quarta-feira, 21 de março de 2012

Presidente do Conselho dos Reitores acredita que MEC está no caminho certo
Folha Dirigida, 21/03/2012 - Rio de Janeiro RJ

Michelle Bento
As reações em relação às mudanças do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) no meio educacional têm sido diversas, no entanto, uma preocupação é comum. Os representantes das universidades têm dúvidas se as novas medidas vão coibir, de fato, tentativas recentes de burlar a prova. Representantes de universidades temem ainda que esta fiscalização tenha maior prioridade que o real objetivo do Enade, que é o de avaliar o nível dos alunos. Com as mudanças, eles acreditam que a adequação da prova aos conteúdos dominados por alunos do penúltimo período, que agora também terão de participar da avaliação, deverá ser trabalhada com eficiência, caso contrário, poderá prejudicar os universitários. Na opinião de Amábile Pacios, presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), os problemas vão além das tentativas de fraude do exame. "A questão é que não é possível evitar uma fraude se o MEC ainda considerar este resultado uma nota extremamente importante para a composição da nota final da instituição. Essa nota deveria valer para que a instituição melhorasse a sua qualidade e estrutura. Vai haver esse tipo de problema enquanto o Enade for usado de forma equivocada e punitiva", afirmou.

Amábile também frisou que além da nota ter peso excessivo no Índice Geral de Cursos (IGC) muitas universidades saem prejudicadas, já que é comum que os alunos não compareçam à prova ou então não façam o exame de forma séria. "O IGC não avalia a realidade da instituição, por isso ele não é fiel. Outro implicador é o 'boicote' dos próprios alunos, que se organizam por redes sociais para não fazer o exame. O estudante não entende que isso é importante para uma política educacional do Brasil. Como as instituições privadas são penalizadas, elas correm atrás. Por isso, muitas só deixam os melhores alunos fazerem as provas", enfatizou. Já o presidente do Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (CRUB), Ricardo Miranda, também reitor da Universidade Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), acredita que o MEC está no caminho certo. "Recentemente, tivemos o caso da Unip, no qual o MEC apurou e tomou uma atitude. Acho que esta nova portaria é baseada neste episódio. Parece que algumas instituições selecionam os melhores alunos para fazer o Enade, e assim, elevarem a média. Este tipo de estratégia leva a um resultado errado em relação ao desempenho da instituição, por isso deve ser evitada. No entanto, para o Enade ter eficiência, é necessário superar algumas deficiências, como o boicote dos estudantes", salientou.

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