feira, 23 de abril de 2013

Fusão cria gigante do ensino


23/04/2013
A fusão anunciada ontem entre duas grandes empresas de ensino superior do país, Anhanguera e Kroton, vai criar um grupo gigante com valor de mercado de R$ 12 bilhões, faturamento anual de R$ 4,3 bilhões, 800 faculdades e 1 milhão de alunos. A Kroton já era a maior empresa de ensino universitário do mundo em valor de mercado, à frente da chinesa New Oriental. "Agora nosso valor será mais que o dobro do atribuído ao segundo colocado", disse o presidente da Kroton, Rodrigo Galindo, que vai comandar o novo grupo, tendo como presidente do conselho de administração Gabriel Mário Rodrigues, fundador da Anhembi Morumbi e investidor da Anhanguera.A escolha de Galindo como principal executivo agradou ao mercado - as ações da Kroton subiram ontem 8,37% e as da Anhanguera, 7,75%, também em razão dos ganhos de sinergia previstos na operação. O perfil acionário do novo grupo, cujo nome ainda não está definido, será formado por 57,48% de acionistas atuais da Kroton e 42,52% de sócios da Anhanguera.
Fusão cria grupo gigante de educação
Por Beth Koike | De São Paulo
Anhanguera e Kroton anunciaram ontem uma fusão criando o maior grupo educacional do mundo em valor de mercado. As duas companhias juntas são avaliadas no mercado de capitais em cerca de R$ 12 bilhões - cifra que representa o dobro da segunda colocada, a chinesa New Oriental.
Um ponto que chama atenção é que a transação foi fechada em menos de uma semana. Segundo o Valor apurou, a Anhanguera também negociou com a Estácio, por iniciativa desta, poucos dias antes. Mas as conversas não avançaram.
A transação entre Anhanguera e Kroton ainda depende de aprovação do Cade, que já sinalizou que está mais criterioso nas aquisições do setor de educação. O pedido de fusão será enviado ao Cade dentro de dez dias. O ponto sensível nesta operação é o segmento de ensino a distância. As duas companhias juntas têm cerca de 450 mil alunos (cerca de 45% desse mercado). "Acredito que o Cade vai exigir que se desfaça de negócios de EAD [ensino a distância]
. Mas ainda assim vale a pena porque a fusão entre "players" é um caminho sem volta", diz o consultor em educação Carlos Monteiro.
O analista do Santander, Bruno Giardino, observa que associações entre grandes grupos educacionais são inevitáveis daqui para frente e que o Cade tem se atentado mais para atuações regionais dos grupos de ensino e não nacionalmente. "Na área de ensino, o ponto principal é a atuação regional", disse Giardino. Não à toa, as companhias vão manter as marcas de suas respectivas faculdades.
A associação entre as duas maiores companhias de educação do país deve provocar mudanças importantes no setor e na própria Anhanguera. A nova companhia terá como presidente do conselho o professor Gabriel Rodrigues, fundador da Anhembi-Morumbi e principal acionista da Anhanguera. O presidente executivo será Rodrigo Galindo, filho do fundador da IUNI, adquirida pela Kroton.
O mercado já espera que a Estácio se associe a outro "player" para concorrer em pé de igualdade com Anhanguera e Kroton. Uma das possibilidades é uma fusão da carioca Estácio com grupos internacionais que têm forte interesse no mercado brasileiro como o grupo americano Apollo, que há muito tempo tenta entrar no mercado brasileiro.
A fusão entre Anhanguera e Kroton surpreendeu o mercado, que até o ano passado esperava uma associação com a carioca Estácio. Mas nos últimos meses essa possibilidade começou a arrefecer e recentemente começaram a circular, inclusive, rumores de que a Anhanguera seria vendida até o fim do ano para um outro investidor. "Sempre houve especulação no setor", disse Scavazza. "Uma fusão com a Kroton era descartada porque ela era uma empresa de menor porte até o ano passado", disse o analista do Santander.
A Kroton deslanchou após a compra da Unopar por R$ 1,3 bilhão, em dezembro de 2011. A companhia atingiu meio milhão de alunos neste começo do ano, tornando-se a maior empresa do setor e com uma imagem de que possui um ensino de melhor qualidade em relação a seus concorrentes diretos. Já a Anhanguera, que liderou o setor por muitos anos, vinha perdendo espaço. Uma das dificuldades da Anhanguera foi a integração com a Uniban, adquirida em setembro de 2011 por R$ 510 milhões. "A integração da Uniban consumiu mais esforço do "management" e intervenções mais severas", disse Giardino, do Santander.
A nova empresa brasileira de educação, cujo nome ainda não está definido, acumula um faturamento anual de R$ 4,3 bilhões e 1 milhão de alunos em cursos de ensinos presencial e a distância.
A composição acionária do novo grupo educacional será de 57,48% de acionistas da Kroton e de 42,52% de sócios da Anhanguera. "Trata-se da fusão de duas empresas com estruturas muito semelhantes, com capital difuso e presença de private equity", disse Ricardo Scavazza, presidente da Anhanguera, que será membro do conselho de administração da nova companhia.
"A nova empresa será a 30ª maior na Bovespa e com certeza vamos compor o Ibovespa", disse Galindo. Ontem, durante conferência a analistas e entrevista a jornalistas os dois executivos trocaram de gravata. Galindo usou uma gravata laranja, cor da Anhanguera, e Scavazza vestiu uma azul, cor da logomarca da Kroton.
A Kroton vai emitir 198,8 milhões de novas ações. O negócio envolve uma troca de ações em que cada 1,36 ação da Kroton representa uma da Anhanguera. Apesar de a Kroton ficar com a maior fatia da nova empresa e ter seu comando executivo, o professor Gabriel, por meio do Fundo de Educação para o Brasil terá forte presença no conselho de administração, de 13 membros, com indicação de dois nomes. O Valor apurou que o professor Gabriel também indicará um dos três conselheiros independentes.




