Priscilla Borges - iG Último
Segundo - 15/02/2013 - São Paulo, SP
Após
completar uma década de aprovação, a Lei nº
10.639 não conseguiu garantir que o ensino de história e
cultura afro-brasileira faça parte dos currículos da
educação básica e da formação dos
professores do País. O descumprimento das exigências da lei,
agora, se tornará tema de ação a ser julgada pelo
Supremo Tribunal Federal (STF).
O Instituto de
Advocacia Racial e Ambiental (Iara) vai protocolar um mandado de
segurança no tribunal na manhã desta sexta-feira. Na
ação, os representantes do instituto pedem suspensão
da abertura de novos cursos de graduação e licenciatura
destinados a formar profissionais em educação nas
instituições públicas; suspensão de repasse de
recursos financeiros reservados aos programas de formação
para esse tema e mudanças nos critérios de
avaliação dos cursos.
Entre os muitos
alvos da ação, estão a presidenta Dilma Rousseff; o
ministro, o secretário-executivo e o de Regulação e
Supervisão da Educação Superior do Ministério
da Educação; o presidente do Conselho Nacional de
Educação (CNE); o presidente do Instituto Nacional de Estudos
e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep); o presidente da
Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de
Nível Superior (Capes); o presidente do Fundo Nacional de
Desenvolvimento da Educação (FNDE); o ministro da
Controladoria-Geral da União, o procurador federal dos Direitos do
Cidadão; reitores de 44 universidades federais e o advogado-Geral da
União.
“Estamos
cobrando judicialmente tudo o que eles não fizeram antes e
encaminhamos a ação para o Supremo Tribunal Federal por conta
de um ato omissivo da presidenta da República. Todo o trabalho de
pesquisa feito pelo Iara mostra que a implementação da lei
é um faz de conta”, afirma Humberto Adami, advogado que
representa o instituto.
O advogado explica
que o Iara fez um levantamento sobre a situação da
aplicação da lei nas escolas e universidades. Há
projetos isolados sobre o ensino da história e cultura africanas e
afro-brasileiras nas escolas; as universidades não têm
disciplinas específicas para tratar o tema na formação
dos professores – quando há, não é
obrigatória – e as verbas destinadas ao financiamento dos
programas da área são pouco utilizadas.
Pedidos
“esquecidos”
Antes de decidir
entrar com a ação no STF, o instituto pediu
providências administrativas ao Ministério da
Educação, em novembro do ano passado, “propondo
representação por descumprimento da obrigatoriedade do estudo
da história da África e dos afro-brasileiros, em
relação aos órgãos responsáveis pela
formação inicial, continuada, controle,
fiscalização e avaliação das Políticas
Públicas na estrutura da Educação”.
Sem resposta
após 60 dias, o mesmo pedido foi feito à presidenta Dilma
Rousseff. Adami diz que, baseado no descumprimento da lei, os autores da
ação pediam o mesmo que consta agora no processo judicial:
suspensão da abertura de novos cursos de graduação que
formam professores; reavaliação dos cursos para diminuir os
conceitos de qualidade das instituições que não
oferecem a disciplina; suspensão de repasse dos recursos financeiros
aos programas de formação e punir os responsáveis por
não fiscalizar o cumprimento da lei.
Não existe
prazo para que os ministros do STF julguem a ação. Mas, para
Adami, discutir o tema na Suprema Corte será de grande valia. Na
opinião do advogado, uma geração de jovens está
sendo prejudicada com a falta do conteúdo debatida nas salas de
aulas da educação básica e das universidades.
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