 
23/04/2013
Fundador da Anhembi liderou conversas para união
Por Ana Paula Ragazzi | Do Rio
Foi o professor Gabriel Mário Rodrigues, 80 anos, fundador da Universidade A nhembi Morumbi, o principal responsável pela união anunciada entre Kroton e Anhanguera Educacional.
Rodrigues é investidor da Anhanguera há pelo menos dez anos. É o principal cotista do Fundo de Educação para o Brasil, que tem hoje 10,27% da empresa e é gerido pelo Pátria Investimentos. Em janeiro passado, o Cade aprovou operação em que o grupo Laureate Education elevou de 51% para 100% sua participação no controle da ISCP, que controla a Anhembi Morumbi.
De fora dos negócios na universidade que criou, Rodrigues aceitou o convite para presidir o conselho de administração da Anhanguera, o que deveria ser aprovado em assembleia de acionistas no próximo dia 30. Em entrevista ao Valor por e-mail no início do mês, o professor Gabriel, como é conhecido no setor, disse que aquele seria "um novo desafio" na sua história na educação.
Mas antes mesmo de ser efetivado no conselho da Anhanguera, o professor Gabriel já pensava o futuro da empresa, apurou o Valor. Foi a partir de conversa dele com o ex ministro Walfrido Mares Guia que a associação foi rapidamente desenhada e concluída em apenas cinco dias, antes que vazasse ao mercado.
Mares Guia é o criador do sistema educacional Pitágoras, que deu início ao que a Kroton é hoje na bolsa. A empresa abriu capital na euforia das ofertas em 2007. Dois anos depois, passou a ter como sócio o fundo de participações Advent, que promoveu mudanças de gestão e governança. E também fechou duas aquisições muito relevantes. Primeiro a compra da IUNI, rede de ensino de Cuiabá, criada por Altamiro Galindo, pai de Rodrigo que, com o aval do Advent assumiu a gestão da Kroton e agora é também o escolhido para ficar à frente da nova companhia. O passo maior da Kroton veio ao final de 2011, quando pagou R$ 1,3 bilhão pela Universidade do Norte do Paraná (Unopar), que a levou à liderança em ensino a distância no país.
O propósito do negócio entre a Anhanguera que, de início tinha como um dos principais acionistas a butique financeira Pátria, é o de juntar a liderança em ensino à distância da Kroton com a forte fatia de mercado no ensino presencial da Anhanguera.
A negociação foi auxiliada pela presença de gestores de private equity nas duas empresas e não contou com ajuda de banqueiros. O mercado especula que dois fatores podem ter sido os catalisadores da associação. Um deles seria uma nova retomada de negociações entre a Anhanguera e a Estácio novamente para uma fusão - no passado, as próprias companhias já admitiram que chegaram a conversar. A Estácio, de fato, voltou a conversar com a Anhanguera recentemente, antes desta fechar negócio com a Kroton. Outro argumento seria o de criar uma empresa maior e com mais fôlego para defender-se de uma eventual investida de grupos estrangeiros no país.
A nova empresa terá capital disperso e um valor de mercado da ordem de R$ 12 bilhões, somadas as cotações das duas empresas. Pela estrutura prevista após a associação, 75,9% de seu capital estará livre para circulação no mercado (free float). Todos os personagens das histórias das duas empresas serão aqueles que manterão as maiores participações, mas nenhuma superior a 6% e não há a previsão de assinatura de um acordo de acionistas entre eles que, juntos, terão 24,1% da nova empresa.
Os fundadores da Unopar, família Laffranchi, terão a maior participação, de 6%. Em seguida, virão os fundadores do Pitágoras, de Mares Guia, com 5,8%. Rodrigues, ainda por meio do fundo que hoje é gerido pelo Pátria, terá 4,4% da empresa. Os Galindo, criadores da IUNI, ficarão com 2,1% e o Advent terá 5,8% da nova empresa. Apenas o Pátria, que já estava se desligando da Anhanguera ficará com participação irrelevante, incluída na conta do "free float".
Se de um lado a empresa ficará sem um bloco de controle definido, por outro, pelo seu tamanho, ficará bastante mais caro para algum outro investidor alcançar participação relevante em seu capital ou até mesmo fazer uma oferta para seu controle.
O novo conselho da empresa terá 13 integrantes. O professor Gabriel será o presidente e indicará mais dois membros e um dos três independentes. Entre os escolhidos por ele está Ricardo Scavazza, atual diretor-presidente da Anhanguera e sócio do Pátria, que continuará no conselho da companhia. Os fundadores da Unopar, Pitágoras e o Advent terão duas cadeiras cada um. E a IUNI terá um assento.
Apesar de muitos no setor sempre apostarem que a presença de fundos de private equity nas três empresas listadas - Kroton, Anhanguera e Estácio - fosse um facilitador para alguma consolidação entre elas, foi somente a partir da iniciativa do professor Gabriel, aos 80 anos e mais de 42 à frente de uma empresa fechada, a Anhembi Morumbi, que o movimento agora se confirmou.

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